Grunhidos, rastejos e instinto de sobrevivência por parte daqueles que já morreram. Infectados por um novo vírus, seres humanos morrem e ressurgem sem vida. Porém, continuam andando e em busca de alimento (no caso, somente carne – humana ou não). No folclore do terror moderno, os zumbis ganharam seu espaço e, com isso, admiradores. Além de buscar filmes, histórias em quadrinhos e, mais recentemente, séries de TV, adoradores destes mortos-vivos vêm mostrando sua devoção em "caminhadas" por grandes cidades do mundo. Nesta sexta, pela primeira vez, Juiz de Fora terá uma "Zombie walk". Vestidos de zumbis, os fãs saem do Parque Halfeld, às 17h (com concentração marcada para as 15h) e caminham pelo Centro como se estivessem "infectados". Portanto, não se assuste. Apesar de proclamado por muitas pessoas, o "Apocalipse zumbi" – o fim do mundo por meio da epidemia – ainda não começou.
A ideia de trazer para a cidade uma "Zombie walk" começou de brincadeira. Agora, o evento, anunciado no Facebook, conta com a participação confirmada de mais de 560 pessoas. "Um belo dia acordei e pensei: tem ‘Zombie walk’ até no Acre. Por que não pode ter aqui?", explica uma das organizadoras da marcha, a produtora Thamiris Carvalho. Segundo o também organizador do evento, o designer Rhee Charles Santos, o evento tem sua inspiração em outras manifestações culturais, como a tradição mexicana de honrar La Santa Muerte no Dia de Finados. "Não será nada muito pretensioso, mas não deixa de ser uma manifestação cultural. Assim como os festivais de cosplay, faremos nossa caminhada caracterizados." Ele ressalta, porém, que quem não se empolgar em participar como zumbi pode embarcar na caminhada como "sobrevivente" (nome dado aos que ainda não foram infectados e viraram zumbis). "Vá como eles, que estão todos perambulando, se escondendo, sem banho, sem fazer a barba e sem roupas limpas, sempre empunhando um acessório que sirva de defesa", convida.
Mas, afinal, qual a razão do fascínio pelos zumbis? Segundo Rhee Charles, a crença e a vontade de viver para sempre são elementos que contribuem para isso. "É fato que estão mortos, mas ao mesmo tempo são caminhantes, têm o instinto básico de se alimentar e caçar alimento, que no caso seriam os vivos, que é uma forma que a contaminação tem de se perpetuar, fazendo-se contaminar a outros humanos saudáveis com mordidas ou arranhões." Para o estudante de educação física Arthur Yung, apesar de hoje estar na moda, os zumbis representam seres que, no momento do caos, podem ser mortos sem remorso, já que a morte, de certa forma, já levou sua humanidade. "Pode-se soltar a raiva por aquele momento neles. Além disto, há os que se identificam por eles ainda serem pessoas, embora estejam em outra forma."
Se até os anos 1980 produções com zumbis caíam na lata do lixo cinematográfico, títulos como "A volta dos mortos-vivos" e "Dia dos mortos", de 1985, e "O despertar dos mortos", de 1978, marcaram o gênero, mesmo com visual claramente tosco. Agora, eles saíram do túmulo com mais destaque e, principalmente, foco em produção e maquiagem. Séries como "The walking dead", produzida pelo canal americano AMC e exibida no Brasil na Fox, baseada nas histórias em quadrinhos de Robert Kirkman, ganharam o gosto de grande parte do público nos dois países. Nos Estados Unidos, a trama pós-apocalíptica é líder de audiência.
Em sua terceira temporada, a série foi eleita como a melhor estreia do ano pela jornalista do "O Globo" especializada em TV Patrícia Kogut. "A série, entre outras virtudes – é original, facilitadora da produção de adrenalina -, renovou-se corajosamente da segunda temporada para cá. Fez isso com a morte de um de seus principais personagens. Com todo mundo. Com a vida por um fio o tempo todo, o enredo tem vocação natural para o frescor. É a melhor sucessora de ‘Lost’ até agora, no sentido de que sua trama se desenrola num universo inventado e hostil que exige dos personagens estratagemas de sobrevivência criativos", escreveu.
Para Rhee Charles, a série foi justamente o que motivou sua empolgação pelos zumbis. "Além de muito bem feita, com enredo, história, figurino, maquiagem e efeitos especiais impecáveis, nos coloca dentro da tela com os personagens. E o interessante é ver do que o ser humano é capaz de sujeitar para permanecer vivo em situações extremas, sem abrigo, com pouca defesa e comida, tendo que se proteger."
