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Documentário apresenta artistas do Santa Cândida

Santa Cândida
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 “Na quebrada tem artista”, disponível no YouTube, apresenta a realidade de alguns dos artistas do Bairro Santa Cândida (Foto: Reprodução)
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Daiane Gonçalves não só idealizou o documentário “Na quebrada tem artista”, como também produziu, gravou, fotografou e editou, além de ter feito todos os trâmites necessários para tirar do papel um projeto contemplado por um edital, neste caso, o Cultura da/na Quebrada da Funalfa. Há 9 anos ela é a MC Dhada, do Bairro Santa Cândida, região Leste de Juiz de Fora. Começou quase sem querer na carreira. Apesar de desde nova gostar de escrever e cantar na igreja, nunca pensou em se tornar artista. Até que encontrou um DJ que gostou de sua voz e produziu sua primeira música. Desde então, esse documentário, que está disponível em seu YouTube, foi a primeira produção em que ela se viu mais do que uma MC. Depois de passar um tempo no Rio de Janeiro, Daiane teve que voltar para sua terra natal, e, agora, precisou pausar o trabalho artístico. “Eu deixei de ser MC para virar produtora artística, fotógrafa. Aprendi tudo.” Quando foi apresentada ao edital, encontrou a oportunidade de contar parte dessa história que, de acordo com ela, tem vitórias, mas também muitas lutas.

Mas o “Na quebrada tem artista” não é só sobre a MC Dhada. Ele é sobre Dojo Brasil Luta, Pietra Almeida, Sophiah Victoria, Julia Victoria, Erick Prott, MC Dhada, MC Xuxu, Beatriz Oliveira, Eduardo Moriah, Matthew Pereira, Julio Mallone e DJ Potty. O documentário é a imagem artística do Santa Cândida, quase um mapa. A vontade é de mostrar todos os artistas que existem na quebrada. Mas, mais do que falar sobre história, Daiane queria contar os percursos pelos quais eles passam. Isso é uma das formas de mostrar o que, afinal, é ser artista, para além de realizar shows. Essa visibilidade, para ela, é a oportunidade que a classe tem de ganhar voz.

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Ao mesmo tempo, acredita que isso pode ser uma ação importante para inspirar as crianças de seu bairro. “O menor cresce no morro vendo tiro e fuzil. Às vezes ele só sabe de um MC no morro, sem visibilidade, sem ter voz. Você acha que ele vai se inspirar em quem? No cara que passa em um ‘motão’ ou em alguém que não tem voz, não toca no rádio. Eu acho que a gente tem que ser inspiração, e, para ser inspiração, a gente tem que aparecer, seja para mostrar nossa arte, nossa história, ou mesmo o nosso pensamento.”

MC Dhada foi responsável por todo o processo de criação e execução do documentário (Foto: Divulgação)

Pelo menos um pouco do Santa Cândida

O “Na quebrada tem artista” foi dividido em seções, totalizando 17 capítulos. Os artistas, além de apresentarem seus trabalhos, contam parte de sua trajetória, a partir de entrevistas guiadas pela Daiane. “Eu aprendi que todo mundo tem uma história triste para contar. Você percebe que a dificuldade não está só em você. E todo mundo tem também vitória para contar.” A principal ideia era colocar diversidade de todas as maneiras. E, por isso, ela convidou artistas de diferentes vertentes. “Tem um MC, tem um DJ, tem um pastor, um cara da luta. Eu acho que a gente tem que ouvir todo mundo, independente do que a gente pensa. A gente quer englobar todo mundo, mostrar que pode ser amigo independente de qualquer coisa.” Mesmo com todos esses participantes, Daiane acredita que não mostrou nem metade do que tem Santa Cândida.

Mas, independente do número de entrevistados, o foco é claro: “Eu queria falar com um adolescente que quer ser MC: ‘olha, vai ter as dificuldades, vai ter as histórias ruins, os choros, mas tem alegria também'”. Fazer parte desse tipo de edital, então, foi importante para dar apenas um passo desse caminho que ela quer continuar seguindo, enquanto produtora e articuladora cultural, para promover a união entre os artistas. “A gente tem que ter mais esse contato entre os artistas, um com o outro, fazendo mais, porque é isso que dá mais visibilidade. Eu acho que a gente precisa se unir mais, porque um ajuda o outro a subir.”

No domingo, tem artista na quebrada

“É muito importante que a cultura chegue a bairros onde a gente está acostumado a ouvir que só tem tiro”, acredita Daiane. Ela diz que existe dificuldade em fazer eventos no Santa Cândida e, a partir do documentário, ela conseguiu organizar um que vai acontecer neste domingo (1), na praça do bairro, ao meio-dia. A iniciativa vai reunir parte dos artistas que participaram do “Na quebrada tem artista”, além de outros moradores. O evento ainda vai contar com atividades recreativas e religiosas, com venda de comidas e bebidas. É necessário, também, levar 1 kg de alimento não perecível, que será doado às famílias que necessitam de ajuda na comunidade.

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