| Candidatos à Prefeitura de Juiz de Fora em debate |
Cabos eleitorais e simpatizantes dos candidatos Bruno Siqueira (PMDB), Custódio Mattos (PSDB) e Margarida Salomão (PT) acabaram roubando a cena e tumultuaram o primeiro debate com os concorrentes à Prefeitura de Juiz de Fora realizado, na noite de ontem, na Câmara Municipal, pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS). Com cartazes, adesivos e apitos, os integrantes das claques forçaram o mediador a interromper as discussões por inúmeras vezes com ameaças de encerramento do evento caso a ordem não fosse restabelecida. Quando conseguiram expor suas propostas para a área da saúde e responder aos questionamentos formulados pelo CMS, Bruno, Custódio, Laerte Braga (PCB), Marcos Aurélio Paschoalin (PRP), Margarida e Victória Mello (PSTU) retomaram questões como remuneração dos profissionais, conclusão do Hospital de Urgência e Emergência, fortalecimento da atenção primária e terceirizações do setor.
Embora o número de pessoas na plateia estivesse estipulado previamente em 150, o acesso ao Palácio Barbosa Lima esteve liberado durante todo o período do debate. Foram instalados telões no saguão e no salão do segundo andar. Ainda assim, os simpatizantes e cabos eleitorais preferiram se amontoar próximos ao plenário da Câmara, onde se encontravam os candidatos. O debate foi divido em três blocos, começando com as apresentações das propostas, passando por uma sabatina com perguntas formuladas previamente e terminando com a troca de questionamentos entre os candidatos. As interferência das claques começaram durante a exposição feita por Custódio. Ele tentava falar sobre suas realizações na saúde e os desafios para uma eventual nova gestão quando foi interrompido. A partir daí, as manifestações por ocasião de seus pronunciamentos tornaram-se constantes, com consequente reação dos simpatizantes e cabos eleitorais tucanos.
As vaias e os assobios também se sobressaíam a cada referência de qualquer candidato a algum problema pontual do setor e foram feitas muitas. Da mesma forma, as argumentações de Bruno, Custódio e Margarida eram sempre encerradas sobre aplausos de suas claques. Na terceira fase, quando Paschoalin questionou a forma como Margarida pretendia conduzir a saúde pública do município, a situação chegou ao ápice, com a interrupção do debate por duas vezes seguidas e a paralisação do cronômetro. Somente após ameaças do mediador de acabar com o evento é que a candidata conseguiu responder ao questionamento. Ainda assim, o tumulto voltou durante sua tréplica. A petista também encontrou dificuldades para fazer suas considerações finais.
Propostas
Embora o clima quente na plateia, o debate não conseguiu fugir a questões já abordadas pelos candidatos em outras ocasiões. Como vem fazendo na TV, Custódio defendeu suas realizações no setor e negou haver privatização. "A saúde não está o caos que estão falando aqui. O futuro prefeito ou prefeita vai encontrar uma base mil vezes melhor do a que encontrei." Margarida prometeu parceria com o Governo federal e assegurou remuneração melhor para os profissionais. "Posso garantir que o profissional (da saúde) vai ganhar mais do que ganha hoje." Bruno criticou o atraso nas obras do Hospital de Urgência e Emergência e atacou a gestão do setor. "O município gasta mais do que o previsto por lei. Deveríamos gastar o necessário e gastar bem." Para Laerte, a saúde "está mesmo caótica" no município. "Esse é o resultado do modelo capitalista." Victória investiu contra o subfinanciamento da área. "A situação não vai melhorar enquanto o Governo federal não parar de adotar políticas paliativas . É preciso dedicar mais recursos para a saúde do trabalhador." Paschoalin, por sua vez, atribuiu a escassez de recursos ao desperdício. "É preciso usar o dinheiro público em benefício do povo."
