Diante dos recorrentes casos de assaltos a ônibus urbanos, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo de Juiz de Fora (Sinttro) enviou ofício para diversos órgãos pedindo mais segurança para a categoria. Apesar de a maioria dos carros da cidade contar com câmeras de segurança, o aparato parece não intimidar a ação dos bandidos. De acordo com o presidente do Sinttro,Vágner Evangelista, caso não haja uma resposta rápida para o pleito da classe, eles pretendem paralisar as atividades e realizar manifestações na próxima semana. O estopim para o pedido foram dois casos de roubos ocorridos em sequência na Vila Olavo Costa, Zona Sudeste. “Já faz cerca de três meses que motoristas e cobradores vêm nos procurando, mas agora está piorando”, comentou.
Segundo ele, a preocupação é também com os passageiros, que acabam expostos à violência. Conforme Vágner Evangelista, a categoria enviou oficio para a Polícia Militar, Settra, Ministério Público, Ministério do Trabalho e Astransp. “Também enviamos a solicitação de uma reunião ao prefeito Bruno Siqueira (PMDB), e pedimos à Câmara Municipal que seja feita audiência pública para tratar do tema. Muitos motoristas e cobradores estão nos procurando e cobrando uma postura mais firme em relação a essa onda de violência. Eles relatam muita insegurança, a situação está complicada, e os casos acontecem em toda a cidade.”
Um dos casos que chamou a atenção aconteceu no último dia 7, quando um tiro transfixou um ônibus e atingiu a cadeira do cobrador em tentativa de assalto. O episódio se deu no Bairro Nossa Senhora de Fátima, na Cidade Alta. “Quando o motorista percebeu que poderia ser assaltado, acelerou o carro. Neste momento, o criminoso sacou uma arma a atirou em direção ao trocador, que havia acabado de deixar a cadeira. O tiro acertou o encosto da cadeira. E o se o trocador não tivesse se levantado? As coisas não podem ficar como estão”, afirmou o presidente do Sinttro.
Um trocador que foi vítima de assalto duas vezes, e pediu para não ser identificado, contou que só não deixa o trabalho por falta de oportunidade. “Já entro no ônibus apreensivo. Não tem mais hora nem lugar para acontecer. A sensação que tenho é que estamos abandonados pela segurança pública. Acho que só vai melhorar alguma coisa quando ocorrer algo mais grave”, disse, acrescentando que foi assaltado em janeiro deste ano e em junho do ano passado. No último episódio, além do dinheiro do caixa, os ladrões levaram seu celular.
O motorista que trabalha atualmente na mesma linha que o trocador entrevistado, apesar de ainda não ter sido vítima, também se sente acuado diante dos recentes casos de violência. “Já sou motorista há 18 anos, e, poucas vezes, vi nossa categoria tão amedrontada. Já tive um colega que largou o emprego por medo. Eu saio para trabalhar pedindo proteção a Deus, sei que não demora para eu ser vítima”, desabafou.
Em menos de 24 horas, linha é alvo de dois assaltos
Do dia 1º de junho até ontem, a Tribuna contabilizou 12 assaltos a coletivos. Foram seis ocorrências em cada mês. Os casos foram registrados em diversas regiões da cidade. Nos episódios mais recentes, em menos de 24 horas, a linha 325 (Solidariedade) foi duas vezes alvo de assaltantes na Vila Olavo Costa. No último, registrado por volta das 22h de quinta-feira, motorista e cobradores do coletivo foram rendidos por um homem, quando passavam pela Rua Filonilia Carlota de Jesus. Conforme a PM, as vítimas contaram que o criminoso entrou no veículo, levantou a camisa e anunciou o roubo. Ele pegou cerca de R$100 que estavam no caixa e fugiu.
Já na noite anterior, um motorista de ônibus de 43 anos saiu às pressas do bairro após um assalto. Segundo a PM, cerca de dez passageiros que estavam no coletivo foram levados até um ponto final próximo, onde a Polícia Militar foi acionada. O crime aconteceu por volta das 22h30, quando o coletivo estava na Rua da Esperança, sentido Centro/bairro. Após o desembarque de alguns ocupantes, um assaltante entrou pela porta dianteira e sacou uma arma de fogo. Depois de sinalizar para o condutor ficar quieto, o bandido seguiu até o caixa e roubou R$ 120. O ladrão fugiu a pé. Assustado, o condutor deixou o local dirigindo o coletivo e seguiu com os passageiros e o cobrador em direção ao Guaruá, até parar no ponto final do Solidariedade. Nenhum suspeito foi detido.
Também na Vila Olavo Costa, outro coletivo foi assaltado na quinta-feira (21) da semana passada. Segundo informações da Polícia Militar, o motorista e o cobrador do ônibus que fazia a linha 399 (Olavo Costa/Centro) relataram que, por volta das 22h30, o veículo passava pela Rua da Esperança quando um homem pediu para que a porta fosse aberta. Ele então colocou a mão de baixo da blusa, simulando estar armado, e anunciou o roubo. O criminoso ameaçou atirar nas vítimas e ordenou que entregassem celular e dinheiro. O homem fugiu com R$ 40 que estavam no caixa e o celular do motorista.
Polícias dizem estar atentas contra roubos
A Polícia Militar afirma estar atenta a todos os fenômenos relacionados à segurança na cidade. De acordo com o assessor de comunicação da 4ª Região da PM, major Marcellus Machado, a seção de planejamento realiza, diuturnamente, um levantamento de dados estatísticos sobre os problemas, incluindo a questão dos assaltos a coletivos. Ele afirma ainda que será realizado um patrulhamento preventivo e a repressão qualificada “que o caso possa exigir”. Em relação ao ofício enviado pelo Sinttro, a PM vê com bons olhos a iniciativa, buscando dar atenção a todas as demandas, trabalhando com a premissa da polícia comunitária, ouvindo todos os lados.
O titular da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos, Rafael Gomes, garantiu que a Polícia Civil está trabalhando na identificação dos autores e dos pontos de maior incidência dos casos. “A responsabilidade da prevenção é da Polícia Militar. Todos os episódios estão sob investigação, e estamos checando as câmeras destes coletivos para ajudar a identificar os autores. É importante ressaltar que os empresários devem estar atentos à qualidade destes equipamentos, quanto mais nítidas, mais facilmente chegamos aos criminosos”, comentou.
A Prefeitura informou que recebeu o ofício na manhã de ontem e que a reunião com o prefeito será agendada nos próximos dias. Já a Câmara Municipal afirmou que, embora ainda não tenha recebido o pedido de audiência pública no setor de expediente, o vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT) já demonstrou a intenção de apresentá-lo na próxima semana. A data da reunião, no entanto, dependerá da aprovação do requerimento, que deve ocorrer na abertura do período legislativo, o qual terá início no dia 15 de agosto.
* colaborou Eduardo Maia
