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Transtorno nas rodovias da região

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As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata nos últimos dois dias ainda causam transtornos à população. Um dos principais impactos é observado nas estradas da região, pois ainda há vários acessos obstruídos em razão de quedas de barranco ou comprometimentos estruturais. O destaque está no impedimento total da MG-133, entre Tabuleiro e Rio Pomba, após a interdição de uma ponte. Isso porque todo o tráfego foi deslocado para o acesso alternativo, 30 quilômetros mais longo, que é a MG-353 a partir de Coronel Pacheco para Goianá, Rio Novo, Guarani e Piraúba até o retorno para a BR-265, próximo a Tocantins. O problema é que veículos de grande porte estão proibidos de passar por Guarani, município que sofre com inundação após o Rio Pomba ter transbordado. Para estes caminhoneiros, a alternativa, que aumenta a viagem em 70 quilômetros, passa, a partir de Juiz de Fora, para as cidades de Bicas, Leopoldina, Cataguases, Dona Euzébia, Astolfo Dutra, Rodeiro e Ubá (ver mapa).

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Ontem a 4ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário (4ª Cia.Ind.Mat.) divulgou que outras estradas próximas a Juiz de Fora permanecem com o tráfego completamente interrompido. Este são os casos da MG-126, km 13, entre Rio Novo e São João Nepomuceno, e a MG-448 que liga Rio Pomba à BR-040, por meio de Santa Bárbara do Tugúrio. De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER/MG), já é de conhecimento do órgão todos os problemas em acessos da região. No caso da MG-126, foi informado que a solução definitiva só poderá ser elaborada quando as águas abaixarem. Já em relação à MG-133 e também a MG-353, onde há interrupções parciais por causa de quedas de barreiras, o departamento garantiu que os trabalhos de recuperação foram iniciados. No entanto, não divulgou prazo de conclusão. Sobre a MG-448, informou que uma equipe esteve no local e sinalizou o trecho.

Além destas estradas, o DER/MG divulgou que há problemas em outras duas estradas da Zona da Mata: a MG-135, trecho entre Paraíso e Bias Fortes, onde a rodovia não pavimentada está com pontos de atoleiros, e a MG-452, que é o prosseguimento, em Mercês, da MG-448 em direção à BR-040. Neste caso, esclareceu que a equipe técnica sinalizou o trecho, totalmente interditado, e irá elaborar uma solução para o local.

Restrições

Conforme o tenente Jader Augusto Oliveira, comandante do pelotão rodoviário da Polícia Militar, o tráfego aumentou bastante nos acessos alternativos entre Juiz de Fora e Ubá, mas nada que possa ser considerado fora do controle. Sobre a restrição para veículos pesados em Guarani, ele explicou que isso se deu pelas dificuldades de estas carretas transitarem dentro da cidade. Para evitar que os motoristas tenham que retornar, disse que há equipes nas extremidades dos acessos orientando os profissionais a respeito dos acessos possíveis.

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O prefeito de Guarani, Paulo César Santos Neves (PV), informou que a restrição foi acordada entre vários órgãos. A decisão foi pensada como medida de precaução, inclusive porque uma ponte, na cidade, não suporta veículos altos. “Ontem verificamos que, a partir das 6h, o tráfego ficou muito intenso.”

Rodovia federal

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O acesso alternativo para os caminhões também poderia refletir em mais veículos na BR-267, entre Leopoldina e Juiz de Fora. No entanto, o inspetor Wallace Wischansky disse que é prematuro avaliar se houve impactos. “Acreditamos que vá aumentar, mas precisamos de um tempo para avaliar.” Ainda segundo ele, na BR-040 há dois trechos que necessitam de atenção: os km 715 e 727, entre Oliveira Fortes e Barbacena, onde tiveram quedas de barreiras com interrupção parcial do fluxo. “Temos problemas na região inteira, e, mais do que nunca, os condutores precisam praticar a direção defensiva. Chove forte, e as estradas estão movimentadas por causa destas interrupções, então, cautela ao dirigir, principalmente embaixo de chuva, é essencial.”

