Enquanto os candidatos a uma das vagas disponibilizadas pela UFJF para ingresso no ano quem vem se preocupam com o recém-lançado edital dos processos seletivos 2012, o Conselho Setorial de Graduação (Congrad) da universidade já se debruça sobre os concursos seguintes. Depois de apresentar à comunidade escolar dados estatísticos sobre os resultados das recentes experiências com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – como alternativa, em 2010, e substituto da primeira fase, em 2011 -, os conselheiros agora programam uma segunda rodada de debates para que sejam, então, sugeridas propostas de seleção. A princípio, três mecanismos estão em estudo: vestibular, Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism) e Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação (MEC). Em uma tentativa de ajustar os processos seletivos para os próximos anos frente às novas propostas do MEC, a UFJF não exclui nem mesmo a possibilidade de o Pism, processo seriado estabelecido há 12 anos, acabar.
"O Pism já tem mais de dez anos, então temos condições de analisá-lo e, caso os conselheiros avaliem que o Enem pode cumprir com vantagens seus méritos, esse processo pode sim ser excluído. Universidades próximas, como a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), já substituíram seus processos seletivos. Não podemos deixar que as mudanças sejam ou não feitas com base em paixões e apego aos mecanismos existentes. Temos que ter maturidade para avaliar o que é melhor para a UFJF neste momento, deliberando de forma consistente", comenta o pró-reitor de Graduação e presidente do Congrad, Eduardo Magrone. Ele lembra que as alternativas em estudo não são excludentes. "Hoje trabalhamos com as três simultaneamente, o que gera uma certa tensão entre os candidatos, já que são propostas bem diferenciadas."
Embora a UFJF não confirme oficialmente tendência de escolha por um dos modelos, os dados apresentados no ciclo de debates apontam para uma aproximação com o Sisu, sistema nacional que utiliza exclusivamente o resultado do Enem como critério de seleção. Segundo as estatísticas da Pró-Reitoria de Graduação, no Vestibular 2010, no qual os candidatos podiam optar por utilizar a nota da primeira fase ou a do Enem, mais de 84% dos concorrentes escolheram a segunda alternativa. No mesmo concurso, a média dos estudantes no Enem foi 1,48 ponto maior que na etapa de conhecimentos gerais da UFJF, diferença considerada pequena, mas significativa. O relatório aponta, ainda, que os alunos de escolas públicas foram os principais beneficiados ao optar pela avaliação do Governo federal.
A expansão do Sisu já na próxima seleção da UFJF (2012) também demonstra movimento em direção à proposta do MEC. O número de vagas distribuídas pelo método quase quadruplicou em relação a 2011, passando de 176 para 684. Excluindo-se os 30% reservados para o Pism, todas as oportunidades para ingresso em 2012 nos bacharelados interdisciplinares em artes e design, ciências humanas e ciências exatas serão disponibilizadas pela ferramenta nacional do MEC. Nas estatísticas da UFJF, o resultado positivo da primeira experiência com o sistema, este ano, aparece na elevação da concorrência. A relação candidato/vaga do curso noturno de ciências humanas, por exemplo, foi de 1,37 por vaga, no vestibular, e de 38,15, no Sisu.
