
O Museu Mariano Procópio reabriu nesta terça-feira (2) para o público, após quase 100 dias fechados devido às fortes chuvas registradas na cidade em fevereiro. O local recebeu análise técnica e passou por um Plano de Contingência durante o período em que permaneceu sem visitações. Apesar da área interna do museu não ter sofrido danos, o parque contabilizou perdas, exigindo reformas estruturais e restaurações para que a visitação fosse segura novamente.
Com o retorno do funcionamento das atividades para os visitantes, foram inauguradas duas exposições inéditas. Há áreas do parque, no entanto, que ainda estão interditadas e que só serão liberadas aos poucos, conforme o manejo, em obras que têm investimento previsto para mais de R$ 2 milhões.
De acordo com a prefeita Margarida Salomão (PT), as reformas no local são delicadas porque se trata de um patrimônio tombado e que é tão querido pela população. “Nós escolhemos a possibilidade de transformar esse desafio em uma oportunidade de contribuir com a cultura patrimonial do Brasil, com um projeto de resiliência à altura da memória de Alfredo Ferreira Lage. Nós não poderíamos fazer menos”, disse.
A perspectiva da chefe do executivo é de que o parque seja recuperado por completo aos poucos. Enquanto isso, o público deve ir da entrada até a área do museu fazendo o trajeto a pé e seguir as recomendações para fazer uso do local com segurança. Para que isso aconteça, no entanto, o investimento total ainda não foi fechado: “É um projeto. Ainda não conseguimos calcular todo o investimento que precisa ser feito, mas certamente ultrapassa R$ 2 milhões”.
Esse projeto está sendo realizado pelo geólogo Agostinho Ogura, ex-diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). Ele destacou que, no momento, é necessário realizar uma abertura parcial, segura e controlada.
“Não estamos abrindo por abrir. Quem banca essa abertura é o plano de contingência. É a lógica de estar monitorando, porque o parque não está perfeito. Diversas vias estão interditadas ainda e nós vamos recuperar e trazer de volta todo o parque aberto”, explica ele, que destaca que para isso é preciso aliar equipes multissetorizadas que pensem em formas de trabalho que não sejam invasivas para o parque.
A atual diretora do Museu, Ana Werneck, também destacou a importância que o espaço tem para a cidade e enquanto referência para o turismo e a cultura. “Reabrir o museu é um presente para cidade, para os juiz-foranos e os usuários, que reclamaram o tempo inteiro, todos pedindo pela reabertura.”
Esse fechamento temporário do museu aconteceu, como as autoridades presentes lembraram, após quase quatro anos da reabertura total do museu, que permaneceu fechado durante 14 anos e foi reinaugurado também durante a gestão de Margarida Salomão (PT).
Novas exposições
Para a reabertura, o Museu Mariano Procópio recebe a mostra “O leque e suas (re)apresentações”, instalada na Villa Ferreira Lage e feita com a catalogação de objetos que estavam na reserva técnica da instituição. A exposição reúne 12 leques históricos, majoritariamente datados do século 19, que revelam aspectos artísticos, materiais sofisticados e elementos culturais relacionados ao cotidiano e às relações sociais da época. Essa exposição teve curadoria da museóloga Alice Colucci, em conjunto com o Departamento de Acervo Técnico da Fundação Museu Mariano Procópio, responsável pela pesquisa, conservação e seleção das peças.
Já a exposição fotográfica “Museu e resiliência: entre desafios e recomeços” foi instalada no Parque do Museu e reúne 20 fotografias que revelam os bastidores do trabalho de recuperação logo após as chuvas, durante o período em que o espaço precisou permanecer fechado. Essas imagens mostram o trabalho das equipes em enfrentar os danos provocados pelas chuvas no local, evidenciando os esforços dedicados à reconstrução e a preparação para a retomada das atividades. As duas exposições contam com parceria do Shopping Jardim Norte.

