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Peso verbal e musical

dignatarios do inferno ja disponibilizou o album de estreia na internet
Dignatários do Inferno já disponibilizou o álbum de estreia na internet
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Dignatários do Inferno já disponibilizou o álbum de estreia na internet

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País com um grande contingente de católicos e evangélicos, o Brasil vive continuamente a interferência dos movimentos religiosos na política, legislação, costumes, cultura, e até mesmo na eventual perseguição de determinadas denominações contra as religiões que tiveram origem na África. Isso sem contar a desconfiança em relação às seitas neopentecostais, que movimentam montanhas de dinheiro que ninguém sabe para onde vão. São sobre estes e outros assuntos afins que a banda Dignatários do Inferno, formada há menos de um ano, coloca o dedo na ferida em altos decibéis em “Impastor”, álbum de estreia que já está disponível para audição e download gratuito na internet. O trabalho foi disponibilizado na página do grupo no SoundCloud no último dia 13, para coincidir com o disco de estreia do Black Sabbath, e também pode ser conferido em serviços de streaming como o Spotify, Deezer e Google Play, entre outros.

A banda – que tem na sua formação atual Bernardo Falcão (vocal e guitarras), Daniel Dan Dan (bateria) e Thiago Salomão (baixo), com o produtor Léo Schröder atuando como baixista substituto – iniciou suas atividades em março de 2015, quando Bernardo voltou de uma jornada de dez anos no Rio trabalhando como engenheiro civil e a fim de desenterrar um antigo projeto que tinha de formar uma banda de thrash metal. Logo ele recrutou Thiago para o baixo e o islandês Ronwe Vekum, com quem gravou o EP “Demo”, lançado em 18 de setembro (data da morte de Jimi Hendrix). “Acabei adaptando o projeto, que seria uma homenagem ao Zé do Caixão, ao ver que seria algo muito limitado. Foi um amigo meu quem sugeriu fazer as letras com essa questão da defesa do Estado Laico”, conta Bernardo, que escreveu a maior parte das letras do álbum de estreia com outro parceiro, Luci Tenebrion.

A produção do trabalho, a cargo do vocalista, foi feita entre setembro e dezembro no estúdio Mother’s House, onde também foi realizada a masterização. A mixagem, a cargo de Nando Costa, foi feita em janeiro no Mix 3 Estúdios. “Nosso plano inicial era lançar o álbum no formato físico (CD) em maio, mas acredito que poderemos adiantar para abril e fazer o show de lançamento”, diz Bernardo Falcão. Até agora, “Impastor” teve mais de 500 audições no SoundCloud em pouco menos de duas semanas, enquanto “Demo” chegou a 1.050. O EP já passou das 7.600 execuções no site NumberOneMusic em cinco meses.

As dez letras de “Impastor” são todas cantadas em português (algo raro na seara do metal) e têm como tema desde a história de Marcião de Sinope (criador do marcionismo durante os primórdios do cristianismo, que propunha a existência de dois deuses, e foi excomungado por isso) à defesa do Estado laico e a crítica a toda forma de oposição a ele, além de bater forte nas religiões em geral. Como base sonora, o grupo usa o que eles definiram de “Mojica Metal” – devido à forma de cantar de Bernardo, que se inspira na maneira peculiar de se expressar do imortal Zé do Caixão. “Quando começamos, cheguei a procurar por um vocalista, e chegamos a ter um por 12 horas (risos). Mas o meu primo Rodrigo Mangal falava que tinha que ser comigo, que eu tinha que cantar o caos. Eu já tentava imitar o José Mojica, e levei isso para o ‘Impastor’.”

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Outras músicas, como “Religião não define caráter”, “Stigmata” e “Deus herege (A prosa do caos)”, mostram que o Dignatários do Inferno não tem medo de deixar clara a posição do trio em relação às religiões. “Sou politeísta, eu sigo (Jimi) Hendrix e (Tommy) Iommy”, brinca Bernardo. “Mas falando sério: eu não tenho religião, acho apenas que cada um deve fazer o seu melhor. Vejo o Estado laico sendo pisoteado, a bancada evangélica, a Igreja proibindo o uso de camisinha… Somos a favor do fim da isenção de impostos para as igrejas.” Léo Schröder faz coro com o colega. “O conceito do rock é esse mesmo, contestar.” Para Bernardo, “o pior é querer enfiar Deus goela abaixo das pessoas, usar a Bíblia como código de conduta”.

Tanto Daniel quanto Bernardo e Léo tiveram relações diferentes com as religiões, que levaram ao ponto de distanciamento que cada um tem atualmente. Com Daniel Dan Dan, tudo começou quando seus pais entraram para a Igreja Universal quando ele tinha 5 anos de idade. “Eu participei de várias coisas lá, mas quando completei 13 anos comecei a me distanciar, vi que aquilo não era certo. Logo depois meus pais perceberam que aquilo não era legal e saíram, mas são evangélicos de outra denominação. Atualmente não tenho religião. Léo Schröder, filho de pai comunista, diz já ter nascido ateu. “Quando fiz 30 anos, minha mãe falou que a família dela era judia, que havia fugido da Segunda Guerra Mundial, e até hoje vejo os absurdos que se faz por causa da religião em geral.”

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Bernardo, por sua vez, deixou de ser católico há cerca de 15 anos, mas diz que muito antes já não tinha o costume de orar. “Eu era católico muito mais pelo medo, as ameaças de ir para o inferno, aquela coisa de ‘Deus está vendo’. Mas mesmo nessa época eu já contestava o que via. Deixei a religião há 15 anos e me tornei ateu; hoje a minha vida é bem melhor, pois vivo sem medo.”

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