Um engajado time de artistas e especialistas em produção cultural invade a cidade, a partir de amanhã, para a primeira edição do Festival Sem Paredes. Com sete dias tomados por uma extensa agenda cultural, o evento pretende ser um marco no cenário independente local. Promovida pelo Coletivo Sem Paredes, com apoio do Circuito Fora do Eixo, a programação vai abranger os campos das artes plásticas, música, literatura, artes cênicas, dança e audiovisual. A ideia partiu da constatação de que a cidade não possuía um festival para divulgar a produção independente, conta um dos organizadores, Gian Martins, sobre o projeto que vem sendo planejado desde o ano passado. Segundo ele, experiências do tipo têm sido executadas em todo o Brasil, trazendo bons resultados no que diz respeito a levar ao público produções que estão fora do circuito comercial.
Durante toda a semana, o Espaço Diversão & Arte terá oficinas e mesas de debates, com temas como Empreendedorismo cultural e criativo e Cultura em rede e cooperativismo musical. O endereço, inclusive, se transformará em uma espécie de QG artístico, já que muitos participantes do festival ficarão abrigados no local. Vai ser um verdadeiro centro de vivência, em que as pessoas poderão trocar conhecimentos o tempo inteiro, define Gian.
O presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), Talles Lopes, estará na mesa de abertura do evento. Ele acredita que o festival traz à cidade os debates mais contemporâneos acerca da produção cultural, com participantes fortemente envolvidos nesse novo cenário. Trata-se de uma visão muito pautada em associações colaborativas e associativas, com grupos bem organizados e articulados em torno de proposições de novas políticas públicas.
De acordo com Talles, essas adequações na esfera artística vêm muito a cargo das transformações tecnológicas. E isso é muito claro no setor musical, em que plataformas que baratearam a produção e o comércio de música faliram a indústria fonográfica. Nunca tivemos tanta música sendo gravada e disponibilizada. O artista tem que aprender a lidar com essas tecnologias. Não pode mais ficar alheio. Mesmo aqueles vinculados a grandes gravadoras contam com mecanismos de diálogo com essas ferramentas.
Fim de semana musical
Um dos pontos altos do festival será, no final de semana, com atrações a partir das 14h em local ainda a ser definido pela organização. No sábado, entre os números musicais, estão as bandas locais Martiataka e Silva Soul e as paulistas da elogiada Garotas Suecas. A banda mostra uma mistura bem-humorada de rock e MPB, que vem arrebatando fãs desde 2008, quando venceu o prêmio Aposta MTV, no VMB. No próximo domingo, é vez da irreverente Do Amor mostrar seu som, marcado por influências que vão do axé dos anos 1980 ao rock, passando por vertentes como música africana, tropicália e soul. Black Sonora e BNegão fecham juntos o festival, com repertório permeado por ritmos da música negra.
Para deixar o espetáculo ainda mais rico visualmente, os VJs Filipe Peçanha e Gabriel Zambon apresentam suas projeções imaginárias, com proposta de criação e mixagem de vídeos ao vivo. Tudo isso em sintonia com a música e as outras atrações performáticas. A programação completa está no site da Tribuna (www.tribunademinas.com.br).
