
“Lá em casa deu uma chuva/ e o roteador queimou./ Então me ajuda/ um pouquinho/ só vou perguntar uma vez”, canta Whindersson Nunes em sua versão para “Hello”, de Adelle. “Qual é a senha do wi-fi?/ Eu juro eu não aguento mais./ Meus nudes,/ como é/ que eu vou mandar?/ Snap do prato/ tenho que postar!”, grita, no refrão do clipe em que veste casaco semelhante ao da cantora britânica e procura, pelas ruas de Recife, um lugar que tenha internet.
O vídeo de maior sucesso do comediante nordestino, natural de Bom Jesus, no Piauí, já foi visto mais de 21 milhões de vezes. Os outros todos oscilam na casa dos milhões. Em seu canal no YouTube são mais de sete milhões de inscritos e mais de 500 milhões de visualizações. Números superlativos para uma carreira ainda iniciante de um jovem de 20 anos. Sobra a ele uma fama impossível de dimensionar, assim como seu senso de humor, que lhe rendeu toda a visibilidade. Em suas postagens semanais, Whindersson aborda temas diversos, sempre fazendo troça de uma situação que viveu ou presenciou, do dia em que descobriu que Papai Noel não existe à relação com a mãe.
Em “Marmininu”, espetáculo de stand-up comedy que apresenta em Juiz de Fora nesta sexta-feira, 1º, às 18h e às 20h, no German, os conflitos com a a matriarca arrancam muitas gargalhadas. “‘Quando eu voltar, quero essa casa um brinco!’. Eu tinha tanto ódio dessa frase”, diz o comediante em seu show. Além das hilariantes reflexões do dia a dia, Whindersson também canta.
Uma das mais conhecidas, “Tão linda”, investe no romance, mas não perde o humor nem para fazer uma declaração. “Linda, tão linda/ Tô te querendo demais/ e eu não vou dar pra traz/ vagalume é o carai/ eu vou atrás até de onça pra poder te dar”, entoa ele, que já lançou disco e se aventura no violão. Em entrevista à Tribuna, por e-mail, o jovem de agenda tão cheia quanto suas redes sociais comenta sempre ter gostado da exposição e diz não usar máscaras no palco ou diante das câmeras: “Procuro ser exatamente como sou o tempo todo”.
Tribuna – Assim como sua vida está exposta na rede, a vida de muitos também está. O que considera ser atraente em sua trajetória?
Whindersson Nunes – A minha vida é cheia de situações e momentos engraçados que eu acho que todos precisam saber e dar risada comigo.
– Em algum momento sua exposição na rede lhe causou desconforto? – Não que eu me lembre. Sempre gostei dessa exposição. – Como é seu envolvimento com a internet? Passa muito tempo?
– Eu estou sempre conectado, sou aquela pessoa que acorda à noite para tomar água e dou uma olhadinha nas redes sociais só para ver o que está acontecendo.
– A internet é como um diário para você?
– Mais ou menos. Para o diário, a gente conta tudo, mas na internet nem tudo… (risos)
– Tudo pode ser tema de um vídeo?
– Tudo o que me chama atenção eu acho que rende um vídeo. Tudo pode virar um vídeo meu.
– Considera os vídeos virtuais como a linguagem de sua geração?
– Sem dúvida, a internet é um grande meio de comunicação dessa geração. Há pessoas que passam mais tempo em frente ao computador e ao celular do que fazendo qualquer outra coisa. É uma ferramenta dos dias atuais.
– O que te diferencia, popular na internet, dos astros de TV?
– O que diferencia é o tipo de público e a produção que cada um exige. Acredito que o público da internet é bem específico, ele te segue porque gosta do seu trabalho, busca seu nome nos sites de busca, vai atrás do que você produz.
– Por trás de seus vídeos, há um ator?
– Nos meus vídeos eu procuro ser exatamente como sou o tempo todo. Não existe ator ou personagem.
– Ocupar o palco de um teatro foi natural? É um espaço onde se sente confortável?
– Foi bem natural. Eu já me imaginava fazendo shows, mas não com a dimensão que faço hoje com centenas de pessoas. Me sinto bastante confortável, adoro o calor do meu público.
– Seus vídeos e o stand up funcionam da mesma forma?
– Mais ou menos, no palco me apresento de uma forma mais dinâmica, toco musica, canto.
MARMININU
Stand-up com Whindersson Nunes
Nesta sexta, 1º, às 18h e às 20h
German (Rua Roberto Stigert 10 – São Pedro)

