
Estudo (abaixo) prevê que o restaurante seja construído na área do estacionamento do Parque da Lajinha
Fechado desde 2013, restaurante do mirante do Cristo pode ser ocupado este ano
Revitalizado ao custo de R$ 1,1 milhão em 2012, o Parque da Lajinha pode, finalmente, ter um restaurante para atender o público visitante, que há anos reclama da falta de infraestrutura do local. O projeto-piloto do estabelecimento foi apresentado na última quinta-feira à Tribuna e prevê o seu funcionamento, inclusive, durante a madrugada. Também importante ponto de turismo de Juiz de Fora, o Morro do Cristo deve contar com serviço de gastronomia, já que o edital para permissão de uso do espaço de 300 metros quadrados localizado abaixo do mirante foi publicado na última semana. Neste caso, a licitação na modalidade presencial está programada para 11 de março, e o lance mínimo é de R$ 2.345 mil. A grande questão é que a oferta do serviço não garante o aumento de visitante, que, por sua vez, precisa se sentir instigado a frequentar, com assiduidade, os dois pontos de lazer.
De acordo com o Secretário de Meio Ambiente do Município, Luis Cláudio Santos, o público do Lajinha – cerca de cem pessoas em dias ensolarados, durante a semana, e quinhentas no sábado e domingo – é considerado positivo pela administração municipal. Contudo, a principal demanda continua sendo por um um local de refeição. Em julho de 2013, a Tribuna levantou o assunto, e a reclamação geral era a de que a infraestrutura do parque estava aquém do esperado.
“O projeto inicial contemplava uma cantina, porém percebemos que o parque merecia coisa melhor por sua importância. Como se trata de uma unidade de conservação, temos que seguir certos procedimentos para instalarmos o restaurante. Quando o termo de referência ficar pronto, vamos apresentá-lo para o Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente)”, diz o secretário, ressaltando que, após a aprovação do documento pelo órgão, o próximo passo será entrar com um projeto de lei para desafetar a área (tirá-la da unidade de conservação).
Luis Cláudio acredita que a parte de procedimentos será toda realizada em 2015, no entanto não é possível afirmar quando ocorrerá a concorrência para permissão de uso do prédio e sua construção. A expectativa é de que ocorra, no mais tardar, em 2016. No estudo preliminar, o restaurante ocupará uma área no estacionamento com varanda de fora a fora e acesso na lateral para cadeirantes. Ainda estão previstas três lojas menores, que poderão abrigar cafeteria, floricultura, entre outras atividades, além de pontos de apoio (miniquiosques para comercialização de alimentos) dentro do parque. Talvez, o principal desafio, após a construção e aprovação do estudo, seja conquistar o interesse por parte da iniciativa privada pelo local, pois o número de visitantes pode não ser tão atrativo aos olhos dos investidores.
“O horário de funcionamento é a causa da dificuldade de se manter um negócio aberto. Por isso, vamos criar um bloqueio físico para que, depois de fechado o parque(17h), o local continue aberto para os juiz-foranos. Queremos permitir o funcionamento à noite e de madrugada. Essa é a grande diferença dessa proposta. Conversamos com o pessoal da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), e a ideia foi aprovada”, diz o secretário.
Até julho de 2013, não havia qualquer proposta concreta de se manter um calendário fixo de atrações culturais no Lajinha. O que tem acontecido é a realização de eventos esporádicos, como o show da banda Trupicada no carnaval. O secretário reconhece essa situação e assegura que, a partir de março, a agenda será intensificada. “O ideal é que tenhamos uma estrutura melhor para sediar essas ações. Queremos maximizar a parceria com a Secretaria de Esportes para que, pelo menos, uma vez por mês, tenhamos eventos, como a caminhada acompanhada. Também estamos tentamos trazer a iniciativa privada para viabilizar pedalinhos, por meio de uma concessão, e revitalizar o bonde. As empresas precisam perceber que a ligação delas com o Parque da Lajinha é favorável para ambos os lados.”
Visão privilegiada, mas com poucos atrativos
A visão de quem está no Morro do Cristo é a mais privilegiada de Juiz de Fora. Mesmo assim, o juiz-forano parece não ter o lugar como destino primeiro para seus passeios. Falta lazer. Quem passa por lá, encontra apenas as lunetas para ver a cidade, um parquinho para crianças, loja de artesanato e uma lanchonete. O restaurante continua fechado. “A Prefeitura já realizou alguns eventos lá e tem uma expectativa de tornar aquele lugar adequado, digno para que as famílias possam passear com mais tranquilidade. O que podemos fazer é tentar otimizar o uso, solicitar a Funalfa que utilize mais aquele local”, diz Alexandre Jabour, assessor da Secretaria de Administração e Recursos Humanos, ao divulgar a publicação do edital de licitação para permissão de uso do restaurante do mirante.
A última vez em que a concorrência foi aberta, em julho de 2014, os interessados não atenderam os requisitos do edital, conforme informou a assessoria de comunicação da Prefeitura. “Acho que é todo um contexto. Se um restaurante com nome conhecido na cidade se interessar por essa licitação, naturalmente, alguns eventos começarão a acontecer. O município quer dar todo o suporte possível para que se viabilize aquele espaço. Tentamos fazer esse processo de forma diferente. Antes de licitar, despendemos recursos para arrumar o local de forma que ele fique mais atrativo”, afirma.
“De fato, o que assusta o empresário é não ter um movimento constante todos os dias. O espaço tem 300 metros quadrados, tem estacionamento e não está em mau estado, pois foi reformado recentemente. O lance mínimo é de R$ 2.345, e o vencedor terá quatro meses de isenção. O empreendedor vai ter um negócio único na cidade. Ninguém tem uma visão daquela”, afirma Jabour.
De acordo com a chefe do Departamento de Turismo da Prefeitura, Tatyana Herdy Hill, continua ativo o ônibus da linha 505 que faz o trajeto até o Morro do Cristo aos domingos e feriados. As viagens partem do Centro, entre a Av. Getúlio Vargas e Rua São João, a partir das 9h, e a lista de horários está disponível em www.pjf.mg.gov.br. Em dezembro, 176 pessoas usaram o coletivo, número que aumentou no período de férias para 363, em janeiro, e 276, em fevereiro. “Estamos levando menos passageiros do que consideramos ideal para a empresa e para a cidade. O importante é que as pessoas conheçam e usem o transporte cada vez mais”, observa Tatyana.

