
Rua Doutor João Pinheiro é estreita para mão dupla
O número crescente da frota de veículos de Juiz de Fora, que já se aproxima dos 200 mil, é preocupação constante, principalmente nos corredores de trânsito da cidade. Em alguns pontos, moradores lutam para a implantação de redutores de velocidade e cobram maior fiscalização. Em outros, nem mesmo os radares instalados em pontos críticos conseguem evitar os problemas. Relatos de acidentes e atropelamentos são frequentes em todos os lugares em que a Tribuna esteve na tarde de ontem.
Na Rua Tiradentes, no Bairro Santa Helena, moradores e comerciantes chegaram a fazer um abaixo-assinado, pedindo a instalação de redutores no trecho entre a Constantino Paleta e a Pasteur. "Acredito que essa seria a única coisa que resolveria. Como existe uma lombada no asfalto, os carros que passam em velocidade elevada acabam perdendo o controle. Já entraram na garagem de prédios, derrubaram muros de outro e até uma árvore. O pior é de madrugada. Não dormimos", conta a comerciante Darquinha Azalim, 48 anos.
Já na Avenida Olegário Maciel, principalmente no trecho entre as ruas Halfeld e Espírito Santo, moradores da região cobram maior fiscalização por parte da Settra por conta dos avanços de sinais frequentes. "Essas cenas são comuns. Eu mesmo já quase sofri um acidente grave no cruzamento da Redentor com Olegário. Eu subia a Redentor de moto, e um carro avançou o vermelho na Olegário a mais de 100Km/h. Foi Deus. Nos horários de pico então, ninguém respeita o sinal. Os pedestres sofrem para atravessar", revela o vendedor Tiago Rodrigues, 19.
Na Garganta do Dilermando, o desrespeito dos motoristas também já resultou em acidentes graves. A aposentada Leda Buzinari, 77, conta que, além do excesso de velocidade das motos e dos carros, o maior perigo é o tráfego de caminhões pesados. "Existe a sinalização, mas não respeitam. Há uns três anos, um caminhão não aguentou subir e desceu de ré, destruindo dois postes e toda a frente da minha casa. Agora tenho receio de ficar nessa parte da casa e na calçada."
Na Rua Doutor João Pinheiro, no Jardim Glória, além de a via ser em aclive e sinuosa, é estreita para mão dupla. Com o estacionamento – muitas vezes irregular – de carros na pista de subida, os veículos que trafegam sentido Cidade Alta precisam invadir a contramão, causando conflitos com os que seguem em sentido oposto. "Como as piores curvas estão na parte baixa da via, os acidentes têm se concentrado neste trecho. Acho que já passou da hora de essa rua ter outro redutor ou se tornar mão única", sugere o administrador de empresas Márcio Grizendi, 60 anos. Também moradora da via, a aposentada Nilza Rocha, 68, diz que o movimento intenso prejudica os pedestres. "Não tem sequer como atravessar a rua para apanhar o ônibus."
Esta via foi palco de um acidente na tarde de segunda-feira, que deixou duas mulheres feridas na calçada. Segundo o registro da PM, a condutora do veículo que atingiu as vítimas relatou que subia a João Pinheiro quando um carro que seguia na direção oposta teria invadido a faixa de rolamento. Para evitar a colisão, ela contou ter tentado desviar e atingiu o meio-fio e as mulheres. Segundo a Secretaria de Saúde, as duas atropeladas, de 45 e 31 anos, passaram por cirurgia na segunda-feira e, ontem, permaneciam internadas no HPS.
Settra
Conforme a Settra, ainda não há um posicionamento sobre o pedido de redutores de velocidade na Rua Tiradentes, a Settra ainda não tem um posicionamento. Já na Olegário Maciel, a secretaria informou que há previsão de implantação de traffic calming na via com intuito de reduzir a velocidade e garantir maior segurança para os pedestres. Já na João Pinheiro e na Garganta do Dilermando, a informação é de que os radares estão ativos nestes pontos. Segundo o órgão, não há previsão de instalação de novos equipamentos nestas vias.

