Ícone do site Tribuna de Minas

Renda per capita da metade de JF é de até um salário mínimo

renda per capita
renda per capita
A renda per capita mensal média dos residentes de Juiz de Fora era de R$ 1.983,62 em 2022, segundo o IBGE (Foto: Leonardo Costa)
PUBLICIDADE

A renda mensal domiciliar per capita de mais da metade dos moradores de Juiz de Fora era de até um salário mínimo há três anos. Na prática, significa que 50,69% do universo de 538.701 habitantes da cidade tinham até R$ 1.212 para viver por mês, incluindo os gastos com alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, vestuário e lazer. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são referentes ao Censo Demográfico 2022 e foram divulgados neste mês de outubro em meio às estatísticas de Trabalho e Rendimento. O cálculo é feito com base no valor que as famílias têm disponível por integrante somando todas as fontes de renda, como trabalho, aposentadoria, pensão, benefícios de programas sociais do Governo, rendimentos de aluguel ou arrendamento, entre outros.

Na média, os residentes do município recebiam mensalmente naquele ano R$ 1.983,62 por pessoa da família, acima dos R$ 1.638 calculados no país. O montante, no entanto, está bem abaixo dos R$ 4.300 per capita de Nova Lima, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte que alcançou o melhor desempenho nacional. Por outro lado, o resultado mais exitoso é 15 vezes o de Uiramutã, em Roraima, onde cada um sobrevivia com apenas R$ 289 por mês naquele ano, ou com cerca de R$ 9,63 por dia.

PUBLICIDADE

Quando são levados em conta apenas os homens, o rendimento mensal per capita em Juiz de Fora é de R$ 2.012,75, superior aos R$ 1.957,77 obtidos no recorte das mulheres, revelando que a desigualdade entre gêneros persiste. Mas o que mais chama a atenção é o número de moradores que sobreviviam sem qualquer renda em 2022 na cidade: 19.462 pessoas ou 3,61% da população recenseada naquele ano. Outros 27.746 habitantes (5,15%) tinham até 1/4 de salário mínimo para arcar com os custos no decorrer de 30 dias, enquanto 74.678 (13,86%) contavam com mais de um quarto, mas até meio salário mínimo. A porcentagem mais alta do levantamento no município (28,07%) é de residentes com recursos mensais acima de meio e até um salário, totalizando 151.233.

Na sequência, está o grupo que passava o mês com mais de um e até dois salários mínimos, somando 141.830 pessoas (26,33%). A “pirâmide” começa a estreitar drasticamente a partir daí: apenas 53.353 moradores (9,90%) contavam com mais de dois e até três salários mínimos a cada 30 dias; 41.251 (7,66%) tinham entre três e cinco; 24.076 (4,47%), recebiam mais de cinco e até 10 salários; e 3.632 (0,67%), entre 10 e 15 mínimos. O funil prossegue, com apenas 902 pessoas (0,17%) com rendimento mensal per capita entre 15 e 20 salários mínimos; e 538 (0,10%) com mais de 20.

Mão de obra concentrada em comércio e serviços

O professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Weslem Rodrigues Faria explica que o nível de renda depende, basicamente, de duas coisas: o tipo de atividade econômica desenvolvida e a qualificação da mão de obra naquela região. “Atividades econômicas industriais são mais complexas e tendem a gerar mais desenvolvimento, porque acabam necessitando mobilizar várias atividades econômicas de suporte, devido à demanda (de insumos) para produzir o produto e para fazer o escoamento desse.”

Segundo Weslem, em Juiz de Fora, entre 60% e 80% da mão de obra estão no setor de comércio e serviços, os quais costumam remunerar menos os empregados. “Os salários tendem a ser menores do que aqueles das atividades industriais.” Ele pondera que as economias da maioria das regiões do Brasil – e também do mundo – inclinam a ficar mais intensivas no setor terciário. “Existe uma terceirização, só que depende de como essa acontece. Por exemplo, serviços de alta complexidade, tecnológicos, de inovação, de saúde e educação costumam remunerar mais do que abrir bares, restaurantes e lojas.”

PUBLICIDADE

Se uma região tem atividades que exigem menos qualificação, como consequência, a renda per capita vai ser menor. “Juiz de Fora é uma cidade média que tem um certo nível de complexidade interessante, mas tem ainda uma concentração alta de empregos no setor de comércio e serviços. O município só não está numa posição pior porque aqui o setor de saúde é muito forte. É uma cidade que polariza a região da Zona da Mata, principalmente com relação a esses serviços hospitalares e de exames, que tendem a remunerar mais. Residentes de outras cidades vizinhas acabam tendo que vir a Juiz de Fora para ter acesso a esses serviços. Juiz de Fora também é um bom polo de educação superior, com várias universidades e faculdades. Essa atratividade de pessoas ajuda.”

Sobre Nova Lima ter ficado no topo da renda per capita, Weslem observa que é um município no qual muitas pessoas que moram ali, na verdade, trabalham ou extraem sua renda, não em Nova Lima, mas em Belo Horizonte, por exemplo. Macaé (RJ) também tem alta renda per capita porque vive da exploração do petróleo. “Ou seja, uma cidade pode ter uma alta renda per capita, mas devido a fatores específicos, como a localização de uma reserva de petróleo, de uma mina que está sendo explorada ou de uma reserva de minério de ferro.”

PUBLICIDADE

De acordo com Weslem, municípios maiores, como Belo Horizonte, São Paulo e Campinas, acabam tendo renda per capita maior, mesmo com grande população, porque o nível de complexidade econômica é alto. “São desenvolvidas várias atividades nessas regiões, não apenas o setor de serviços como suporte ao comércio, mas também produtos industriais. Essas regiões atraem e também formam mão de obra qualificada. Já Brasília, tem alta renda per capita porque a Administração pública federal está lá.”

Seguindo a teoria, portanto, quanto maior a complexidade econômica, melhor. “Exemplo clássico é Nova York. O oposto é Detroit, também nos Estados Unidos. Enquanto a fábrica da GM estava produzindo, vivia tempos bons, mas quando a indústria automobilística saiu de lá, a cidade quebrou”, destaca o economista.

PJF afirma trabalhar para atrair investimentos

Questionada sobre as ações diante do resultado do Censo Demográfico 2022 – o qual aponta que mais da metade dos moradores do município tinham renda mensal domiciliar per capita de até um salário mínimo -, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) afirma estar trabalhando de forma contínua para atrair investimentos, principalmente aqueles intensivos em tecnologia, “o que representa um movimento estratégico de longo prazo, capaz de transformar a estrutura produtiva da cidade e o cotidiano da população”: “A consolidação de setores de alta complexidade tecnológica, como saúde, energia limpa e tecnologia da informação, impulsiona um modelo de crescimento com reflexos diretos na qualidade de vida do cidadão, gerando empregos mais qualificados e melhor remunerados.”

PUBLICIDADE

A PJF observa que os dados do IBGE demonstram que Juiz de Fora apresenta rendimento domiciliar per capita acima da média nacional, refletindo a relevância econômica do município no contexto regional e sua capacidade de geração de oportunidades. “Ainda que os números revelem a necessidade de avançar na redução das desigualdades e no fortalecimento da renda das famílias, o resultado reafirma que Juiz de Fora se mantém entre as cidades de médio porte com melhor desempenho de Minas Gerais.”

 

Sair da versão mobile