
Milhares de fiéis acompanharam show
Católicos e evangélicos se uniram ontem pela primeira vez por uma causa maior: o combate às drogas, que vêm causando destruição de várias famílias. Eles participaram da Marcha "Vida sim, droga não! Cristo é a libertação". Caravanas de várias cidades da região vieram para o evento, além de milhares de juiz-foranos. O ponto alto da marcha foram os shows do padre Fábio de Melo e irmão Lázaro, que reuniram cerca de dez mil pessoas na Praça Antônio Carlos, no Centro.
Padre Fábio, que arrasta multidões em suas apresentações, ressaltou o papel das religiões na orientação para as famílias. Ele lembrou a importância de os jovens buscarem apoio na fé. "A gente sabe que a droga acontece no coração do jovem que, muitas vezes, não tem um sentido na vida. E um discurso religioso bem feito, quando considerando as questões antropológicas, com uma fé enraizada, modifica o nosso jeito de entender a vida, nos traz mais amor", concluiu.
A concentração da marcha começou às 14h no Largo do Riachuelo, onde bandas locais se apresentaram. Logo após, às 15h30, as pessoas seguiram em passeata pela Avenida Getúlio Vargas, em direção à Praça Antônio Carlos. Durante o percurso, os fiéis levavam faixas e bolas brancas nas mãos.
Para o padre Antônio Camilo de Paiva, um dos líderes da Igreja Católica durante o evento, a marcha teve grande importância para a cidade, principalmente pelo fato de católicos e evangélicos se unirem para rezarem juntos com um só objetivo. "Diante da grandiosidade de Jesus, nossas diferenças doutrinárias ficaram em segundo plano." O pastor da Assembleia de Deus, Gercino Reis, também organizador do evento, ressaltou o mérito da união e disse que a realização deve servir como um despertar para a população. "Estamos aqui nessa missão de resgatar e salvar as pessoas." A marcha teve ainda o apoio da Prefeitura, por meio do programa "JF+vida – Plano Municipal Integrado Sobre Crack, Álcool e Outras Drogas" e da Câmara Municipal.
Apesar da aglomeração, a Polícia Militar, que acompanhou de perto a movimentação, não registrou nenhum incidente. Já o Samu realizou atendimentos de fiéis que passaram mal devido à grande emoção. O comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Renato Preste, avaliou que o evento foi pacífico. "Cerca de 250 militares estiveram empenhados na Praça Antônio Carlos. Além disso, reforçamos o policiamento em bairros próximos do Centro, como Granbery, Santa Helena, Paineiras, Morro da Glória e Jardim Glória, entre outros, com viaturas e motos."
Fé e esperança
Apesar do frio, com os termômetros registrando entre 14 e 16 graus durante a tarde, pessoas de todas as idades e gerações estiveram presentes, atendendo o chamado das igrejas. A católica Maria Aurora de Souza Marques, 75 anos, estava acompanhada da filha, Liliane, 36. Para ambas, todo tipo de evento que lute contra as drogas é de extrema importância. O evangélico Janderson Gomes da Silva, 18, afirmou que é necessário o apoio de todos os tipos de religiões. "Ter Cristo no coração faz muito bem", relatou. Juliana da Silva, 28, também evangélica, acrescentou que Deus é um só, por isso a aproximação entre todos é fundamental.
Um grupo de fiéis do município de Piau, a pouco mais de 40 quilômetros de Juiz de Fora, demonstrava animação durante o percurso. Eles integram o Grupo Jovem Fênix, da Paróquia Divino Espírito Santo. Paulo Antônio do Carmo, um dos organizadores do grupo, disse que participar dessas iniciativas é relevante para cultivar a fé.
Igrejas dão apoio com tratamentos de recuperação
As igrejas católicas e evangélicas possuem grupos de apoio e de recuperação com o intuito de resgatar pessoas envolvidas no mundo das drogas. Na concentração da marcha, houve pontos com esclarecimentos para a comunidade sobre o funcionamento dos centros terapêuticos e como as famílias devem proceder para ter acesso aos serviços.
De acordo com o padre Antônio Camilo de Paiva, a Igreja Católica tem os seus grupos jovens, pastorais, além dos centros de recuperação. Contudo, a seu ver, o maior problema está presente nas famílias, por isso os católicos investem na Pastoral Familiar, como um trabalho preventivo. "Quando não tem a presença dos pais, a maioria cai nas drogas, achando que vai ter a solução", afirmou.
A Igreja Católica possui como centro de recuperação, a Fazenda da Esperança. Juiz de Fora é atendida por uma unidade no município de Guarará, que conta hoje com cem pessoas em recuperação. Até então, o tratamento é apenas para homens. Segundo o padre Camilo, uma unidade com atendimento feminino já está sendo construída no município de Bom Jardim. As pessoas que necessitam de tratamento podem procurar orientação na Catedral Metropolitana às terças-feiras.
O mesmo trabalho também é realizado pelos evangélicos. Em Juiz de Fora, segundo o pastor Gercino Reis, há centros terapêuticos na Assembleia Triangular e na Igreja Batista. O pastor Aloizio Penido, da Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora, conta que, no centro de recuperação, as pessoas podem ficar internadas de seis meses a um ano. Durante o tratamento, há terapia com trabalhos envolvendo música, esportes e orações. Sessenta e oito pessoas já passaram pelo centro e, atualmente, há 20 em tratamento. Os interessados devem procurar informações na Rua Catarina de Castro 85, no Morro da Glória.
* colaborou Bárbara Riolino

