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Eleitores esperam promessas sólidas para se decidir

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A exatos 30 dias das eleições municipais, a professora de ensino fundamental Andréa Rodrigues de Oliveira ainda não sabe em que votar para assumir a Prefeitura de Juiz de Fora nos próximos quatro anos. E sua indecisão não se deve a um alijamento do processo eleitoral. Pelo contrário. A dificuldade em escolher um candidato se deve à sensação experimentada por ela de que, passados dois meses desde o início da campanha, pouco foi apresentado em termos de propostas contundentes a fim de ajudar o eleitor a diferenciar candidaturas e optar pelo nome cujo programa de governo mais lhe contemplar.

"Em primeiro lugar, estou indecisa porque estou frustrada com a classe política, com administradores que não seguem os programas de governo apresentados em campanha, com as promessas que não se concretizam", desabafa. "Tenho certeza do que não quero: a continuidade do que está aí. Por outro lado, em relação aos outros candidatos, nunca os vi no Governo. Suas propostas são boas? Até são. Mas são bons administradores? Não sei", pondera. "Além disso, o que vi até agora são propostas ‘ganha voto’. Mas o que vão fazer efetivamente? Não há nenhum proposta concreta. Cansei dessas propostas vazias. Quero um plano diretor a longo prazo para a cidade, para todas as áreas."

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Andréa não está sozinha. Pesquisa espontânea feita pelo Ibope, encomendada e divulgada pela Tribuna e pela TV Integração no dia 16 de agosto mostrava que, na ocasião, 44% dos eleitores juiz-foranos ainda não sabiam em quem votar. Na sondagem estimulada, na qual são apresentados os nomes dos candidatos, o índice caiu para 11%, mas a diferença de 33 pontos percentuais entre uma e outra evidencia uma escolha momentânea mais personalista do que baseada em questões propriamente propositivas. Nenhum novo levantamento foi publicado após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, mas, ainda que não haja números atuais sobre a quantidade de votantes em dúvida, nas ruas é possível encontrar cidadãos sem saber que teclas digitar nas urnas.

"Ainda não decidi porque gosto de ler mais, de procurar saber mais sobre os programas de cada um. Gosto de prestar atenção nas mentiras contadas pelos políticos em época de eleição", ironiza a auxiliar de coordenação Marta Amabilis Makla. Segundo a eleitora, embora leia tudo o que chega a suas mãos nesse período, de jornais a santinhos, ela se sente insegura frente à amplitude das promessas. "Dá uma insegurança escolher dessa forma." Nesse ponto, sua família, como ela destaca, baseia-se muito em impressões pessoais que um ou outro tem sobre a vida pregressa dos concorrentes, informações e percepções compartilhadas que acabam por influenciar a todos.

Para o cientista político Raul Magalhães, o que acontece no núcleo familiar de Marta – somado à dificuldade de discernir as proposições dos candidatos – é um exemplo da principal fonte de informação política dos indecisos nessa circunstância: aquilo que dizem os grupos de seu próprio convívio. "As pessoas normalmente buscam informações com outras pessoas. É o chamado formador de opinião horizontal, que não é uma liderança ou autoridade, mas um amigo, um parente… O que ouve no círculo de conversa cotidiana é aquilo que esse eleitor tende a encampar na hora do voto", ressalta.

Apesar de a campanha estar no ar e nas ruas, há também casos de cidadãos que não conseguiram parar para analisar o que já foi apresentado pelos concorrentes. Morador da Zona Rural, Arnaldo Pedro Ribeiro dá aulas de música e artes durante praticamente todo o dia, das 7h30 às 19h30, e ainda faz cursos. "Na hora do horário eleitoral, nunca estou em casa, nem de manhã, nem na hora do almoço, nem à noite. Não deu para analisar ainda as propostas dos candidatos", justifica. Ele tampouco tem internet em casa e afirma que irá recorrer aos jornais nesse último mês de campanha para se inteirar sobre as discussões. Baseado nas poucas informações que recebeu e no que observou em outros pleitos, ele afirma estar cansado de compromissos vagos. "A gente vê as necessidades da cidade e sabe que, nessa época, aparecem sempre as mesmas promessas."

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