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Vizinhança reclama de sem-tetos

uma das reclamacoes e de sujeira deixada nas escadarias da associacao antonio parreiras

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Uma das reclamações é de sujeira deixada nas escadarias da Associação Antônio Parreiras
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Uma das reclamações é de sujeira deixada nas escadarias da Associação Antônio Parreiras

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As precárias condições em que vivem cidadãos em situação de rua é motivo de preocupação e reclamações por parte dos comerciantes e dos moradores que convivem de perto com a situação. Brigas, sujeira, insegurança e consumo de álcool e drogas são apontados por eles como os principais inconvenientes da proximidade com os locais onde os sem-teto se aglomeram. O entorno da Praça da Estação, referência histórica da cidade com vários prédios tombados e associações culturais, apresenta o quadro mais crítico. A Prefeitura conta com projetos e serviços para essas comunidades, mas, de acordo com o órgão, nem todos aceitam a assistência oferecida e preferem ficar nas vias.

O acúmulo de lixo e a mendicância incomodam quem passa pela Praça da Estação. Próximo a um ponto de ônibus, um grupo aborda várias pessoas, pedindo cigarros e dinheiro. Cobertores, papelões e garrafas dividem o espaço da calçada com quem espera pelos coletivos. As escadarias da Associação de Belas Artes Antônio Parreiras, uma das mais importantes escolas de artes plásticas da cidade, vêm sendo ocupadas pelos sem-teto, que também fazem suas necessidades no local, segundo a artista plástica Irene Barros. Ainda de acordo com ela, o Demlurb recolhe os materiais acumulados, mas logo em seguida são depositados outros. “A entrada fica bloqueada, as pessoas deixam de ir aos eventos e aulas de arte por causa dessa situação. É nesse estado de degradação que a associação comemora seus 80 anos.”

De forma semelhante, a concentração de pedintes e usuários de drogas incomoda quem se exercita na academia ao ar livre da Avenida Brasil, próximo à Ponte Arthur Bernardes, também na região central. De acordo com uma mulher que preferiu ter a identidade preservada, muitas senhoras estão deixando de ir à área por medo e pelas situações constrangedoras. “Eles ficam tentando mostrar como usar os equipamentos, ajudar com os movimentos, mas, na maioria das vezes, estão drogados ou alcoolizados. Na hora que vamos embora, nos acompanham e pedem dinheiro.”

O cenário se repete na esquina da Rua Padre Café com a Avenida Itamar Franco, no Bairro São Mateus, ponto com acentuada circulação de pedestres. Lá dormem pelo menos seis pessoas todas as noites. O número já chegou a 15 em algumas ocasiões, de acordo com moradores do entorno. No local, colchões, papelões e cobertas também ocupam parte da calçada. Segundo um vendedor que optou por não ser identificado, “eles bebem e brigam o dia inteiro”, inibindo a passagem dos transeuntes.

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JF tem 608 pessoas em situação de rua

Em Juiz de Fora, 608 pessoas vivem em situação de rua, o que representa 0,1% da população do município, conforme os dados mais recentes do IBGE, de 2010. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS), a maioria permanece em logradouros públicos da região central, em praças e sob marquises e viadutos, próximos às localidades com trânsito intenso de veículos e pedestres, que é onde também se encontra maior oferta de doações e esmolas. Mesmo contando com o serviço de abordagem social da Prefeitura, que todos os dias vai às ruas a fim de direcionar essas pessoas para centros de assistência que oferecem abrigo, alimentação, oficinas e tratamentos de saúde, muitos optam por continuar vivendo na rua, como conta a coordenadora executiva das Políticas de População de Rua da SDS, Maria Cláudia Siqueira Dutra.

“A receptividade da maioria é boa, mas tudo depende do momento. Tem horas que eles não querem sair, geralmente estão sob os efeitos do álcool ou de drogas, mas, quando estão com fome ou mais frágeis, aceitam ser encaminhados. Tem também os que não aceitam de forma alguma o acolhimento.” Ainda de acordo com Maria Cláudia, as esmolas ofertadas, ao invés de ajudar, atrapalham, pois contribuem para a permanência dessas pessoas nas vias.

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