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Arte da mistura

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Harpa, violão e violino conversam – e se entendem muito bem – no som do Trio Amadeus. O grupo de Belo Horizonte mostra o resultado dessa ousada mistura entre popular e erudito em uma apresentação hoje, às 16h, no parque do Museu Mariano Procópio. No repertório, composições clássicas ganham arranjos modernos, enquanto canções contemporâneas fazem o caminho inverso. A gente contemporiza todo mundo, trazendo as músicas para um meio termo, comenta o violonista Fábio Lopes, fundador do trio, ao lado da harpista Marcelle Chagas. O concerto integra a terceira edição da série Música no Museu, que, em 2011, tem o tricentenário de Ouro Preto como tema.

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Em seu primeiro show em Juiz de Fora, o trio apresenta um repertório que inclui desde árias de óperas a músicas medievais, MPB, canções de peças da Broadway, world music, além de composições próprias. Com tantas referências na manga, não é de se estranhar que o trabalho autoral da dupla escape de qualquer rótulo. Ouvimos de tudo, de Mozart a Chico Buarque, explica Fábio. Os dois CDs que o trio gravou (Amadeus, de 2003, e Sobre todas as coisas, de 2008) foram bem recebidos pela crítica, que destacou a originalidade dos arranjos e da formação do grupo. Apesar da diversificação, Fábio enfatiza a criação de uma identidade própria, que permeia toda a produção do Amadeus. Os estilos são variados, mas nossa personalidade é a mesma.

Com um nome que presta tributo a Mozart, o Trio Amadeus surgiu em 2003, em Belo Horizonte. Além de elogios da imprensa especializada, o grupo recebeu convites para apresentações no Brasil e no exterior. Foram escolhidos, por exemplo, para tocar na recepção ao Príncipe do Japão, Nahurito, em sua visita ao Palácio da Liberdade, na capital mineira. O currículo do trio também conta com um show no Cassino Estoril, em Portugal, e concertos Paris e Praga.

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Harpa e violão foram unidos por um elemento totalmente alheio à música: as ciências exatas. Fábio e Marcelle se conheceram nos corredores da faculdade de física. Ele vinha de uma banda de rock; ela, com formação em piano e canto lírico. Apesar das trajetórias totalmente distintas, o diálogo musical fluiu naturalmente, e a dupla decidiu equalizar os extremos. Temos um entrosamento pessoal muito grande. Poderia ser difícil conciliar linguagens tão diferentes. Mas, pelo contrário, funciona muito bem, comenta o violonista.

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O Amadeus é um trio de vértice aberto. Além de Fábio e Marcelle, a formação está aberta a convidados. As participações variam tanto em relação ao intérprete, quanto ao instrumento escolhido: flauta, guitarra e percussão já figuraram como terceiro elemento dessa mistura. No show de hoje, eles tocam com o violinista Rafael Marcenes.

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Dos três músicos, aliás, o único que conhece Juiz de Fora é Rafael, que estudou no Conservatório Estadual Haidée França Americano. Estreando na cidade, Fábio afirma ter grandes expectativas de conhecer mais uma das facetas de Minas Gerais. Segundo o músico, a variedade cultural do estado funciona como estimulante para o trabalho do trio. Estamos orgulhosos de participar desse projeto, em homenagem aos 300 anos de Ouro Preto. Temos um caso de amor com Minas, com toda sua diversidade. Talvez isso tenha se refletido no nosso som.

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