A primeira a declaração de apoio de uma estrela da política nacional a ser veiculada na campanha de Juiz de Fora foi da presidente Dilma Rousseff (PT) em favor da candidata Margarida Salomão (PT). Uma semana depois foi a vez de o ex-presidente Lula (PT) soltar a voz também para referendar o nome da companheira petista. Agora, o PSDB trabalha a contra-ofensiva com aparições do governador Antônio Anastasia (PSDB) e do senador Aécio Neves (PSDB) na propaganda eleitoral gratuita do prefeito e candidato à reeleição, Custódio Mattos (PSDB). A dupla de peso tucana assegurou aos correligionários locais disposição para repetir a mesma estratégia de quatro anos atrás, quando ambos apareciam em Juiz de Fora pessoalmente ou pela TV sempre que eram solicitados. Ontem mesmo, Aécio já falou aos ouvintes das rádios: "Meu amigo, minha amiga de Juiz de Fora, Custódio Mattos enfrentou com coragem e enorme responsabilidade a maior crise financeira da história da cidade. Com sacrifício, mas com extrema competência, Custódio arrumou a casa e está realizando agora o maior plano de obras da história da cidade. Vamos mais uma vez com Custódio, um dos mais preparados homens públicos do nosso tempo."
A presença do quarteto Dilma, Lula, Anastasia e Aécio na campanha de Juiz de Fora chegou a ser repensada por conta da disputa em Belo Horizonte entre Márcio Lacerda (PSB), prefeito e candidato à reeleição com o apoio do PSDB, e Patrus Ananias (PT), definida apenas na reta final do período de convenções. O entendimento em julho, quando foi dada a largada eleitoral, era de que as atenções permaneceriam voltadas exclusivamente para a capital, inclusive fazendo minguar os aportes de recursos para as candidaturas de Juiz de Fora. O passar dos dias, no entanto, mudou alguns parâmetros nas avaliações de ambos os lados. O primeiro deles envolve a certeza de que, em Belo Horizonte, a disputa deve ser decidida no primeiro turno. Para não aparecer no segundo turno em cidades-polo do estado de paraquedas, a recomendação é ir preparando o terreno.
Prévias eleitorais para 2014
A avaliação comum nas cúpulas nacionais de PT e PSDB é de que vitória ou derrota em Belo Horizonte pode ser determinante em relação à presença ou não de Aécio na disputa presidencial de 2014. Para pelo menos tentar aliviar o peso do sucesso ou do fracasso, os dois partidos trabalham com a hipótese de fazer um contraponto à capital com municípios estratégicos como Juiz de Fora, Uberlândia e Contagem. O caso específico de Juiz de Fora ganha contornos próprios por se tratar da maior cidade mineira administrada pelos tucanos. Não custa lembrar que, em Belo Horizonte, apesar do esforço do PSDB em favor de Márcio Lacerda, a sombra do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também com pretensões nada modestas para 2014, tem tirado o sono de muito aecista.
Nesse sentido, uma eventual vitória de Lacerda em Belo Horizonte, ao menos para alguns petistas, teria um gosto menos amargo do que um insucesso do PT em Juiz de Fora no confronto direto com o PSDB. A recíproca é verdadeira. O PSDB sabe que, independentemente do que acontecer na capital mineira, perder sua maior cidade no estado para o PT não será um bom negócio. Além disso, está em jogo ainda a consolidação do desempenho nas urnas juiz-foranas de Aécio e Dilma, virtuais candidatos em 2014. Há dois anos, o tucano, na disputa por uma cadeira no Senado, saiu consagrado do município com 158.579 votos. A petista, na sua primeira incursão eleitoral, obteve 124.956 votos, ficando em terceiro lugar no ranking de votação do primeiro turno, sendo superada também pelo ex-presidente Itamar Franco, que foi eleito senador com 143.757 votos. Já no segundo turno, Dilma emplacou 189.310 votos em Juiz de Fora, o dobro do seu concorrente, o ex-governador de São Paulo e atual candidato à Prefeitura paulistana José Serra (PSDB).
PMDB vai evitar polarização
Com bom trânsito junto aos governos estadual e federal, o deputado estadual e candidato pelo PMDB, Bruno Siqueira, vai evitar o embate de lideranças de PT e PSDB. Ao contrário, o peemedebista trabalha para chegar ao segundo turno e se tornar opção natural para aquele que ficar de fora. Quando questionado, ele tem dito a aliados que não vê problema em estar ao lado de Dilma e Lula ou Aécio e Anastasia caso consiga avançar para a próxima fase da disputa. Nesse sentido, Bruno vai seguir com o discurso de que o município precisa de proximidade com Belo Horizonte e Brasília para obter recursos, sendo o PMDB o único capaz de realizar essa façanha. O mote deve ser repetido por figurões nacionais e estaduais do partido escalados para aparecer na propaganda eleitoral na TV.
