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A história do pianista juiz-forano que ganhou o mundo

moisés priamo 2

(Foto: Fernando Priamo)

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O pianista juiz-forano que precisou sair do Brasil para ser considerado um gênio na Europa terá sua vida contada em documentário. “3 Atos de Moisés” irá retratar a vida do músico Moisés Mattos, que veio a Juiz de Fora para participar das gravações e realizar pela primeira vez um recital no Cine-Theatro Central, neste domingo (4). Em entrevista à Tribuna, a produtora e idealizadora do longa-metragem, Carolina Pernisa, contou sobre os bastidores da produção, enquanto o próprio pianista declarou sua emoção em retornar ao Brasil e reviver suas memórias.

Moisés Mattos tem história registrada em filme (Foto: Fernando Priamo)

A história do artista, já contada pela Tribuna na sessão “Outras ideias”, no início deste ano, começou a ser adaptada para o audiovisual. A narrativa em três atos é introduzida pelo presente, retornando ao passado onde Moisés superou dificuldades e preconceitos, até chegar às suas experiências na Alemanha, onde foi radicado e abraçado como grande artista, passando a se apresentar em diversos países pelo mundo, ao lado de orquestras renomadas.
Para contar essa história, o documentário tem a colaboração de vários personagens que testemunharam sua caminhada. Alguns deles são os pais Maria de Fátima e Paulo Roberto, os amigos Carlos Alexandre Aquino e Stefano Giarelli, o maestro André Pires e sua esposa Luiza. O projeto também reúne arquivos pessoais de apresentações do artista no exterior e fotos antigas.

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As gravações começaram na última quinta-feira (1), no Teatro Paschoal Carlos Magno, onde a equipe passou três dias realizando entrevistas. A primeira delas foi com o dono de tamanha história, o pianista Moisés, que chegou inclusive a fazer visitas em pontos da cidade importantes para a sua trajetória. Sua andança da antiga residência no bairro São Pedro até o Conservatório Estadual de Música Haidée França Americano, na Rua Batista de Oliveira, onde realizava aulas clandestinas com a ajuda de um amigo. Suas visitas à casa do maestro André Pires, que o ensinou e incentivou, tornando-se tão próximo que Moisés chegou a ser considerado parte da família, muito querido também pela esposa. Está incluso também o Cine-Theatro Central, onde realiza o sonho de se apresentar no maior e mais tradicional palco de sua terra natal. Outra possibilidade de locação é a Catedral de Petrópolis, onde o artista foi recentemente convidado a tocar pelo bispo da região. Para representar a fase da carreira que se passa na Alemanha, a equipe pretende acompanhar lá aspectos da sua rotina de artista e professor, nas cidades de Bremen, onde reside, e Hamburgo, cidade próxima.

Moisés com os pais Maria de Fátima e Paulo Roberto e a irmã Samara (Foto: Fernando Priamo)

Equipe envolvida

O convite para o documentário partiu da própria Carolina Pernisa, que ouviu a história do pianista através da mãe, conhecida da família de André Pires. “Ficamos um ano conversando virtualmente e nos conhecemos há cerca de 20 dias, mas parece que nos conhecemos há séculos. A ideia era começarmos a gravar apenas no ano que vem, mas ele teve a oportunidade de ir agora, e corremos para produzir”, comenta Carolina. A equipe conta com cerca de dez amigos, que se encantaram pela história do músico e se reuniram para realizar o projeto, vários vindos do Rio de Janeiro.

A direção é de Eduardo Boccaletti, que assina o roteiro ao lado do assistente de direção Raphael Dusi. O trabalho deve levar cerca de um ano para ser finalizado, com orçamento necessário de R$ 190 mil. Para realizar o documentário, a equipe conseguiu alguns patrocínios e ainda está em busca de mais apoio, além de contar com uma vaquinha on-line no valor de R$ 25 mil.

Combate ao preconceito

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“Contamos essa história também para estimular as pessoas. A arte precisa ser valorizada, porque é transformadora e salvadora. Moisés não desistiu do seu sonho. Ele enfrentou muito preconceito e dificuldades, mas diz que é grato por isso, porque foi o que o fez ter mais energia para não desistir”, conta a produtora. “O Moisés traz a música clássica muito para perto de todo mundo, ele gosta de interagir com a plateia e explica a história daquele compositor e o que ele sente quando toca, e também quer saber o que a plateia sente. Ele tem uma frase que diz: ‘Estou aqui para fazer uma poesia junto com vocês, não estou sozinho tocando para vocês’. Ele acredita que a música, como a arte em si, é para todo mundo, como forma de união. Ele nos contou durante as gravações, que com o contexto dos refugiados na Alemanha, convidaram ele para fazer um recital para refugiados que nunca viram um piano e todos se emocionaram, pessoas de todos os lugares do mundo unidos pela música e que estavam gratas pelo que ele estava tocando”, se admira.

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“A música é a amiga mais próxima e fiel que tive, que me acompanhou a vida inteira e me estabeleceu como ser humano”, conta o pianista (Foto: Fernando Priamo)

Viagem nostálgica

Para Moisés, entrar no túnel do tempo e reviver a própria vida foi um momento de muita emoção. “Foram revividas tantas recordações boas, como também ruins e tristes. Saí de uma sessão terapêutica. E é uma honra para mim ser escolhido para ser personagem do documentário, porque a música tem exatamente o significado de quebrar fronteiras e limitações que as pessoas impõem, juntar povos e nações, independentemente de etnia e orientação sexual, quebrando estereótipos. A música é a amiga mais próxima e fiel que tive, que me acompanhou a vida inteira e me estabeleceu como ser humano, construindo minha personalidade, me ajuda a ser quem sou hoje em dia. E o documentário é uma forma de mostrar às pessoas que sofreram e ainda sofrem com qualquer tipo de preconceito e agressão, como vivi na minha vida. Pode mostrar que ainda há chance e que os obstáculos estão aí para serem superados”, reflete o artista, que diz ter voltado à infância em um encontro especial de seu eu-garoto com seu eu-adulto, agora com outra concepção de vida, depois de tantas mudanças e superações.

Apesar de eclético, Moisés é muito caracterizado por ser um músico romântico, versão que trará para o palco do Cine-Theatro Central em seu concerto. No repertório, estão compositores como Robert Schumann, Ernesto Nazareth, Franz Liszt e Franz Schubert, além de autorais que não apenas dizem sobre sua trajetória, como de fato colocam o próprio Moisés nas notas. “São composições de muitos anos, ainda no Brasil, cores daquela época que já me acompanhavam e que foram sendo desenvolvidas com minha trajetória na Europa”, conta o artista, planejando a realização do sonho, que ainda não acredita que irá realizar. “Não consigo imaginar que vou me apresentar aqui e principalmente ser reconhecido pelo meu país, o lugar onde nasci, na minha cidade. É diferente ter reconhecimento lá fora, tocar em grandes teatros de lá em comparação com aqui, porque aqui é o meu coração, onde minha trajetória começa”, se emociona.

Moisés Mattos

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Neste domingo (4), às 16h, no Cine-Theatro Central. Entrada franca.

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