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Concorrentes à PJF gravam campanha

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O cidadão de Juiz de Fora que andar desavisado pelas ruas pode ter a sensação de que a campanha eleitoral nem começou. É claro que placas foram instaladas, carros foram adesivados, santinhos estão sendo distribuídos, sites entraram no ar, festas de lançamento foram realizadas, candidatos têm visitado comunidades. No entanto, até agora, o início da propaganda nas ruas pareceu apenas um leve prelúdio, como se a sinfonia principal só fosse começar a ser executada a partir da próxima semana, quando entra no ar o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. "As campanhas eleitorais estão cada vez mais curtas e mais coincidentes com a propaganda na televisão e no rádio", comenta o prefeito Custódio Mattos (PSDB), candidato à reeleição, no estúdio de gravação montado em seu comitê de comunicação no Bairro Bom Pastor.

Foi justamente devido a essa perspectiva – compartilhada pelos concorrentes à Prefeitura – de que a próxima semana significa uma virada na campanha que a Tribuna acompanhou, ao longo dos últimos dias, alguns dos preparativos para a estreia da próxima quarta-feira. No caso das candidaturas mais robustas, com mais tempo de exposição e mais recursos financeiros, a tarefa fundamental é transformar os tempos que variam dos quase sete minutos de Bruno Siqueira (PMDB) até os dez minutos e meio de Custódio em momentos atrativos para segurar o eleitorado diante dos aparelhos. As estratégias para tanto são mantidas em sigilo absoluto. "Prefiro surpreender os eleitores", corta Margarida Salomão (PT), sem admitir revelar uma vírgula sequer do que os votantes vão escutar e assistir na quarta-feira, em seus pouco mais de sete minutos e meio no ar. Ao se dispor a abrir rapidamente o estúdio de rádio no Alto dos Passos para a reportagem, no entanto, a assessoria da candidata confirma que aposta na facilidade da petista com as palavras e em sua objetividade para se comunicar com os ouvintes e telespectadores.

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Nem Bruno nem Custódio tiveram problema em abrir as portas de seus quartéis-generais de marketing e comunicação. No pouco que é possível revelar, as estruturas montadas por ambas as campanhas são semelhantes, desde os comitês instalados no mesmo bairro até os estúdios e ilhas de edição montados dentro das próprias casas, para agregar toda a equipe num único espaço. As semelhanças táticas, contudo, param por aí. Não que tenha sido possível analisar quesitos estéticos, já que em nenhum dos dois locais foi permitido qualquer vislumbre da proposta de linguagem a ser utilizada por cada um além das possibilidades infindáveis do cromaqui. A questão é que os conceitos são diferentes: enquanto Custódio é o prefeito e, portanto, bastante conhecido do povo juiz-forano, Bruno, apesar de ter sido vereador e atuar como deputado, precisa se apresentar para a população como candidato majoritário.


Tempo para atingir milhares de pessoas

Justamente por essa diferença de condições é que, embora a forma tenha sido mantida em segredo, os discursos de Bruno e Custódio não são difíceis de antecipar. "Em termos de conteúdo, é o momento de falar para milhares de pessoas ao mesmo tempo. Por mais que a audiência caia durante o horário eleitoral, são milhares de pessoas assistindo, um público muito mais amplo do que o existente em eventos da campanha", avalia o tucano. "Como sou prefeito e como esse mandato acabou sendo mais curto em termos de realizações pelas obstáculos que enfrentamos no início da Administração, preciso prestar contas do que foi feito, das dificuldades que tive e do que adicionalmente vou fazer. Por isso, os programas serão tão decisivos." O próprio Custódio cita a diferença entre o tom que precisa adotar e aquele que deve ser usado pelos adversários. "Meu estilo, as pessoas já conhecem. O da Margarida, como candidata, também. A diferença será o Bruno, que terá uma conotação de apresentação", pondera. "O horário eleitoral é uma oportunidade de ouro. Pelo clima dessa eleição, a tendência é que os eleitores se manifestem alguns dias depois do começo do programa de TV", conclui, prestes a entrar em gravação.

Enquanto acompanha o processo de finalização do material que vai ao ar e mostra alguns vídeos feitos especialmente para o site, mas que ainda não foram postados devido ao receio de furar a proposta para a TV, Bruno afirma ter convicção de que a disputa assume outro paradigma com o início da campanha nas mídias tradicionais. "Embora tenha sido vereador por três mandatos, ter sido presidente da Câmara, ter participado de mais de 500 audiência públicas, ser deputado estadual, sou desconhecido como candidato a prefeito de Juiz de Fora. O Sérgio (Rodrigues) é muito conhecido como jornalista, mas não como candidato a vice-prefeito", destaca. "Em função desse desconhecimento, temos grande potencial de crescimento a partir da campanha no rádio e na TV. Muitas pessoas acham que tenho 30 anos… Na verdade, aos 38, estou entre o que o Itamar (Franco) e o Mello Reis tinham quando assumiram a Prefeitura. A TV e o rádio darão mais condições de mostrar isso aos eleitores e lhes apresentar uma opção nova para definir seu voto."


Pequenos têm dificuldade com custos

A preocupação e a expectativa em relação à estreia do horário gratuito não são prerrogativas exclusivas dos três candidatos com maior tempo de exposição. Transmitir propostas em menos de dois minutos é um desafio grande para os pequenos, ampliado pelo custo das produções, principalmente em vídeo. Neste pleito, a dificuldade foi agravada pela exigência de qualidade maior das imagens no padrão usado pela emissora geradora.
Laerte Braga (PCB), que já tinha gravado cinco programas antes, divulgou nota repudiando a medida. "A finalidade do horário eleitoral é permitir que os partidos possam manifestar suas ideias. Encarecer o processo vai na contramão desse direito", protesta. Apesar disso, o comunista avalia positivamente o início da propaganda na televisão e no rádio. "A campanha ganha outra dimensão. Até agora, a propaganda impressa e a distribuição do nosso material nas ruas serviu para apresentar o candidato. A partir daí, temos que aproveitar esse espaço para revelar nossas propostas para saúde, educação, transporte…"
A exigência de alta definição também preocupou Victória Mello (PSTU). "Isso aumenta o custo em R$ 5 mil. Pode não significar nada para os outros candidatos, mas para nós o impacto é grande." Mesmo assim, ela seguiu com as gravações no estúdio montado na casa da avó do militante do PSOL Eduardo Malvacini. O cenário, feito artesanalmente pelos voluntários envolvidos na campanha, mostra o clima de união dos dois partidos em torno da causa. "Tudo foi construído pelos companheiros", conta Vic. "Nosso tempo é curto, mas vamos fazer com que seja suficiente". No formato, eles preparam uma apresentação sobre os problemas da cidade para, em seguida, propor qual seria a solução socialista. "Vamos mostrar a cidade real e como ela poderia ser."
O candidato Marcos Aurélio Paschoalin (PRB) gravaria na última quinta, mas não compareceu no estúdio na hora marcada com o jornal nem apresentou justificativa.

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