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Greve dos professores pode ser a mais longa

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A greve dos professores da UFJF completa hoje 102 dias e pode se tornar a maior mobilização já promovida pelos docentes da instituição. A mais longa até agora, segundo a Associação dos Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes), ocorreu em 2005, quando atingiu 108 dias. A próxima assembleia da categoria acontece na terça-feira, no 107º dia de paralisação, sem expectativa de encerramento. "O quadro agora não é esse (o de finalizar). E sim de manutenção", confirma o presidente da Apes, Rubens Luiz Rodrigues. Ontem, de Brasília, onde participou de uma reunião com representantes de várias instituições federais de ensino superior, o pró-reitor de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone, fez duras críticas à greve, classificada, por ele, como "absurdamente atípica". "Estou muito preocupado com a situação e com o rumo que esse movimento está tomando em relação à reposição de aulas e à conclusão do período letivo de 2012. Teremos um prejuízo incalculável ao ensino", falou à Tribuna. "Éramos para estar no antepenúltimo mês do segundo semestre letivo de 2012, mas sequer concluímos o primeiro."

Quando retornarem às aulas, os estudantes da UFJF terão que repor entre 42 e 45 dias referentes ao primeiro semestre, além dos cem dias letivos previstos no segundo. Isso, tendo que respeitar um recesso entre esses dois períodos para que os alunos consigam realizar as matrículas. "A greve terá um impacto fulminante na qualidade do ensino", reiterou Magrone. O pró-reitor ainda lembrou que a paralisação afeta todo o planejamento das famílias dos estudantes, que serão forçados, no período de reposição das aulas, a ter a mesma prontidão que teriam no período letivo convencional. Cerca de 23 mil alunos estão sendo afetados com as greves na UFJF, no Colégio de Aplicação João XXIII e no Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Sudeste Mineiro em Juiz de Fora (IF-Sudeste).

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"Os professores estão muito convictos na posição de indignação frente à maneira truculenta e desrespeitosa com a qual o Governo tem conduzido o processo. Se não fosse isso, nós já teríamos chegado a um bom termo. Mas o movimento do Governo foi o de acirrar ainda mais a indignação dos professores. Esse, para mim, é o principal motivo da condição que nos encontramos ainda hoje. A sociedade tem que cobrar do Governo uma posição mais de acordo aos interesses da população, que é ter profissionais, não só competentes, mas valorizados e empenhados em promover as finalidades da educação pública", argumentou Rubens Luiz Rodrigues.

 

Aos poucos, serviços são retomados no campus

O primeiro dia de trabalho dos técnico-administrativos, após 78 dias de greve da categoria, foi de pouco movimento no campus ontem. Serviços, como o da central de atendimento, das 13 bibliotecas e das secretarias de cursos, voltaram a funcionar, embora algumas demandas ainda dependam da redefinição do calendário acadêmico, o que só vai acontecer após a volta dos professores. Na Biblioteca Central, a maior demanda foi por devoluções e novos empréstimos de livros, além de alguns estudantes que aproveitaram para retomar os estudos por conta própria, como o aluno de engenharia civil Paulo Vitor Barbosa Ferreira. "A greve foi longa. Ficamos muito tempo parados. Vim hoje para já começar a entrar no clima novamente. É melhor do que ficar em casa."

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Ainda assim, a quantidade média de pessoas circulando na biblioteca deve ter ficado em torno de 50, bem abaixo dos cerca de mil discentes que utilizam os serviços todos os dias durante o período letivo. "Acredito que o movimento não vai voltar ao normal enquanto não for encerrada a greve dos professores", disse a coordenadora do Centro de Difusão do Conhecimento da UFJF, Adriana Oliveira.

Os acadêmicos que estiverem com livros emprestados com a devolução em atraso deverão comparecer à biblioteca, onde serão encaminhados para a gerência, que fará a retirada das multas. Além da central, as outras 12 bibliotecas setoriais voltaram a funcionar ontem. Já os trabalhos de confecção das fichas catalográficas obrigatórias em dissertações e teses estão acumulados. Cerca de 200 ainda estão pendentes. Os estudantes que precisarem da ficha catalográfica com urgência devem entrar em contato com a Biblioteca Central.

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A sala do Infocentro, que também funciona no segundo andar da Reitoria, deveria ter voltado a funcionar ontem, mas o bolsista responsável pelo horário da tarde não compareceu. Os poucos alunos que procuraram a sala foram informados que o local ainda continuava fechado. Os funcionários acreditam que o setor deva funcionar plenamente a partir de hoje.

Na Central de Atendimento, a procura também foi abaixo da comum. Algumas demandas de estudantes, no entanto, só poderão ser sanadas após a redefinição do calendário acadêmico. O setor funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Já a coordenação do Restaurante Universitário (RU) informou que irá aguardar a assembleia dos professores para definir os dias e horários de funcionamento. O transporte de servidores está funcionando normalmente, com exceção do destinado ao RU. O Museu Murilo Mendes reabriu ontem.

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