A busca de insumos para o tratamento da diabetes continua sendo um desafio para os pacientes que dependem do SUS. A espera pela normalização do fornecimento de agulhas, fitas glicêmicas e insulina arrasta-se desde o ano passado. Em janeiro, com a mudança de gestão da Prefeitura, a expectativa era de que o problema fosse sanado, conforme mostrou reportagem publicada na Tribuna naquele mês. Mas a situação ainda persiste, assim como o impasse entre Estado e Município, que não conseguem normalizar a quantidade de materiais repassados. Enquanto isso, a população não sabe mais a quem recorrer para receber os medicamentos.
Na Ouvidoria de Saúde, órgão responsável por receber reclamações sobre os serviços públicos de saúde, o número de pessoas com a mesma demanda não diminuiu em relação ao ano passado. Em janeiro, o Município fez uma compra emergencial, mas a entrega foi pequena e não abasteceu toda a rede, explica a ouvidora Edna Rodrigues. Um dos que estão na fila de espera pela fita glicêmica desde novembro é o aposentado Sebastião Raimundo da Silva, 57 anos. A esposa dele, Rosânia da Silva, esteve na unidade de atendimento primário à saúde (Uaps) no começo do mês e novamente voltou para casa com a mesma resposta. Eles falaram que as fitas ainda não chegaram e que não sabem quando serão entregues. Enquanto isso, a gente tenta se virar como pode, desabafou Rosânia.
As despesas com o tratamento também ficaram mais altas na casa do aposentado Cleto Alves Viana, 79. A família está comprando os insumos para o tratamento para evitar que a saúde dele fique comprometida. Entretanto, dependendo do tipo de insulina que o paciente precisa utilizar, adquirir o medicamento na rede particular não está sendo possível. Laura Maria Fonseca, 65, precisou modificar o remédio com ajuda médica, pois além de não consegui-lo no SUS, também não o encontra nas farmácias da cidade há um mês. Tentamos em vários lugares, até na internet, mas não encontramos. Está ficando difícil porque, para fazer o controle, dependo de um tratamento correto.
De acordo a Secretaria de Saúde de Juiz de Fora, o pedido foi feito à Secretaria de Estado da Saúde, porém, do total solicitado, apenas metade foi enviado e, por isso, alguns locais ainda estão desabastecidos. A prioridade está sendo dada aos diabéticos tipo 1. Além disso, o processo de cadastramento segue sendo realizado, e existem no sistema cerca de 4.092 pacientes registrados. Em contrapartida, a assessoria de imprensa do Estado afirma que o não preenchimento adequado dos dados pode comprometer a distribuição dos itens e, consequentemente, provocar a falta dos insumos. Ressaltam ainda que a distribuição das tiras reagentes pela Secretaria de Estado da Saúde encontra-se regularizada desde dezembro de 2012 e está normalizada para todos os municípios.
