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O fim da jornada

Wolverine (Hugh Jackman) terá que desembainhar as garras para proteger a menina Laura (Dafne Keen) (Foto: DIvulgação)
Wolverine (Hugh Jackman) terá que desembainhar as garras para proteger a menina Laura (Dafne Keen) (Foto: DIvulgação)
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“Não aprendi a dizer adeus / Mas tenho que aceitar.” Fãs de quadrinhos, nerds e da cultura pop em geral podem considerar heresia, mas provavelmente Hugh Jackman concordaria com o sertanejo Leonardo se ouvisse, hoje, um dos clássicos da dor de cotovelo imortalizados na voz do cantor nascido há 53 anos em Goianópolis. Pois nada menos que 17 dos 48 anos vividos pelo ator australiano foram marcados pelo personagem que vai estar ligado de forma indelével à sua carreira até o final dos tempos: Wolverine, o invocado mutante canadense que ele interpretou em nada menos que nove filmes, sendo seis dos X-Men e mais três produções solo. O último deles, “Logan”, chega aos cinemas nesta quarta-feira em pré-estreia, com a promessa de encerrar um ciclo em grande estilo e tentando, enfim, oferecer o filme que esteja à altura do personagem após o fiasco de “X-Men origens: Wolverine” e do apenas bom – pero no mucho – “Wolverine: Imortal”.

Para realizar a missão, Hugh Jackman, o diretor James Mangold e os roteiristas Michael Green e Scott Frank tiveram como inspiração “Velho Logan”, minissérie de Mark Millar e Steve McNiven que mostrava um Logan idoso em um mundo dominado pelos vilões, que exterminaram praticamente todos os heróis e em que o mutante carrega o remorso de ter assassinado seus colegas X-Men. O longa, porém, usa apenas parte da premissa, uma vez que a Fox não tem os direitos de personagens como o Capitão América, Caveira Vermelha e Hulk.

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A história do longa se passa em um futuro próximo, distópico, em que os mutantes estão à beira da extinção após uma catástrofe que eliminou quase todos os Homo superior. Os X-Men não mais existem, e Logan trabalha como chofer de limusine em El Paso, no Texas. As únicas companhias são um nonagenário Professor Xavier (Patrick Stewart) e Caliban (Stephen Merchant), os três vivendo nas sombras para fugir da perseguição do governo americano. É nesse contexto que eles recebem, a contragosto, uma última missão: proteger a menina Laura (Dafne Keen), que está sendo caçada pelo grupo paramilitar comandado pelo cruel Donald Pierce (Boyd Holbrook). A jovem, a primeira criança mutante em décadas, não é fácil, de poucas palavras e ferocidade descontrolada quando acuada/atacada. E o mistério só aumenta ao perceberem que ela tem o mesmo fator de cura e o esqueleto e garras de adamantium de Logan.

Sombra irreconhecível

O contraste entre os dois personagens, aliás, é um dos principais atrativos do longa de James Mangold. Enquanto Laura é jovem, cheia de vida, selvageria e com um fator de cura tinindo de novo, Logan é uma pálida sombra do homem que foi um dia. Beirando os 200 anos de idade, barba e cabelos grisalhos, rosto e pele marcados pela passagem inclemente do tempo, o mutante canadense é a decadência em pessoa: o fator de cura trabalha muito mais lentamente para curar as feridas e parece que vai parar em definitivo a qualquer momento; o fôlego de outrora foi substituído por uma respiração débil, entrecortada por uma tosse que parece a consequência de décadas ininterruptas de tabagismo; o adamantium sobre seus ossos se tornou tóxico para o corpo; e as garras letais e indestrutíveis teimam em não sair pelas mãos, cujas articulações estão tomadas por dolorosas inflamações.

Já que é para encerrar a festa, “Logan” oferece parte daquilo que os fãs de Wolverine ansiavam assistir no cinema: violência, muita violência, e sangue, muito sangue. Além de palavrões. Tanto que o filme recebeu uma classificação etária elevada para o gênero (16 anos), mas ao mesmo tempo críticas elogiosas que viram em “Logan” mais que um exemplar genérico de filme de super-herói: é a tentativa final de redenção de um homem que teve toda a vida marcada pela violência, tema tão caro aos clássicos westerns hollywoodianos. E tem tudo para ser uma digna despedida de Hugh Jackman do personagem – e também o filme que Wolverine, um dos mais populares e heterodoxos heróis da Marvel, sempre mereceu.

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LOGAN

UCI 2 (leg): 20:00 (qua). UCI 3 (leg) 20:30 (qua). UCI 5 (leg): 21:00 (qua). Cinemais Alameda 4 (leg): 20:00, 22:30. Cinemais Jardim Norte 3 (leg): 20:00, 22:30 (qua). Classificação: 16 anos

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