
Pedestres se arriscam em meio aos carros na Floriano com Rio Branco
Pessoas atravessando fora da faixa, circulando entre os carros, com o sinal vermelho para pedestre e até mesmo utilizando o canteiro central. Este foi o cenário encontrado pela Tribuna na tarde da última quinta-feira, na esquina da Avenida Rio Branco com Rua Floriano Peixoto, no Centro. No dia anterior, uma mulher de 73 anos havia sido atropelada por um ônibus naquele local. Apesar de ela ter tido apenas ferimentos leves, o acidente no coração da cidade ocasionou congestionamento na pista de coletivos e lentidão que chegou até ao Bairro Manoel Honório, na Zona Leste. A situação acaba sendo ainda mais preocupante ali pela grande concentração de pedestres, talvez pelo fato de o trecho abrigar o maior ponto de ônibus da cidade. Mas o perigo não é causado apenas pelo corre-corre de pessoas, já que motoristas trafegam em alta velocidade e também desrespeitam o semáforo. Diante do quadro, a Settra informou que pretende implantar novos gradis no local.
Entre os reflexos desta situação está o aumento no número de atropelamentos neste ano. No caso da idosa da semana passada, ela foi encaminhada ao hospital e liberada no mesmo dia. Entretanto, em outros, o destino é mais trágico. Somente nos três primeiros meses de 2015, o número de pessoas que perderam a vida após serem atropeladas na cidade mais que dobrou, na comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto em 2014 foram três vítimas, neste ano o número já chega a sete, sendo três somente neste mês. Os dados foram contabilizados em levantamento feito pela Tribuna com base nos boletins de ocorrência da Polícia Militar. Conforme dados da corporação, o número total de atropelamentos subiu de 107 para 128 no trimestre. Na avenida mais importante da cidade, a Rio Branco, o salto foi de oito para 11, sendo uma vítima fatal. Vale ressaltar, entretanto, que a PM registrou apenas três mortes neste ano. A diferença é porque a Tribuna leva em consideração aquelas mortes ocorridas após o registro policial.
Cenas de imprudência
A Floriano Peixoto possui várias opções de travessia no cruzamento com a Rio Branco, e não existe no local uma faixa única com traffic calming para atravessar a avenida, como acontece na Marechal Deodoro e na Halfeld. Apesar de o local possuir todas as sinalizações necessárias, os juiz-foranos atravessam fora dos locais apropriados e, pior, com o sinal aberto para os carros. Enquanto a equipe de reportagem esteve no local, as cenas de imprudência foram constantes. A guerra pelo espaço é acirrada ainda mais em horários de pico, principalmente no fim de tarde, quando muitos se dirigem ao ponto de ônibus.
A situação é mais grave na pista sentido Manoel Honório, no ponto em que os carros que descem a Floriano viram à esquerda na Rio Branco. Naquela esquina, os pedestres literalmente entram na frente dos carros e motos, e os quase acidentes são muito frequentes. Logo à frente, na mesma direção na pista da Rio Branco, o cruzamento também é perigoso.
Novos gradis
Por meio de nota, a Settra informou que está sendo planejada a implantação de gradis em alguns pontos da Avenida Rio Branco, como forma de impedir que a travessia seja feita em locais inapropriados. O cruzamento com a Floriano é um dos locais que já estão na programação. A medida será estendida também para outros pontos da cidade. Foi informado, ainda, que a pasta está trabalhando no programa “Pedestre na faixa”. “Nesta etapa, o foco tem sido as escolas, por se tratar de crianças, e as mesmas acabarem influenciando na atitude dos pais e dos mais velhos.”
A Tribuna já vem discutindo este problema, sendo inclusive tema de matéria no domingo, dia 22 deste mês. Na ocasião, foi mostrado que de 2013 para 2014, houve um aumento de 48% nos registros de multas na cidade, e o número de infrações por excesso de velocidade dobrou. Na ocasião, a Prefeitura ressaltou os trabalhos de educação para o trânsito que vêm sendo executados enquanto a PM lembrou a intensificação das blitze. Entretanto, especialistas acreditam que a estrutura física da cidade, o aumento no número de veículos, além do quadro de falta de respeito e educação contribuem para o cenário crítico.