Três cidades decretam emergência

Pelo menos três municípios da região decretaram, ontem, estado de emergência em razão das chuvas: Santos Dumont, Guarani e Barbacena. Mesmo assim, o boletim da Defesa Civil do Estado de Minas Gerais, publicado na noite de quinta-feira, não citava qualquer anormalidade na Zona da Mata. Apenas na noite de ontem, o boletim foi atualizado, mas com um dia de atraso. No início da tarde, foi emitido alerta de riscos de deslizamento de terra em Rochedo de Minas, Santos Dumont, Chácara, Juiz de Fora, Matias Barbosa e Betim. Em Barbacena, um homem de 54 anos, morador da comunidade de José Luiz, morreu por causa das chuvas. Seu corpo foi encontrado em um córrego. O prefeito Toninho Andrada (PSB) também decretou situação de emergência. O município tem problemas com o abastecimento de água.

Em Santos Dumont, o problema maior é no distrito de Conceição do Formoso. Na noite de ontem, o prefeito Carlos Alberto Faria (PP) conseguiu acessar a localidade, que está com as três estradas interrompidas. Segundo ele, com auxílio de jipeiros e do Exército, foi possível alcançar o distrito após seis horas de viagem, sendo que normalmente é feito em 50 minutos. Sete quilômetros foram percorridos a pé. Com o prefeito, estava uma equipe de 45 pessoas, entre assistentes sociais e profissionais da área de saúde. Também foram levados remédios, vacinas, kits de higiene e colchões. Uma família está desalojada após a casa ter sido destruída pelas chuvas. Eles buscaram auxílio na casa de parentes, mas receberão ajuda financeira por meio do aluguel social.

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O objetivo do prefeito é conseguir liberar o acesso de Conceição do Formoso para Tabuleiro até amanhã. O percurso para Santos Dumont levará mais tempo, pois será preciso reconstruir uma ponte de 30 metros de extensão sobre o Rio Formoso. “Vamos tentar erguer uma estrutura provisória ao lado, mas isso ainda precisa ser avaliado.” Como forma de obter ajuda financeira, a cidade decretou estado de emergência ontem a nível Federal. “Já pedimos ao Ministério da Integração Social para nos ajudar com a construção da ponte.” Doações de móveis, roupas para adultos e colchões podem ser feitas para a Secretaria de Assistência Social. O telefone é (32) 3252-7424.

Na cidade, ainda havia desabastecimento de água ontem. A previsão era que a situação fosse regularizada à noite.

Guarani

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Em Guarani, o prefeito Paulo Neves também decretou estado de emergência. Segundo ele, cerca de dez famílias estão desalojadas por causa da inundação provocada pelo Rio Pomba, que subiu cerca de três metros. Felizmente, de acordo com ele, ninguém se feriu. No fim da tarde de ontem, ainda havia pontos de alagamentos.

Abastecimento ainda comprometido

Em Tabuleiro, o principal problema é o abastecimento de água à população. De acordo com o prefeito Dauro Martins (PP), até a tarde de ontem, funcionários da Copasa aguardavam a diminuição do nível do Rio Formoso para pode chegar até a balsa que capta a água do curso de água. “Tínhamos um resto de água no reservatório da cidade, e hoje (ontem) liberamos esse restante aos moradores. Estamos mobilizando um caminhão-pipa de Juiz de Fora, já que o acesso à Rio Pomba está interditado”, afirma. Um dos donativos solicitados pela Prefeitura, através do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), são garrafas de água mineral. Interessados em ajudar também podem doar colchões, roupas de cama e produtos de limpeza.

Ainda conforme o prefeito, não houve avaliação completa da ponte que faz a ligação do Bairro São José ao restante da cidade. “Uma engenheira esteve analisando a estrutura, que aparentemente não apresenta comprometimento. No entanto, a avaliação final depende da redução do volume de água”, diz. “A maior preocupação é com o tráfico de caminhões, que, em função da interdição na MG-133, tem passado por uma estrada rural, que liga os dois municípios.”

