No que depender do cenário musical juiz-forano, Alcione pode ficar tranquila: o samba não há de morrer. Ao contrário disso, o gênero que transborda brasilidade pulsa na cidade, com diferentes gerações de compositores, músicos e intérpretes na ativa, atendendo, ainda que inconscientemente, o pedido de Marrom no clássico Não deixe o samba morrer. Uma parte destes bambas estará no palco do Cultural hoje, comemorando o Dia Nacional do Samba, celebrado amanhã e instituído em Salvador em 1963. O show é parte do projeto Ponto do Samba, que já tem mais de um ano de existência e visa a dar visibilidade à produção local. Para cada edição, convidamos músicos locais, sendo a única exceção quando trouxemos o Monarco da Portela, no aniversário de um ano da iniciativa, explica o músico Roger Resende, um dos idealizadores.
Nesta edição, o evento trará diferentes gerações de mulheres sambistas, reunindo Dionysia Moreira, Sandra Portella, Alessandra Crispin e Mirian Rosa. Para Roger Resende, o encontro destas artistas ilustra a tradição do samba em Juiz de Fora através dos tempos. São cantoras de idades, contextos e influências diversas, mas que estão todas na ativa, o que mostra uma continuidade do gênero. Hoje vivemos um momento muito bom, há uma diversidade enorme de profissionais que se dedicam ao samba, mantendo o legado de grandes músicos da região, como Mamão, Ministrinho, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, entre outros, diz Roger.
Veterana do grupo, Dionysia tem 83 anos e foi cantora da era de ouro do rádio, atuando na PRB-3. Em plena atividade, ela lançou seu primeiro CD em setembro, com apoio da Lei Murilo Mendes, foi repetidas vezes rainha do Bloco Recordar é Viver, do Pró-Idoso, além de ter sido eleita a melhor intérprete da última edição do concurso de marchinhas. É um orgulho poder cantar com essa mulher, que tem uma importância tão grande para a música da cidade, derrete-se Sandra Portella, uma das principais artistas do samba local, tendo se tornado referência de voz feminina do gênero em toda a região.
Da novíssima geração, Alessandra Crispin tem levado Juiz de Fora ao país todo com seu gingado e sua voz aveludada no The voice Brasil, da Globo. Lisonjeada por estar no palco hoje, Alessandra é entusiasta do formato de show do Ponto do Samba, que mescla interpretações individuais com interações entre os convidados – hoje, especificamente, convidadas. É um momento bacana de apresentar nosso trabalho de uma maneira diferente, com a colaboração de outros músicos, além de ser uma delícia o típico momento final, com todo mundo cantando junto. Para ela, fã de música brasileira, o samba conquista pela universalidade. Primeiro porque ele é algo muito nosso, é um produto genuíno. Depois, ele pulsa no ritmo do coração, vem de dentro, não dá para não se deixar contagiar.
Sambista desde pequena, Mirian Rosa canta desde os 12 anos, é formada na Bituca e fecha o quarteto de bambas femininas, preparando um repertório que vai de Dorival Caymmi a Alcione. Tem sambas muito antigos e músicas mais novas, diz ela. Entre as belas, Roger Resende e Carlos Fernando Cunha, dois feras da cena autoral da cidade, também se apresentam, acompanhando as performances das meninas e cantando canções próprias, entre elas Ouro de Minas, finalista do Festival de Samba e Petiscos de Miraí. Ela fala do samba mineiro, de seus grandes representantes e de sua riqueza, e acaba sendo muito apropriada para este show, em que isso será posto em prática, observa Roger.
PONTO DO SAMBA
Hoje, a partir das 16h
