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Exposição gratuita ‘Foto-Grafia: substantivo feminino’ aborda a força das mulheres em festas populares

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Congada mineira é um dos temas da exposição (Foto: Janaína Fernandes)

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Exposição “Foto-Gráfia: substantivo feminino” reúne registros religiosos e festivos (Foto: Janaína Fernandes)
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Celebrar o protagonismo das mulheres em festas populares no Brasil é a temática da próxima exposição fotográfica que ocorre no Centro Cultural Dnar Rocha. A mostra “Foto-Grafia: substantivo feminino”, com obras da fotógrafa Janaína Fernandes, será inaugurada nesta terça-feira (1º), às 14h. Aberta ao público e com entrada gratuita, a exibição será realizada até o último dia do mês. 

As festas populares no Brasil se consolidam como espaços para a promoção de tradições históricas. As imagens de Janaína, conhecida com Keka, retratam o tradicionalismo desses eventos, mas possuem o objetivo principal de “retratar o poder e a presença das mulheres nesses eventos culturais”, de acordo com a fotógrafa. Assim, as imagens selecionadas pela curadoria de Carlos Elias enquadram diferentes atuações, desde passistas de carnaval às rainhas de congadas, de ialorixás em ritos de candomblé às devotas do Dia de Iemanjá.

A exposição, que conta com 50 obras, foi produzida entre os anos de 2022 e 2025, e busca atingir comunidade, pesquisadores, religiosos e, principalmente, as mulheres. O nome “Foto-Grafia: substantivo feminino” foi escolhido para expressar, através da imagem e da escrita, o pensamento de força feminina, esclarece a artista.

Um novo olhar

A ideia da exposição surgiu a partir da pós-graduação de Janaína que, inspirada pelas festas populares, se interessou pelo carnaval e, a partir disso, descobriu outros segmentos. Ela foi incentivada por sua companheira, Ciça Liberdade, a reunir os materiais numa mostra. A artista explica que foi “atraída pelo sensível do feminino, que ele fortalece a manifestação e mostra que a mulher pode estar presente em qualquer lugar, seja dançando um forró, rezando ou festejando”. 

A partir de diferentes registros, Janaína conseguiu captar contextos religiosos e festivos do país. A obra “Raízes que florescem do Arpoador”, uma das fotografias expostas, aborda o protagonismo das matriarcas, consideradas pela fotógrafa como “as guardiãs da cultura afro-brasileira”.

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“Por meio de acessórios característicos, como turbantes coloridos, vestes tradicionais e gestos de reverência, a Festa de Iemanjá representa não só a força e a espiritualidade, como também a resistência diária de mulheres negras, que buscam preservar as raízes africanas no Brasil”, afirma a artista. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador, a festa religiosa de matriz africana é celebrada anualmente e homenageia a Rainha do Mar, como é popularmente conhecida Iemanjá.

‘Raízes que florescem no Arpoador’, um registro da Festa de Iemanjá (Foto: Janaína Fernandes)


“Entre contas, fitas e tambores, guardam o sagrado que nunca morreu. Com os orixás em oração e a memória de quilombos na mão, fazem da rua um altar, e do canto, um ato de libertação.” Assim descreve Janaína o trabalho das rainhas da congada mineira, retratadas na obra “Rainhas do tambor”. Ela menciona o desafio em tentar capturar momentos sensíveis, e exemplifica a fotografia, pois nela busca compreender o sentimento da idosa e do seu sorriso discreto no centro da imagem, que a relembrou de sua mãe e avó. O congado, festa abordada na exposição, é uma celebração que combina elementos da cultura africana e do catolicismo, e homenageia santos padroeiros, como Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. 

Janaina atua na fotografia há mais de 10 anos (Foto: Arquivo Pessoal)


A exposição também trata sobre as festas de carnaval, das quais Janaína registra escolas de samba juiz-foranas, como Unidos da Vila do Retiro, União de Santa Luzia e Turunas do Riachuelo. Além disso, traz registros do espetáculo Benze, produzido pelo Grupo Encruza Teatro, que menciona o papel das benzedeiras em Minas Gerais.

A fotógrafa, que trabalha há anos com cultura popular, vê a fotografia como “um espaço de resistência na cultura, na fé, na ancestralidade e nas festas”. Por meio dela, defende que pode “incentivar a representatividade para mulheres negras, indígenas e todo tipo de mulher”.

Para o curador Carlos Elias, o recorte da exposição mostra que “as mulheres são o coração, o pulmão e o cérebro em seu mais absoluto estado de emoção temperado com a razão”.

* Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

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Serviço

Exposição “Foto-Gráfia: substantivo feminino”

Data: 1º de julho (terça-feira)

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Horário: a partir das 14h

Local: Centro Cultural Dnar Rocha (Rua Mariano Procópio, 973)

Temporada: 30 dias

Entrada franca 

Classificação livre

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