Os servidores do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) seguem em greve. A decisão foi tomada em nova assembleia realizada no município na manhã desta terça-feira (31), na unidade do Bairro Santa Catarina, com a justificativa de que a empresa ofereceu um “reajuste irrisório”.
“Permanecemos em negociação até que uma proposta decente seja apresentada. A enviada pela direção da HU Brasil – antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) – não recompõe sequer a inflação do período, prevendo reajuste salarial equivalente a 80% do INPC e cláusulas econômicas, sem contemplar a recuperação das perdas acumuladas. Também pediram prazo para tentar melhor esse índice”, destaca o Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal no Estado de Minas Gerais (Sindsep-MG).
A proposta gerou insatisfação entre os trabalhadores pois, conforme relato do sindicato, a diretoria da empresa concedeu a si própria, recentemente, um reajuste de 4,26%, com salários superiores a R$ 30 mil. “Também houve aumento no auxílio-moradia (de cerca de R$ 4,7 mil para quase R$ 9 mil) e na remuneração variável, que pode chegar a aproximadamente R$ 200 mil por ano.”
De acordo com a justificativa apresentada à categoria, as medidas seriam necessárias para manter a produtividade nos hospitais universitários. O sindicato, no entanto, contesta, afirmando que a produtividade é resultado direto do trabalho da categoria, enquanto os benefícios permanecem concentrados na diretoria.
Greve abrange outras unidades
Os trabalhadores da HU Brasil em Minas Gerais iniciaram greve por tempo indeterminado nessa segunda-feira (30), após decisão em assembleia geral. O HU-UFJF está entre as instituições que aderiram ao movimento, além dos hospitais das universidades federais de Minas Gerais (UFMG), do Triângulo Mineiro (UFTM) e de Uberlândia (UFU).
De acordo com o Sindsep-MG, a paralisação ocorre diante da “falta de avanços nas negociações, do não atendimento das reivindicações e da necessidade de valorização profissional e melhores condições de trabalho”. Em relação ao setores, o comando de greve local está conversando com as superintendências dos hospitais para elaborar as escalas e garantir o funcionamentos dos setores essenciais, incluindo urgência e emergência, que seguem garantidos.
As reivindicações do sindicato são referentes à reposição das perdas salariais dos trabalhadores da empresa. Além disso, a categoria solicita a melhoria nas cláusulas sociais, como auxílio-creche e alimentação, além da solução do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).
“O setor administrativo encontra-se com remuneração abaixo de dois salários mínimos, exercendo a função de analista na maioria das vezes. Já os técnicos em enfermagem, em sua maioria, precisam manter dois vínculos de trabalho para complementar a renda. Permanecemos em contato permanente com a gestão do HU da UFJF, e os plantões estão sendo organizados em comum acordo, para que seja preservado o atendimento necessário à população”, informa o Sindsep-MG.
De acordo com o sindicato, na verdade, a greve é nacional e já atinge 13 estados além de Minas: Piauí, Maranhão, Rio de Janeiro, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia, Pará, São Paulo, Paraná e Paraíba. “Desde o início do ano, a categoria está negociando o novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos trabalhadores da HU Brasil. Uma pauta de reivindicações foi entregue, reuniões foram realizadas desde então. Mas acabou em impasse.”
HU Brasil se posiciona
Em nota, a HU Brasil informou que permanece em processo de negociação com as entidades representativas dos empregados e empregadas para a celebração do ACT 2026/2027, cuja data-base está fixada em 1º de junho de 2026.
“As tratativas vêm sendo mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde a última terça-feira (24), com nova rodada de negociação agendada para esta terça-feira (31). Na reunião dessa segunda (30), a estatal apresentou o primeiro índice econômico visando avançar no entendimento entre as partes.
A estatal reforça que tem adotado medidas para assegurar a continuidade da prestação dos serviços essenciais de saúde à população, resguardando o interesse público.
Destaca-se que o último ACT (2024/2026), ainda vigente, firmado com as entidades sindicais, contemplou avanços relevantes tanto do ponto de vista econômico quanto social, reafirmando o compromisso com o diálogo permanente e com a valorização dos(as) trabalhadores(as).”

