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Mais pedestres perdem a vida no trânsito de JF

na rio branco com espirito santo pedestres aguardam para atravessar na rua e nao na calcada

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Na Rio Branco com Espírito Santo, pedestres aguardam para atravessar na rua e não na calçada

Na Rio Branco com Espírito Santo, pedestres aguardam para atravessar na rua e não na calçada

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Apesar de faixa estar próxima, pedestres preferem atravessar fora dela na Rua Santo Antônio

A faixa de pedestres em Juiz de Fora funciona como um “ringue”. De um lado da disputa, veículos com condutores apressados, que geralmente só freiam ao avistar uma pessoa já iniciando sua travessia; do outro, o “oponente” pedestre que se arrisca, aparentando também estar sempre sem tempo para esperar pela preferência. A luta travada diariamente é amenizada em pontos onde há um “juiz”: o semáforo. Mas fora da faixa, a situação é ainda mais grave e “vence” quem andar mais rápido. O resultado do conflito são 332 atropelamentos registrados na cidade somente neste ano, sendo 11 fatais, conforme a Polícia Militar. Um levantamento realizado pela Tribuna, que leva em consideração o óbito após o registro policial, mostra que a situação é ainda mais preocupante, já que o número de mortes por atropelamento neste ano chega a 18, superando os 16 registros de todo o ano passado. Enquanto a briga por aqui continua, cidades como Brasília (DF), Gramado (RS) e a mineira Viçosa são conhecidas pelo mútuo respeito à faixa de pedestres. Os modelos sugerem que os caminhos para tentar amenizar a violência e implantar uma efetiva conscientização no trânsito não estão tão distantes, mas é necessário um esforço conjunto de Poder Público e população. Com o objetivo de alertar sobre o tema e convocar a população para o respeito à sinalização, a Tribuna inicia hoje a série “Se liga na faixa!”, antecipando a Semana Nacional do Trânsito, que acontece de 18 a 25 de setembro.

Para mostrar a situação do trânsito em Juiz de Fora, a reportagem percorreu, ao longo deste mês, dez pontos críticos de travessias no Centro. Além disso, oito locais de conflito entre carros e pedestres em bairros de diversas regiões também foram analisados, com base em reclamações dos leitores. Entre os cruzamentos de maior perigo observados estão os da Avenida Rio Branco com Rua Floriano Peixoto e com Rua Espírito Santo. Nestes dois locais, o semáforo vermelho para o pedestre não impede ninguém de atravessar e não é raro assistir às pessoas se arriscando. Já em outros pontos, como na Rio Branco entre as ruas Santa Rita e Braz Bernardino; ruas Santo Antônio com Marechal Deodoro; e Avenida Itamar Franco altura da Rua Batista de Oliveira, não há semáforos, e o pedestre precisa aguardar o fluxo ou a boa vontade de algum condutor. Como são vias de movimento intenso e que, em certos momentos, os carros circulam em velocidade maior, a travessia costuma demorar minutos para ser concretizada. Já em outros pontos da cidade, como a Avenida Getúlio Vargas, a situação habitual é ver as pessoas atravessando fora das faixas, entre ônibus, carros, motos e ambulantes.

Mortes

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De todas as mortes por atropelamento ocorridas este ano na cidade, sete foram na Zona Norte, quatro na Zona Sul, três na Zona Nordeste, duas no Centro e duas na Zona Sudeste. O último caso ocorreu no dia 20 deste mês, quando um homem de 42 anos perdeu a vida após ser atropelado por um trem no Bairro Cerâmica, na Zona Norte. Dados da PM confirmam o crescimento das mortes. Segundo o Pelotão de Trânsito Rodoviário, foram 332 atropelamentos, sendo sete fatais, no primeiro semestre de 2014, e 326 atropelamentos, sendo 11 fatais, no mesmo período deste ano.

Dificuldade de fiscalizar infrações

Na avaliação do chefe do setor de Fiscalização da Settra, Paulo Peron, em determinados pontos da cidade, já existe um respeito maior à faixa de pedestres, mas em outros a prática é dificultada por circunstâncias das vias. Ele dá o exemplo da Avenida Rio Branco esquina com Rua Fernando Lobo, onde o fluxo de pedestre e de veículos é intenso durante todo o dia. “Se o carro der preferência para todos os pedestres que passam ali, o trânsito vai agarrar muito na Rio Branco. O ideal é ter uma negociação, ou seja, o motorista para enquanto pode e depois segue seu caminho para liberar passagem. Já naquelas vias em que o fluxo é interrompido, o pedestre acaba tendo a oportunidade de atravessar, mas ele precisa esperar e só seguir quando estiver em segurança”, orienta. Além disso, ele explica que o pedestre pode sinalizar sua intenção de atravessar, para ajudar na percepção do motorista.

