
Usuário não se preocupa com outros pedestres e faz uso da droga na margem do Rio Paraibuna
A proliferação do crack pela área central chama a atenção e desafia autoridades. Com o recente cercamento dos imóveis demolidos entre as ruas Benjamin Constant e José Calil Ahouagi, onde funcionavam lojas comerciais e havia se instalado uma cracolândia, a situação piorou. Se antes os usuários se concentravam na região, agora se espalharam. Quem mora na parte alta da Benjamin Constant, no Bairro Santa Helena, ou também na parte mais baixa, nas imediações do Vitorino Braga, Ladeira e Santos Anjos relata a presença frequente de usuários. Alguns se escondem em meio aos carros nas ruas para fazer uso do tóxico e intimidam pedestres na tentativa de conseguir dinheiro para manter o vício. Muitos também são vistos ao longo do leito do Paraibuna, sobretudo entre as pontes do Manoel Honório e a Nelson Silva, no Poço Rico, e na linha férrea. O Viaduto Augusto Franco também concentra dependentes, que agora não ficam somente sob a estrutura, mas passam sobre o elevado, fazendo uso do entorpecente. Em uma hora circulando pelas vias da área central, a reportagem encontrou pelo menos dez dependentes procurando locais para usar a pedra. Enquanto o crack ocupa áreas públicas e até imóveis particulares abandonados, seja no Centro ou nos bairros, como a Tribuna vem denunciando nos últimos meses, ações isoladas de repressão ou de abordagem não surtem o efeito desejado.
"Não ficamos tranquilos. A movimentação aqui é intensa. Às vezes, depois de usarem a droga, vêm para o sinal pedir dinheiro e até aqui. Os clientes ficam receosos", conta um comerciante, 54, da região do Ladeira. Na Rua José Inácio Trindade, conhecida como antigo Leito da Leopoldina, também há bocas de fumo, que deixam a vizinhança insegura. Em setembro, dois adolescentes, de 13 e 17, foram apreendidos suspeitos de abastecer a cracolândia que funcionava nos imóveis demolidos na Rua Benjamin Constant, no último mês. Uma moradora da Avenida Sete de Setembro, próximo ao entroncamento com a Avenida Brasil, diz que uma obra embargada também tem atraído usuários. "O proprietário começou a reformar e parou, pois acho que a obra foi embargada. Mas deixou tudo aberto, e a noite inteira vem usuário de drogas para cá. Como é muito perto da Benjamin e do Terreirão, acho que estão vindo para cá. Na semana passada, entraram na minha casa", reclama a moradora, de 45 anos, que é vizinha do imóvel.
A expectativa de frear a disseminação do crack está na criação de uma força-tarefa visando à recuperação e reintegração dos dependentes. Presidente da Comissão Antidrogas da Câmara Municipal, vereador Noraldino Júnior (PSC), diz que está programada uma reunião com o Executivo e a Delegacia Antidrogas para definir ações conjuntas na próxima quinta-feira, dia 7 de novembro. "Ao invés do trabalho de repressão feito pela polícia, o objetivo é somar esforços com serviços do Executivo, como a abordagem e o Consultório de Rua. A perspectiva é sintonizar essas ações voltadas para os dependentes."
O secretário de Governo, José Sóter de Figueirôa Neto, também destacou a necessidade de uma ação articulada. "Qualquer esforço que for feito para enfrentar o crack, que considero o mal do século, é válido. Na última semana, também houve uma reunião do Compid (Conselho de Políticas Integradas de Prevenção às Drogas) neste sentido de propor uma força-tarefa para lidar com a situação dos moradores de rua."
Em entrevista anterior à Tribuna, o titular da Delegacia Antidrogas da Polícia Civil, delegado Carlos Eduardo Rodrigues, também frisou a necessidade de ação conjunta."A polícia precisa de apoio dos órgãos públicos, seja municipal, estadual e federal, pois o crack está pulverizado. É preciso de uma assistência social ampla do Poder Público."

