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Alerta para o uso adequado da pipa

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brincadeira deve acontecer em locais tranquilos, longe de rede de eletricidade
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brincadeira deve acontecer em locais tranquilos, longe de rede de eletricidade

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Soltar pipas e papagaios é uma das brincadeiras mais difundidas na cultura brasileira mas, além de colorir os céus, traz uma série de riscos. Entre os principais, estão os acidentes provocados por uso de cerol e envolvendo a rede elétrica – que podem variar desde simples interrupções do fornecimento de energia até a morte. O perigo está relacionado à possibilidade de quedas, atropelamentos, descargas elétricas e lesões, algumas vezes fatais provocadas pela linha turbinada pelo cortante. Em alguns casos, além do vidro moído, os praticantes misturam pós metálicos, como de alumínio, tornando o material ainda mais potente.

De acordo com o Governo de Minas, o uso do cerol é proibido pela Lei 14.349/02. O decreto 43.585/83 prevê aplicação de multas aos infratores ou responsáveis. Quem, mesmo que involuntariamente, machuca alguém com linha coberta com cerol é enquadrado no artigo 129 e pode sofrer pena de três meses a um ano de prisão. Em caso de menor de idade, os pais ou responsáveis poderão ser responsabilizados. "Tem ainda a questão criminal. Dependendo de cada caso, quem usa cerol pode ser enquadrado por perigo de dano, lesão corporal e até tentativa de homicídio", esclarece o assessor de comunicação organizacional da Polícia Militar, major Sebastião Justino.

O uso de cerol, nessa época do ano, também é uma preocupação a mais para motociclistas, geralmente as maiores e mais graves vítimas, quando a linha atinge partes não protegidas e vitais do corpo, como o pescoço. Nessa região, passa uma importante artéria, bastante superficial. Quando cortada pela linha da pipa, provoca morte quase instantânea, devido à perda de sangue. "A lei de Minas Gerais proíbe o uso do cerol em pipas, mas não a fabricação e o comércio. Os nosso deputados deveriam rever esta lei e até, quem sabe, criar uma norma nacional, de maior abrangência" reivindica Robson Moraes de Almeida, motociclista que, após sofrer um corte na perna provocado por linha de pipa, criou a campanha "Cerol não!" e o site www.cerol.com.br, onde divulga notícias, fotos e depoimentos alertando sobre os perigos da mistura. Em Marília, no interior do Estado de São Paulo, foi formalizado acordo com o Ministério Público, por meio da Vara da Infância e da Juventude, para apreensão do material e identificação do menor de idade flagrado utilizando cerol. Após a apreensão, tanto o material como dados da família do jovem são repassados ao MP.

Segundo a Cemig, cerca de 15% das interrupções de fornecimento ocorridas nos meses de julho e agosto são provocadas por linhas de pipa que se enroscam nas redes de transmissão. O engenheiro de distribuição da empresa Emerson de Sales da Cruz conta que as linhas podem romper os cabos ou danificar sua proteção e, por vezes, podem fazer com que eles se toquem, provocando curtos. Para quem brinca, o risco, nestes casos, é tentar soltar as pipas e os papagaios presos aos fios usando pedaços de madeira, canos, bambus, barras metálicas ou qualquer outro material. A pessoa pode ser atingida por uma descarga elétrica que pode ser fatal. Nos últimos quatro anos, a companhia registrou quatro mortes nessas condições. Na última terça-feira, a Tribuna flagrou, no Bairro Santo Antônio, região Sudeste, um menino tentando retirar da rede elétrica um papagaio feito de sacola de supermercado. Para isso, ele usava uma fita VHS, aquelas usadas nos antigos videocassetes.

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"Os pais também devem estar atentos ao local onde os filhos brincam. Principalmente nos aglomerados urbanos, as lajes ficam muito próximas da rede elétrica, e ainda tem o risco de queda, que também pode ser muito grave", aponta o engenheiro.

Conforme o Hospital João XXII, de Belo Horizonte, onde foram atendidos mais de 600 casos de trauma relacionados à brincadeira de soltar pipa, nos acidentes mais graves, podem ocorrer fraturas no crânio e nas colunas cervical e torácica. No caso da cervical, a vítima pode ficar tetraplégica. Já uma fratura na costela pode causar lesão nos pulmões. Existe ainda o risco de lesões internas provocadas por uma queda. O trauma de abdômen, por exemplo, pode levar à ruptura de fígado, baço e intestino. Em uma queda, também podem se romper vasos sanguíneos e artérias.

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