
Manter viva a cultura popular tradicional, sua oralidade, canções de roda e tantas outras manifestações artísticas que sobrevivem nos rincões do Brasil – e brincar, claro: estes podem ser apontados como alguns dos objetivos do RodaDança, que acaba de lançar o CD “RodaDança: música para cantar, dançar e brincar – Canções de cultura popular tradicional (ou inspiradas nelas)”. O disco, gravado em 2015 por meio da Lei Murilo Mendes, é fruto dos mais de 15 anos de pesquisas realizadas pelo casal Gisela Pelizoni e Gabriel Vozer, que reúne no álbum – além de músicas próprias – canções tradicionais e de domínio público que continuam presentes na memória das comunidades.
Segundo Gisela, o trabalho de pesquisa de canções, brincadeiras, brinquedos e contos populares de tradição oral teve início ainda no século passado, quando eles integravam, no Rio de Janeiro, o Núcleo de Cultura Popular Céu na Terra, no Rio de Janeiro, antes de se mudarem para Juiz de Fora. Na cidade, continuaram o seu trabalho, que envolve a participação em congados, cirandas cantadas, confecção de brinquedos artesanais, dança com crianças e rodas de bois, entre outras, em vários pontos do país, como os estados do Rio de Janeiro, Alagoas e Rio Grande do Sul. Em Minas Gerais, a andança foi ainda maior. “Nós viajamos do Vale do Jequitinhonha até a fronteira com Goiás”, conta Gisela. “Aprendemos muito nessas viagens, conhecemos tradições diferentes. Em geral as canções são caracterizadas como músicas para crianças, mas na verdade elas fazem parte da cultura da comunidade.”
Essa variedade da tradição oral pode ser verifica em sete das canções de domínio público que entraram no CD. “Muitas dessas músicas, e outras que não entraram no disco, foram aprendidas com representantes das comunidades. ‘A barca’, por exemplo, é uma roda de verso do Vale do Jequitinhonha”, exemplifica Gabriel Voser. “‘Candeeiro’ veio de Alagoas, e ‘Caindo fulô’ é um congado mineiro. Já ‘Amado rei’ é um reisado dos dois irmãos originário do Ceará.” As sete canções restantes foram compostas pela própria dupla ou por amigos e parceiros.
“Sempre tivemos o objetivo de levar essas tradições até as crianças, e o CD é a celebração desse percurso”, acrescenta Gisela, que há dez anos desenvolve o trabalho de canções e brincadeiras tradicionais na Escola Municipal José Calil Ahouagi, no Bairro Marilândia, sempre que possível ao lado de Gabriel. Três alunos da instituição de ensino, inclusive, participaram da gravação do álbum, que também contou com a voz da filha dos dois, Cora. O casal também ministra oficinas com professores (“Eles nos cobravam um CD para utilizarem as canções nas aulas”, lembra Gisela) e realiza espetáculos em praças, outras escolas e demais espaços disponíveis.
Gabriel e Gisela já preparam o espetáculo inspirado nas canções do disco. A banda, inclusive, já está montada, faltando terminar a elaboração do cenário e marcar a data do show oficial de lançamento. “Será um show com as brincadeiras de cada música de acordo com a tradição do local original de cada uma. E teremos formatos adequados ao espaço de cada apresentação”, encerra Gisela Pelizoni.

