Ícone do site Tribuna de Minas

Shakespeare ganha versão mineira em peça que estreia em Juiz de Fora

cravo verde shakespeare

(Foto: Divulgação)

cravo verde shakespeare
Adaptação se passa em Coronel Pacheco, em 1893 (Foto: Divulgação)
PUBLICIDADE

E se uma peça de Shakespeare se passasse no interior de Minas Gerais? Para responder a essa pergunta, a companhia de teatro Cravo Verde estreia, neste sábado (3), a tradução “Do jeitin que cês gosta”, no Teatro Paschoal Carlos Magno. As apresentações acontecem no sábado e no domingo (4), às 19h, e os ingressos podem ser adquiridos na plataforma Uniticket.

Adaptado do original “Como gostáis”, peça do autor inglês William Shakespeare, “Do jeitin que cês gosta” se passa no Brasil colonial do século 19, em Coronel Pacheco. Apesar da diferença entre oceanos e séculos do original para a adaptação, Leandro Stephan, que assina a peça, explica que o tema central não se perde.

PUBLICIDADE

“A beleza de Shakespeare está muito associada ao fato de que suas histórias tratam de temas universais, então as mensagens de ‘Como gostáis’ não se perdem nos matos de ‘Do jeitin que cês gosta’.”

Na história original, o duque Sênior é banido de seu reino pelo irmão, que usurpa o trono, e a família foge para a Floresta de Arden. Na versão adaptada, o conflito acontece em uma sesmaria no interior de Minas Gerais e reflete a realidade brasileira da época: o que eram as florestas da peça original tornam-se os matos mineiros.

“Para nós, parece mais interessante pensar o nosso real do que simplesmente copiar peças estrangeiras, então passamos por este processo quase antropofágico para trazer Shakespeare de uma forma nova e que converse com o público a partir da sua realidade”, destaca.

Cravo Verde pretende explorar mais obras de Shakespeare – e sua vida – em próximos trabalhos (Foto: Divulgação)

A escolha para a adaptação também vem do fato de que a peça original já trabalha com gênero, já que a grande revelação da história é Rosalind — Rosinha —, filha do duque Sênior na versão original, se transvestir de homem e se esconder assim. Ao mesmo tempo que Orlando, o protagonista, se apaixona por ela como mulher e a seduz enquanto ela está vestida de homem.

PUBLICIDADE

A peça não é a única de Shakespeare que admite uma leitura queer, algo que será abordado nos próximos trabalhos da Cravo Verde. “A peça original é muito divertida, então a combinação de um desejo por fazer comédia após duas peças trágicas e o jogo de gênero em torno de Rosalind nos iluminaram os olhos para fazer ‘Do jeitin que cês gosta’”.

Outra novidade na montagem é o uso do teatro no formato de arena: “Sentimos que o teatro de Juiz de Fora se tornou algo muito regimentado pela forma do palco italiano”, explica Stephan. A subversão, que acompanha os projetos da companhia, avança também para o rompimento com o formato do teatro clássico. A arena também cria uma intimidade maior com o público, o que deixa a peça mais mineira, “já que a gente já é conhecido pelo ‘cafezin’ com pão de queijo oferecido pras visita”.

PUBLICIDADE

Cada personagem também possui sua particularidade na construção, uma vez que cada ator escolheu um bicho para se inspirar, estudou suas vidas, suas movimentações e seus sons e desenvolveu personagens que rompem com um realismo clássico.

Serviço

“Do jeitin que cês gosta” – Cravo Verde
Sábado (3) e domingo (4), às 19h
Teatro Paschoal Carlos Magno (Rua Gilberto de Alencar, 1 – Centro)
Ingressos via Uniticket

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile