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Alessandra Crispin lança projeto autoral inspirado no amor entre mulheres

Alessandra Crispin lança projeto autoral inspirado no amor entre mulheres

Foto: Paula Duarte/Divulgação

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A artista Alessandra Crispin lançou o EP “Pode chegar com o amor” com seis faixas autorais. Neste novo projeto, ela mistura diferentes ritmos para criar algo que define como “solar” e repleto de “brasilidade”, partindo de uma inspiração que teve em casa: o relacionamento entre duas mulheres. Ao assumir o protagonismo da afetividade no trabalho em que participou de todas as etapas da criação, ela propõe a reflexão sobre qual é o lugar que as relações amorosas ocupam na vida de mulheres e pessoas negras.

Todas as canções podem ser escutadas nos streamings, incluindo uma parceria com o rapper também juiz-forano RT Mallone. Neste ano, ainda será feito um show comemorativo do EP, previsto para 12 de novembro, e ocorrerá o lançamento de dois clipes do projeto.

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Foto: Paula Duarte/Divulgação

Depois de “O peso da pele”, lançado em 2023, o novo trabalho de Alessandra passou a focar em como amar e como ser amada. Principalmente, teve como inspiração o relacionamento da cantora ao longo dos últimos sete anos com Tainara Campos. O girassol presente nas fotos de divulgação, inclusive, foi utilizado, pois lembra a amada.

“O projeto nasce do dia a dia de um casal de mulheres lésbicas que construíram e se entenderam a partir do momento em que começaram a dialogar sobre o afeto e o que queriam dentro de um relacionamento, as possibilidades de respeito e de comprometimento, de afetividade e de sonhos”, explica ela. Ao trazer para a música o relacionamento, ela também percebeu que era uma forma de celebrar e de propagar esse sentimento. 

Quando começou a elaborar as músicas, entendeu que era uma forma de abrir espaço para discutir como o amor chega para as mulheres e, principalmente, para as mulheres negras, e como ele deveria chegar. “Venho de um histórico de relacionamentos em que, em muitos momentos, me senti negada e invalidada de viver o amor real. Romantizamos muito os afetos, mas dessa vez é a primeira vez que estou vivendo isso e construindo isso com muito diálogo, companheirismo e amor”, explica Alessandra. Fazem parte do projeto faixas como “Singular”, “Bem black”, “Paisagem”, “Dengo” e a que dá título ao álbum.

Artista plural

Fazer esse álbum, como explica Alessandra, trouxe uma outra camada para o processo criativo, diferente de seus trabalhos anteriores. “Escrever sobre o meu relacionamento e escrever mais músicas românticas me levou para um lugar de leveza.”

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Quando se trabalha com o que é autoral, como é o caso de Alessandra, isso se torna ainda mais profundo. “Desde que comecei a gravar, praticamente só fiz álbuns autorais. Tenho vontade de fazer daqui a algum tempo um registro de releituras, mas, quando começo a pensar e ter a oportunidade de trazer minhas composições registradas, minha cabeça vira um mundo de possibilidades.”

Apesar de já compor desde os 9 anos, quando participava de gincanas e escrevia jingles na escola, Alessandra foi reconhecendo progressivamente o peso que tem ser uma artista que compõe o próprio trabalho. “Tenho um projeto de samba muito conhecido na cidade e na região, faço parte de um grupo de pagode de mulheres, que é o Samba de Colher, e, durante o carnaval, tenho um projeto próprio. Quando estou apresentando e defendendo o autoral, me permito ser tudo isso e muito mais. Acho que vem para consolidar a Alessandra intérprete, compositora e a que flerta com os arranjos”, defende ela, esperando que seja mais uma etapa para consolidá-la como a artista plural que é. 

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Foto: Paula Duarte/Divulgação

Diferentes ritmos

Sendo uma artista plural, ela também se identifica com vários ritmos — e, neste trabalho, traz especialmente as sonoridades ligadas à cultura afro-brasileira. “Eu acho que, aos poucos, fui conseguindo trazer para o meu projeto tudo isso, e as pessoas foram identificando a Alessandra Crispin nessa mistura toda que o Brasil tem, principalmente ritmicamente, e que eu gosto de usar mesmo.”

Parte essencial dessa trajetória, o samba é um desses ritmos que ela destaca, pois também entende que tem muita capacidade de atravessar quem o escuta. “Eu bebo do samba e ele me bebe. Eu brinco que o samba é o cômodo mais gostoso, o que eu mais gosto de receber as pessoas, dentro dessa minha casa música.” 

O projeto também contou com a regravação da faixa “A cor do desejo”, feita em parceria com RT Mallone, em uma colaboração que fizeram juntos e que ela considera uma das formas dos artistas trocarem e se fortalecerem no contexto da Zona da Mata — e que espera que se repita mais uma vez. “A possibilidade de misturar e de trazer um pouquinho de cada coisa, para transformar em uma canção, é dialogar com várias gerações e apresentar a minha identidade por meio das nossas tantas heranças.”

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