A delicadeza foi o viés eleito pela artista plástica Nequitz Miguel para homenagear as mulheres em sua nova série, Alma feminina. A exposição aberta hoje, às 20h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), traz 20 obras em acrílica sobre tela e técnica mista, retratando personagens em momento de idílio amoroso, em poses contemplativas, com ramalhetes de flores nas mãos ou em outras composições que privilegiam o sonho e a leveza.
São temas íntimos de cada mulher, com um cunho bastante romântico, uma vez que elas são representadas ao lado de seus amados, comenta o curador da mostra, Ricardo Cavalcanti. Produzida no segundo semestre de 2011, a série é composta por trabalhos inéditos da artista juiz-forana, que, apesar de viver no Rio de Janeiro desde a década de 1960, continua nutrindo uma forte ligação com a cidade.
A temática eleita para a nova exposição encontra um meio bastante apropriado na linguagem característica de Nequitz. Pinceladas livres e fluidas, cores fortes e sobreposições’ criam o efeito de transparência em algumas telas, reforçando o tom onírico proposto.
Criando um elo com a literatura, a pintora selecionou textos de escritoras de Juiz de Fora para acompanhar cada tela. Leila Barbosa, Creusa Cavalcanti e Therezinha de Jesus Lopes estão entre as autoras escolhidas como madrinhas das obras de Nequitz.
Artimanhas da gravura
Participantes da Oficina de Gravura do CCBM, os artistas Guilherme Melick, Sérgio Sabo e Soraya Paes revelam as artimanhas desse ofício na exposição coletiva Gravura viva, que será aberta hoje na Galeria Heitor de Alencar. Além de 25 trabalhos, a mostra contará um pouco sobre essa técnica artística, com a exibição de matrizes e apresentação de um vídeo com as etapas de produção de uma gravura. Não há muitos artistas focados em gravura na cidade atualmente, o que faz com que o público conviva pouco com esse tipo de obra. Muita gente confunde com o desenho em nanquim, por exemplo. Nossa ideia é mostrar como se faz, explica Sabo, integrante da oficina há quatro anos.
Apesar de recorrer à mesma técnica, os três artistas desenvolvem linguagens diferentes, coerentes com seus respectivos trabalhos em outros segmentos das artes visuais. É algo encaixado com a proposta que desenvolvo. O Guilherme Melick, que é professor do Instituto de Artes e Design (IAD), da UFJF, faz algo parecido com sua pintura. Já Soraya Paes explora a abstração geométrica, diz Sabo.
Produzidas entre 2009 e 2012, nos encontros da Oficina do CCBM, as 25 gravuras em metal estarão à venda. Essa mostra é fruto desse trabalho, que está aberto a pessoas a partir de 13 anos, bastando ter iniciação em desenho, explica Sabo, acrescentando que as inscrições estão permanentemente abertas.