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Peron expõe também sobre a dificuldade de fiscalizar o desrespeito à faixa de pedestre quando não há semáforo. “São vários fatores que precisam ser analisados nesta situação, como por exemplo se o motorista não deu a preferência porque havia outros carros em alta velocidade vindo atrás ou porque ele não sabia que o pedestre tinha a intenção de atravessar. A fiscalização acaba sendo difícil porque cai no campo da própria percepção do agente. É necessário ser consciente e analisar toda a situação, para não notificar de forma indevida.”

Ambiente rodoviário

Para o professor de engenharia de tráfego da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em transporte, Paulo César Marques da Silva, em cidades de maior porte, como Juiz de Fora, o trânsito acaba adquirindo “ambiente rodoviário”, algo que dificulta a relação entre pedestre e motorista. “Em cidades menores (como é o caso de Viçosa, conhecida pelo respeito à faixa), com tráfego mais local, as pessoas se comunicam visualmente, e isso facilita. Contudo, onde há vias expressas e de trânsito rápido, é reproduzido dentro das cidades o que acontece nas rodovias.”

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Ele alerta ainda para a necessidade de investimento do Poder Público em educação para o trânsito, além da colocação adequada das faixas. “Muitas vezes, as pessoas acham que onde existe maior fluxo de pedestres é onde é preciso ter a faixa. Mas se aquele ponto não permite que o motorista veja o pedestre a tempo de reagir, é melhor deslocar a faixa para metros adiante. Essa é a função da faixa: canalizar as pessoas para um local mais adequado.”

Celular é o grande vilão nas travessias

O presidente do Conselho Fiscal da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset), Mário Jacometti, culpa o uso massivo do celular pela alta incidência de atropelamentos. “A tecnologia está embarcada no cidadão, passou a ser quase que um ‘membro’ do corpo. Com a facilidade da internet e quantidade de redes sociais, as pessoas não soltam mais o celular e acabam atravessando sem olhar para lado nenhum, nem para o sinal. E quando alguém é atropelado, ninguém observa se a pessoa estava ao telefone, não há estatística. Não somos contra a tecnologia, o que estamos buscando é a educação do pedestre, para diminuir o abuso.” Jacometti acredita que Juiz de Fora também sofra mais com este tipo de situação por ser cidade polo, que recebe pessoas de vários municípios vizinhos. “Precisamos fazer campanha com quem é de fora, já que muitas pessoas são de cidades menores e não necessariamente estão acostumadas com a sinalização e o trânsito daqui, como é o caso das seis pistas da Rio Branco.”

O comandante do Pelotão de Trânsito da PM, tenente Rodrigo Oliveira, reconhece que ainda não foi introjetada na cidade a consciência sobre o respeito à faixa, e ele ressalta que a formação de um trânsito seguro é responsabilidade de todos. “O pedestre tem a preferência com relação ao carro, é a parte mais frágil. Mas ele compartilha desta responsabilidade e precisa respeitar a sinalização. A percepção da falta de tempo faz com que as pessoas se apressem mais e deem menos atenção ao próximo. A disputa criada em virtude da sensação de que aqueles segundos vão adiantar um dia inteiro de trabalho acaba expondo as pessoas ao risco.”

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Campanha nacional

Entre os dias 18 e 25 de setembro, inicia-se a Campanha Nacional de Trânsito em todo o Brasil, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os altos índices de mortes e feridos em ruas e rodovias. O tema deste ano, definido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), é “Seja você a mudança no trânsito”. As ações realizadas pelo Ministério das Cidades contribuem com a “Década Mundial de Ações para Segurança no Trânsito”, que visa diminuir o número alarmante de pessoas que perdem a vida em acidentes de trânsito. Segundo Mário Jacometti, em Juiz de Fora está sendo preparada uma campanha de maior impacto. “Estamos estudando várias hipóteses para chamar a atenção do pedestre, que é um dos nossos principais problemas.” Para o evento, a PM está preparando campanhas de conscientização, com distribuição de materiais educativos.

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