No posto de saúde da cidade, que foi tomado pela água que transbordou do rio, atravessou a rodovia e atingiu a unidade, o prejuízo foi de cerca de R$ 60 mil. Conforme o chefe do Executivo local, além de medicamentos, equipamentos como computadores, impressoras e até itens do consultório odontológico foram perdidos. Entre 12 e 15 famílias enfrentaram alagamentos em suas casas. Algumas, que viveriam de aluguel, estariam buscando moradia em outros pontos da cidade.

Transporte

De acordo com o diretor da empresa Unida, Fernando Mansur, algumas linhas que passam por Tabuleiro seguem desvio pela MG-353. Outras, no entanto, estariam seguindo viagem pela MG-133, atendendo a cidade e, quilômetros depois, passando por baldeação na altura da ponte interditada pelo Corpo de Bombeiros, na divisa do município com Rio Pomba.

Piau

Outra cidade atingida fortemente pela chuva de quinta-feira foi Piau, onde a população sofreu com a cheia do Rio Piau. Ontem o responsável pela Defesa Civil no município, Paulo Carolino, disse que, na medida do possível, a comunidade tentava voltar à rotina. “Por causa da sujeira causada, o consumo de água está muito maior do que a capacidade de produção, então estamos tendo problemas neste sentido. A Prefeitura já providenciou caminhões-pipa.” A cidade também recebe doações. As informações são dadas pelo telefone (32) 3254-1212.

Em JF, enchente no Jardim Esperança

Moradores do Bairro Jardim Esperança, em Juiz de Fora, amanheceram ontem com as ruas Gabriela da Silva e Padre Acácio inundadas. A localidade estava livre de problemas relacionados às chuvas há pouco mais de um ano, quando a ponte que liga a Rua João Pires de Almeida à BR-267 passou por reformas e aumentou o escoamento da água. Com a última tempestade, o córrego que corta o bairro encheu e invadiu as casas e alguns estabelecimentos.

“Acordamos por volta de 1h30 e vimos que a rua estava cheia. Em dez minutos, a água chegou às casas e atingiu quase um metro de altura”, explicou o analista Joel Ivan, 30 anos. Em todo o prolongamento da via, outros vizinhos viraram a madrugada para contabilizar os prejuízos e realizar a limpeza dos cômodos. “A água só baixou por volta de 5h30. Estávamos fazendo obra nos fundos do quintal, que passa bem rente ao córrego. A água levou boa parte dos materiais comprados”, comentou a comerciante Roseli Pires de Almeida, 62.

Para auxiliar os trabalhos da comunidade, o Demlurb enviou 45 funcionários. Segundo o diretor do departamento, Marlon Siqueira, um caminhão-pipa foi deslocado para a higienização das vias. A entidade ainda disponibilizou outro caminhão para recolher móveis e materiais descartados pela comunidade. O subsecretário de Defesa Civil de Juiz de Fora, Márcio Deotti, destacou que não houve registro de ocorrências no local, no entanto, reforçou o pedido para que a população faça o chamado pelo 199 no primeiro sinal de problema. “Devido às chuvas na região, o Rio Paraibuna recebeu uma sobrecarga. Nesta quinta, atingimos a marca de 2,5 metros. Consideramos como ponto de enchente quando atinge o nível três (3 metros), mas ficamos em alerta quando chegamos aos 2,70 metros”. O prefeito Bruno Siqueira (PMDB) também esteve no local para acompanhar os trabalhos.

Também a Unidade de Atenção Primária à Saúde (Uaps) do Bairro Industrial, Zona Norte, ficou fechada pela manhã após ser atingida pelas águas da chuva.

Ocorrências

A Defesa Civil de Juiz de Fora registrou, da noite de quinta-feira até o fim da tarde de ontem, 43 ocorrências em razão das fortes tempestades, sendo que 24 delas por orientações preventivas. Apenas na noite de quinta, choveu na cidade 51,8 milímetros, o equivalente a 17% do esperado para janeiro. O período, aliás, já soma 25% de precipitações acima da média histórica, com acumulado de 375,8 milímetros. A previsão é de tempo mais estável no fim de semana.

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