
Casais tiveram cerimônia no civil durante a semana passada
A cantineira Rosemary de Carvalho, 50, sempre sonhou com o casamento, mas o desejo de legalizar sua relação de 14 anos com o lavrador Lindomar de Paulo, 46, ultrapassa suas possibilidades financeiras. Neste sábado (30), bastante entusiasmada, ela arrumou o cabelo, maquiou-se e usou um vestido novo azul para trocar as alianças com o companheiro, que não conseguia falar uma palavra sequer, tomado pela emoção. Perguntado pelo motivo que o levou a oficializar a união, Lindomar, com lágrimas nos olhos, é direto: "A gente se ama muito". O mesmo sentimento levou, nesta tarde, outros 113 casais à Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora (PIB/JF), na Avenida Rio Branco 921, onde celebraram seus casamentos de forma coletiva.
Organizado pela Fundação Nadir Goulart, com o apoio da Casa da Mulher da PJF, a cerimônia sucedeu o casamento civil, realizado em cartório desde segunda-feira. De acordo com Nadir Goulart, há oito anos produzindo matrimônios coletivos na cidade, o evento é uma forma de fortalecer o papel das mulheres na sociedade. "O casamento não é a solução, mas um princípio social. A expressão ‘pai solteiro’ não existe, mas ‘mãe solteira’ sim. Esse dia é especial para elas", comenta, dizendo-se casada há 46 anos.
Segundo a educadora infantil Ana Paula Machado, 30, o momento, mais que especial, é o marco de uma nova fase que se inicia. Há três anos ao lado do auxiliar de produção Isaías Lima, 30, ela disse sim ao convite do então namorado quando completaram três meses de relação. Desde então empenharam-se para constituir uma família, construindo a casa, mobiliando e decidindo os mínimos detalhes. "Tudo está do nosso gosto", diz sorrindo, certa de que a cerimônia marca um caminho consciente que decidiram, juntos, trilhar.
Observando tudo e registrando as cenas que nunca imaginou assistir, a convidada do casal Miriam e Júlio, Vânia Dutra, 55, entusiasmava-se com o casamento da mulher que sempre trabalhou para a sua família. Como a neta e o filho de Miriam, vestidos de dama e pajem, Vânia não escondia a emoção. "Achei mágico. É muita gente diferente vibrando por uma mesma coisa. Para cada um é um momento único", refletiu. Para o encarregado Rodrigo Freitas, 31, que há 15 vive com a doméstica Michele Manoel, 27, com quem já tem dois filhos, o instante merecia estar marcado no coração e também na cabeça. Por isso ele pediu ao seu barbeiro um corte especial. Aos que estavam atrás da segunda fileira de cadeiras da igreja saltava aos olhos a inscrição nos cabelos de Rodrigo: "amor eterno".

