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Arte em nome da fé

ultimos dias da vida de jesus sao lembrados em apresentacoes teatrais como a da paroquia santa luzia

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ultimos dias da vida de jesus sao lembrados em apresentacoes teatrais como a da paroquia santa luzia
Foto: Divulgação/Karla Cesca
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De acordo com a fé católica, a Semana Santa é marcada pelo martírio de Jesus Cristo após sua chegada, em triunfo, à cidade de Jerusalém. Celebrado como o Rei dos Reis, logo ele é preso, julgado e condenado à cruz pelo mesmo povo que o idolatrara, morrendo no alto do Gólgota para voltar dos mortos ao pagar pelos pecados da humanidade. Para marcar fundo no coração dos fiéis a Paixão de Cristo, a Arquidiocese de Juiz de Fora, por meio de suas paróquias, mantém a tradição de ir além das procissões e missas que configuram o feriado religioso, realizando diversas encenações dos últimos dias de Jesus nos bairros da cidade. A reconstituição dos passos do filho de José e Maria teve início no último sábado, na paróquia do Bairro São Mateus, continuou na segunda-feira, no São Judas Tadeu, e terá prosseguimento até sábado.

Realizada há décadas na cidade, uma das mais tradicionais encenações da Paixão de Cristo tem endereço na paróquia de Santa Luzia. A apresentação será dividida em duas partes: a primeira, na sexta-feira, terá início às 20h na Igreja Matriz da paróquia e vai mostrar Jesus sendo condenado por Pôncio Pilatos e continua na parte externa até o momento da crucificação. No sábado, às 21h, será celebrada a missa do Fogo Santo, terminando com a peça sobre a ressurreição e a subida aos céus de Jesus.

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A apresentação fica por conta do Grupo de Teatro da Semana Santa, formado por integrantes da localidade. No total, serão 45 atores e mais 25 pessoas trabalhando em diversos setores (iluminação, figurino, direção). Um dos autores do texto é Eduardo Crochet, que participa do grupo há 20 anos e interpretará Satanás pelo segundo ano consecutivo, após ter sido responsável pelo papel de Pôncio Pilatos. Ele conta que os responsáveis pela organização e elaboração da peça começaram a definir toda a programação ainda em janeiro. “O ensaio começou em fevereiro, uma semana antes do carnaval. É difícil conciliar com todo mundo porque temos pessoas de idades e atividades diferentes. Os ensaios gerais foram realizados nos finais de semana, já os ensaios específicos podiam ser feitos durante a semana, com parte do elenco”, explica.

Uma das características da apresentação, destaca Eduardo, é que a cada ano ela é feita sob o olhar de um personagem diferente. Se no passado a peça foi encenada sob a perspectiva de Pôncio Pilatos e Maria Madalena, entre outros, desta vez o escolhido foi Pedro, considerado a pedra fundamental da Igreja Católica e seu primeiro papa. “É um desafio nosso fazer a cada ano sob o olhar de um personagem diferente. Como são muitas pessoas assistindo, queremos ter um novo espetáculo. Desta vez vamos encenar a partir da traição de Pedro, quando ele nega Jesus e percebe o erro que cometeu, entendendo todo o sentido de sua missão.”

Comunidade presente

No caso da paróquia de Nossa Senhora da Glória, o Grupo Redentorarte encena a Paixão de Cristo há 12 anos e vai manter a tradição com a apresentação na sexta-feira, às 20h, na Igreja da Glória. Ontem, foi feita uma encenação na praça Mahatma Ghandi, no Santa Catarina. Uma das autoras do texto, Marilene Loures Rodrigues diz que são feitas apenas algumas alterações no roteiro a cada apresentação, o que permite que poucos ensaios sejam suficientes para todos entrarem em sintonia. “Os atores são da comunidade, participam com a gente, e os figurantes são pessoas que convidamos cerca de uma hora antes do início da peça”, diz ela. Para a preparação do espetáculo, a comunidade ajuda por meio de rifas e outras formas de arrecadação de dinheiro. Além da Paixão de Cristo, o Redentorarte também apresenta outras peças católicas durante o ano.

Mesmo tratando-se de uma data religiosa, tanto Eduardo quanto Marilene destacam a importância de unir a arte à fé cristã para contar a história do sacrifício de Jesus. “Desde a Idade Média que o Teatro Sagrado substituía a leitura da Bíblia, porque as pessoas não sabiam ler ou não conseguiam fazer a leitura em latim. Mesmo agora, o teatro ajuda a vivenciar aquilo que se passou com mais proximidade e a reforçar a fé pela arte. As pessoas sentem que poderiam fazer parte daquela história”, acredita Eduardo Crochet. “O teatro consegue tocar o coração de quem está ali ao explicar a história com mais nitidez”, acrescenta Marilene.

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Na sexta-feira a Paróquia Divino Espírito Santo terá a Paixão de Cristo a partir das 19h na Igreja Matriz, no Bairro Progresso. A apresentação será feita pelo grupo jovem da localidade. Mais cedo, na paróquia Nossa Senhora Aparecida, os jovens da comunidade fazem a reconstituição bíblica após a Solene Ação Litúrgica da Paixão e Morte do Senhor, marcada para as 15h.

A paróquia Nossa Senhora das Dores, no Bairro Grama, inicia a Via-Sacra às 18h; na sequência, o grupo de jovens local vai reconstituir o martírio de Jesus. A Capela São Sebastião, no Jardim Esperança, será palco do início da encenação da Paixão de Cristo, às 19h30. Ela vai ter continuidade ainda, no mesmo dia, na Escola Municipal Olinda de Paula Magalhães. No sábado, a partir das 19h, a unidade de ensino recebe a parte final da apresentação, com a ressurreição de Cristo. A paróquia João Paulo II, no Nova Era, realiza sua encenação, a partir das 20h30, no pátio da Capela Santo Antônio.

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