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‘Contra qualquer força limitadora’

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Na raça, na colaboração, nos circuitos afetivos. Um cinema de garagem. É assim que o cineasta Dellani Lima descreve seus projetos futuros e aqueles em que já esteve envolvido. Nordestino de berço, Dellani mora em Belo Horizonte há 13 anos e foi desde que fincou os pés nas Minas que viu importantes momentos de sua carreira ganharem vida.

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Na última Mostra de Tiradentes, referência no cenário do cinema independente dentro e fora do país, só se ouviu o nome do mineiro emprestado. O longa Vertigem branca, dirigido por ele, Breno Silva e Simone Cortezão, teve uma exibição extra por demanda popular, algo notável para uma época em que o festival tem sido considerado experimental demais.

Também na cidade histórica, Dellani foi aclamado como ator por seu trabalho em Linz- quando todos os acidentes acontecem, do diretor Alexandre Veras. Os planos para o futuro prevêem a convivência das facetas de ator, diretor e- acredite! – músico. Se falta tempo para tantos projetos, sobra vontade de experimentar, ousar e criar, no melhor estilo de garagem.

Tribuna – Você nasceu em Campina Grande, cresceu em Fortaleza e mora alguns anos em Belo Horizonte. Como esse fluxo de lugares reflete no seu trabalho?

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Dellani Lima – Esses deslocamentos foram fundamentais em minha vida e refletem diretamente em minha arte. Principalmente por um olhar estrangeiro, poético, muito curioso e ingênuo algumas vezes. Mas sempre renovado pelas pessoas, seus contextos, ambientes e processos de autoconhecimento durante as lacunas. Há muita reflexão entre trajetos, entre caminhos opostos e os que se cruzam, entre uma obra e outra.

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– Seu nome foi muito citado na última Mostra de Tiradentes. Vertigem branca teve uma exibição extra por demanda popular, e sua atuação em Linz – quando todos os acidentes acontecem foi aclamada pela crítica e pelo público. Como você avalia sua participação nessa edição do festival?

– Foi muito importante em minha trajetória. Não esperava tanto. Já achei ótimo de os filmes serem exibidos numa sala escura, na caverna onde sonhamos de olhos abertos. Como diretor, é essencial o retorno dos espectadores, principalmente para se compreender mais o que foi realizado e para fazer os trabalhos posteriores. Uma boa crítica também é muito importante nesse aspecto. Como ator, digo o mesmo, mas com um ar a mais de novidade, porque comecei a atuar para outros diretores recentemente, antes fazia somente intervenções em meus próprios trabalhos.

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– Apesar de você já ter este histórico como ator, o Linz parece ter lançado os holofotes para esta sua faceta. O que o filme representa na sua carreira, tanto como ator quanto como diretor?

– É uma experiência ímpar. Porque trabalhei com um grande diretor, o Alexandre Veras, que além de amigo de outras datas, me possibilitou experimentar muito. Pude compreender a construção do personagem pelo corpo e viver um processo de gravação onde estavam outros amigos e autores na técnica, já que boa parte da equipe também era de diretores de cinema. Isso extrapolou o âmbito da criação. Tive acesso a informações e referências maravilhosas, tanto de técnicas como de novos conceitos e processos de criação. Muito importante pra mim, tanto como ator, quanto autor.

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– Nos últimos anos da cinematografia nacional parece estar havendo um fortalecimento de filmes brasileiros que ousam e experimentam mais em técnicas, narrativas e linguagens. Você acha que isso está acontecendo?

– Acontece no mundo inteiro. No Brasil, mesmo que haja ótimos incentivos na área do audiovisual, o dinheiro não é compartilhado igualmente, nem em termos geogáficos, nem em ideológicos. Além disso, narrativas mais digeríveis já estão nas grandes salas de cinema e na TV. Por isso, há necessidade de uma produção independente mais experimental, mais contemporânea, mais brasileira, que confronte esse sistema de blockbusters. É claro que é muito difícil fazer um circuito para estes filmes. Isso não descarta uma recente produção de longas ficcionais que estão desbravando tanto a opinião pública, quanto a crítica, como O som ao redor, do Kleber Mendonça Filho, e Eles voltam, de Marcelo Lordello, que experimentam, mas com estruturas mais narrativas ou mais aristotélicas, lineares. Só que não deixam de ter o traço autoral e o experimentalismo em outras construções estruturais.

– Atualmente, fala-se muito sobre a queda de fronteiras no cinema: territoriais, estéticas, narrativas, enfim, da quebra de barreiras. Na sua visão, quais são as características do cinema nacional feito a partir dessas premissas de dissolução de limites e fronteiras?

– Na verdade, é uma luta contra toda e qualquer força limitadora da criação. Em todos os âmbitos da arte, da própria vida. A liberdade é nosso primeiro direito e dever. Os avanços tecnológicos e suas ferramentas mais acessíveis, equipamentos digitais, softwares e a internet, possibilitaram muitos artistas contemporâneos a

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