
Ambiguidades e subjetividades marcam ‘Verdades vazias’, de Sergio Sabo
Lúcio Rodrigues exibe mais de mil ilustrações em 30 anos de carreira
Respeito à diversidade religiosa pode ser conferida em ‘A fé sem faces’, de Fred Alvim
O CCBM apresenta, a partir desta quinta-feira, três novas exposições, que têm em comum entre si a diversidade de propostas, técnicas e inspirações. “Verdades vazias”, de Sergio Sabo, reúne um conjunto de ideias para tratar de dicotomias; “Desenhos a granel”, de Lúcio Rodrigues”, é um apanhado da incansável obra do artista a partir da década de 1980; e “A fé sem faces”, de Fred Alvim, pretende refletir sobre diferentes religiões a partir de suas pinturas. As três mostras podem ser visitadas no CCBM até o próximo dia 26.
Trabalhada entre 2008 e 2014 por Sergio Sabo, “Verdades vazias” poderá ser conferida apenas em parte, pois a quantidade de obras criadas pelo artista dentro do tema ultrapassa o espaço disponível. Por isso, ele preferiu fazer um recorte e apresentar um fragmento do projeto, que inclui instalações, esculturas, pinturas, gravuras, fotografias e um vídeo. De acordo com Sergio, sua intenção é ressaltar conceitos extraídos de ambiguidades e subjetividades. “Trabalhei, através de metáforas, com dicotomias fundamentais sobre a humanidade, como bem e mal, dentro e fora, verdades e mentiras, morte e vida, céu e inferno, vazio e cheio”, explica.
A junção de tantas formas de expressão foi obtida da única forma possível segundo ele: a experimentação. “Fui juntando cada trabalho até alcançar uma unidade entre essas obras. Fiz e refiz as obras até que fosse criado um diálogo, uma rede que levasse a essa unidade.” O mais desgastante no processo, afirma, foi o tempo que levou para concluir a mostra. “Houve uma hora em que vi que precisava parar e seguir para outro trabalho, tanto que já iniciei uma série nova. Vi que era preciso dar um basta e trabalhar em uma coisa nova, pois senão nunca terminaria.”
Um ‘diário alucinado’
Lúcio Rodrigues tem em “Desenhos a granel” mais de mil trabalhos criados por ele desde a década de 1980, feitos com caneta esferográfica, lápis, tinta e nanquim sobre qualquer superfície que encontrasse. A partir de versos de panfletos, páginas de revista, restos de papelão, guardanapos e outros materiais, ele reúne parte considerável de sua vida como artista – mas nada de retrospectiva por épocas, temas ou coisa que o valha; no máximo, um ou outro nicho com ilustrações mais adultas. “Eu tentei botar em ordem, mas desisti, montei tudo aleatoriamente. Por isso mesmo não será uma retrospectiva. Desenho, ilustração e pintura são minha vida, então não preciso fazer uma retrospectiva disso. Vai ser uma espécie de diário alucinado, porque vai estar todo torto”, adianta.
A vontade de desenhar sobre qualquer superfície, acredita, veio da condição de autodidata. “Nunca fiz nenhuma academia, escola, então sempre vi possibilidade de desenhar em qualquer coisa. Uma exposição que fiz tinha desenhos sobre sucata etc. Há mais de 20 anos, não compro papel em papelaria, o que compro são canetas, nanquim, lápis. Utilizo até recarga de cartucho para impressora. É um trabalho livre, e eu me sinto livre quando estou trabalhando”, diz Lúcio, destacando que o material em exposição estará à venda.
Pela fé e sua diversidade
Refletir sobre a fé, mesmo para quem não tem religião, é um dos objetivos de “A fé sem faces”, de Fred Alvim. A questão passou a ser sentida de forma mais presente na vida do artista nos últimos tempos e serviu de inspiração para a série iniciada em 2014. “Comecei a conhecer outras religiões e me apeguei a essa parte da diversidade e à questão do respeito à crença de cada um”, diz.
Para a criação das telas, ele pesquisou diversas religiões. “Entre elas, está a católica, à qual minha família é tradicionalmente ligada, o espiritismo, com a qual mais me identifico, o islamismo, o judaísmo, o budismo, os evangélicos, o candomblé e a umbanda”, enumera. “Não falo apenas da fé, do caráter religioso, mas também daquilo em que a pessoa acredita, filosofias alternativas como Rosa Cruz, tarô, as crenças do que pode existir no pós-morte.” As telas são marcadas por figuras sem feições faciais, cabendo ao público idealizar quais rostos deveriam estar ali representados. Para ele, isso mostraria como cada pessoa, em algum momento da vida, se apegaria à fé.
“Mesmo que a pessoa diga acreditar em nada, não se pode dizer que ela não tem fé. Isso é algo que existe em cada um e deve ser respeitado”, destaca Fred. “Eu mesmo, por ser pesquisador, com foco na ciência, muitas vezes fui visto como ateu, sendo que para mim a religiosidade é uma coisa íntima, que agora compartilho”, diz o artista plástico que, mesmo sendo daltônico, enveredou pelo caminho das artes graças a uma de suas avós, de quem diz ter herdado o prazer pelas artes plásticas.
“A FÉ EM FACES”
Fred Alvim
“VERDADES VAZIAS”
Sergio Sabo
“DESENHOS A GRANEL”
Lúcio Rodrigues
Aberturas hoje 2 de julho, às 19h, 19h30 e 20h, respectivamente. Visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 18h. Até 26 de julho
CCBM
(Av. Getúlio Vargas 200 – Centro)

