
Durante a 21ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), a Universo Produção também lançou um livro para revisitar as contribuições feitas para a preservação cinematográfica brasileira. A obra “Memória Viva do Cinema Brasileiro: CineOP 20 Anos (2006-2026)” celebra duas décadas de mostra e, para isso, reúne textos de pesquisadores, curadores, professores, preservadores, realizadores e profissionais do audiovisual. A coordenação editorial do livro foi feita pelo curador, crítico e professor Cleber Eduardo e a organização é de Raquel Hallak d’Angelo e Fernanda Hallak d’Angelo.
A ideia de fazer um livro para celebrar o marco de realização da mostra veio justamente por também entender que publicações que conectassem cinema e preservação são raras no país. O evento, por proporcionar muitos diálogos sobre o tema, reunia também várias mentes pensantes que podiam registrar as construções que estavam sendo feitas. “Queremos deixar o legado que estamos construindo, com todas as equipes que comparecem e colaboram. Tudo que fazemos é uma construção coletiva”, declara Raquel.
A obra tem 360 páginas e contou com 21 artigos — trazendo diferentes perspectivas a partir da provocação. A organização prioriza a relação do evento com Ouro Preto e os motivos que justificam a realização da mostra na cidade, sendo seguidos pela consolidação dos três eixos de atuação (preservação, história e educação). Mais à frente, os textos se dedicam a entender a preservação de forma ampliada, pensando em políticas públicas, na formação especializada e na preservação digital de arquivos. Além disso, também aborda temas como memória indígena e negra dentro desses contextos. Por fim, traz entrevistas e um espaço dedicado a rememorar todas as edições do evento.
Em marcos como esse, o curador Cleber Eduardo acredita que o grande desafio é fazer com que a obra não se torne apenas institucional. “Queríamos que os artigos tivessem um valor em si, tivessem um valor histórico sobre aquele momento e aquele assunto. E como esse evento já tem um histórico bastante direcionado para a memória e formação, nos permite verticalizar um pouco a partir desses nortes”, explica.
Evento reuniu 20 mil pessoas
O evento deste ano encerrou sua programação depois de reunir mais de 20 mil pessoas em seis dias. Durante a data, Ouro Preto recebeu 135 filmes (sendo 33 longas-metragens, quatro médias e 98 curtas) distribuídos ao longo de 42 sessões. As produções selecionadas eram de 18 estados brasileiros e de seis países, entre pré-estreias mundiais e nacionais, que tiveram o papel de ampliar o diálogo entre diferentes cinematografias e gerações de realizadores. O Programa Cine-Expressão, que visa a formação de estudantes, reuniu mais de 3.400 alunos de 22 escolas públicas e privadas em sete sessões de cinema seguidas de debates.
Além disso, também foram oferecidas sete oficinas e quatro masterclasses internacionais durante o evento, com vagas para 500 estudantes, educadores e profissionais do setor. Outro destaque da programação foi o 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o XVIII Fórum Latino-Americano de Educação, Cinema e Audiovisual (Rede Kino), que acontece junto com a mostra.

