Ícone do site Tribuna de Minas

Partidos fracos favorecem herança política

PUBLICIDADE

Para 15 candidatos de Juiz de Fora nas eleições deste ano, vocação política vem do berço. Eles são filhos, irmãos e sobrinhos de ex-vereadores, ex-prefeitos e deputados com o desafio de manter a tradição familiar na vida pública. Seus discursos mesclam a herança do aprendizado em casa com o apelo à renovação. As chances de eleição, na maioria dos casos, são boas. "Quando se tem uma nível de competitividade tão grande, em uma disputa selvagem, como acontece nos pleitos legislativos, a recorrência ao capital político acumulado acaba sendo um bom negócio", avalia o cientista político da Universidade Federal de Viçosa, Diogo Tourino. A referência ao nome da família na propaganda eleitoral e no material de campanha, segundo ele, tem peso por conta do modelo político partidário brasileiro. "Os eleitores votam nos candidatos e não nos partidos. Aliás, no interior dos partidos é que acontecem as disputas mais acirradas."

Um bom exemplo, no caso juiz-forano, é do candidato a vereador Aristóteles Faria (Toti-DEM). Em seu curto discurso no horário eleitoral gratuito, ele faz alusão ao seu pai, o médico e ex-vereador Romilton Faria (DEM). Estratégia semelhante é usada pelo concorrente do PMDB, Maurício Delgado, que é sobrinho do ex-prefeito Tarcísio Delgado (sem partido) e primo do deputado federal Júlio Delgado (PSB). No seu material campanha, ele faz referência ao legado político familiar. Também na lista dos herdeiros com apelo direto à tradição doméstica, o candidato André Mariano (PMDB), invariavelmente, anda com o pai, o ex-vereador Mariano Júnior, à tiracolo. Há ainda o Vitor Augusto Fagundes de Oliveira (PMDB) que está no páreo com o nome do pai, o ex-vereador João de Deus.

PUBLICIDADE

A acirrada disputa no interior dos partidos destacada por Diogo Tourino tem um agravante no PTB. Além de concorrem internamente na mesma sigla, José Geraldo de Oliveira e Vicente de Paula Oliveira (Vicentão) competem também em casa, pois são irmãos. Complicação semelhante poderia acontecer caso o vice-prefeito e candidato à reeleição, Eduardo José Lima de Freitas (PDT), tentasse voltar à Câmara Municipal. É que sua sobrinha, Monique Freitas (PSL), está no páreo por uma cadeira de vereador. Seu sonho é seguir os passos do avô, Eduardo Jorge Vidal de Freitas, que é pai do vice-prefeito e também exerceu a vereança.

Pai e filho no páreo
Diferentemente dos casos onde a disputa partidária e familiar é problema duplicado, o prefeito e candidato à reeleição Custódio Mattos (PSDB) e o vereador Rodrigo Mattos (PSDB) fazem da relação de correligionários e de pai e filho um bom negócio para ambos. Tudo bem que não disputam os mesmos cargos. No caso da vereadora Ana Rosignoli (PDT), que é irmã do ex-vereador Amadeu Rosignoli, a nome da família acaba tendo peso apenas em alguns redutos. Para todas as outras vale a referência ao seu trabalho na Escola Estadual Padre Frederico. Daí, Ana do Padre Frederico.
A unidade da tradição familiar com o reconhecimento profissional também envolve a candidatura do médico Júlio Moraes (PTC), que é sobrinho da ex-vereador Maria Luíza Moraes. Fechando a lista dos candidatos a vereador com tradição política familiar estão o vereador Júlio Gasparette (PMDB), que é sobrinho do ex-vereador José Gasparette, o deputado Luiz Carlos dos Santos, que é irmão do deputado estadual Wilson Baptista (PSD), Magno Alexandre (PMN), que é filho do ex-vereador José Alexandre, e Fernando Paranhos (PSDB), filho do ex-vereador de mesmo nome.

O deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB) é o único candidato a prefeito vindo de família de políticos. Ele é filho do ex-deputado federal Marcello Siqueira. 

 

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile