Oito grandes telas, com 4,5m x 2,5m de dimensão cada, situadas no vão central do Mercado Municipal, no Mascarenhas, na altura do segundo pavimento, passam muitas vezes despercebidas do grande público. Apesar de instaladas no local desde 1995, as peças, assinadas pelo artista plástico e designer gráfico Vinicius Chagas, não contam com iluminação especial nem placas informativas. Além disso, como ficam sujeitas a ações do tempo, estão tomadas por poeira e fezes de pássaros.
Vinicius se recorda de ter sido procurado pela própria direção do espaço, que pediu, na ocasião, que fossem reproduzidas imagens sobre a evolução das atividades comerciais que marcaram a história da cidade e da região. Por isso, vê-se nos painéis desde cenas de atividades extrativistas até o retrato de uma repartição mais moderna, refletindo os avanços da comunicação na época.
De acordo com o artista, quando as telas foram instaladas, o espaço era ocupado por menos estabelecimentos e, com isso, se destacavam um pouco mais. Entretanto, a iluminação do mercado refletia sobre os trabalhos, ofuscando a visão de quem passava no primeiro andar, como ainda acontece. Outro problema apontado por ele é a presença de vidros no segundo pavimento, de frente para as obras, prejudicando sua visibilidade.
Falta de informação
A maioria das pessoas que trabalham no Mercado Municipal não tem informação sobre os quadros, que fazem parte de sua rotina. Trabalho aqui há cerca de dez anos, mas só percebi a presença das pinturas de uns seis anos para cá, quando transferi minha loja para um espaço situado bem em frente a elas, conta a proprietária de um estabelecimento do segundo piso, Tânia Romanazzi, 51 anos. Para ela, a iluminação do mercado é fraca e não favorece as pinturas. O vizinho Juarez Gomes, 41, classifica o trabalho como belíssimo, embora não conheça o autor. Acho que deveria haver placas, inclusive no primeiro andar, indicando o conteúdo. Seria até uma forma de valorizar o espaço.
Entre os frequentadores do primeiro andar, apenas trabalhadores conheciam as instalações, embora também não tivessem informações sobre a origem delas. Para os visitantes, as telas tornaram-se realidade só depois de serem apontadas pela reportagem. Já vim aqui várias vezes e nunca havia reparado. São lindas, mas não chamam a atenção onde estão. Além disso, a quantidade de informação no andar debaixo nos inibe a olhar para cima, considerou a atendente de telemarketing Rita Santoro. O aposentado Joaquim Fernandes também ficou surpreso ao ver os trabalhos. Acho que estão em um local muito alto. Fica difícil de repararmos. Apesar de não ter entendido nada sobre o conteúdo, devido à falta de informação, ele gostou do que viu.
Sem explicação
O diretor da Divisão de Feiras e Mercados da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento, Fernando Santos, que coordena o mercado, também desconhecia detalhes sobre as pinturas. Ele contou que costuma receber grupos de estudantes em visitas guiadas, que só notam a presença das telas depois que ele mostra. Acho que houve uma falha na colocação. A maioria das pessoas que passa por aqui não percebe. Fernando informou que as instalações estão passando por uma série de reparos. Segundo ele, há interesse em trabalhar na manutenção das telas, mas não há projeto específico para remanejá-las do local.
