
Na Olegário, altura do Paineiras, duas faixas foram instaladas a uma distância de cerca de 5 metros
A utilização de lombadas de piso vermelho, tecnicamente conhecidas como traffic calming, está sendo reavaliada por engenheiros da Settra. Com o objetivo de melhorar a fluidez em corredores de tráfego e garantir a segurança dos pedestres, alguns dispositivos poderão ser removidos ou readequados. Entre as possibilidades está a de manter o piso diferenciado, mas deixando o espaço de travessia no mesmo nível do asfalto. O assunto foi abordado nesta terça-feira (29), pelo prefeito Bruno Siqueira, durante entrevista ao programa "Radio vivo", da Solar AM. Na ocasião, ele adiantou que em alguns casos, como onde há semáforos, "não existe necessidade de ter traffic calming".
Alvo de diversas críticas e polêmicas nos últimos anos, as lombadas começaram a ser implantadas na cidade em 2007. Atualmente, somam 69 dispositivos, incluindo Centro e bairros. Somente na Avenida Rio Branco são 16, e na Avenida Olegário Maciel, outros sete. Nesta última, um dos equipamentos que pode ser removido ou readequado está localizado próximo à rotatória, na altura do Bairro Paineiras, onde duas faixas elevadas foram instaladas a uma distância de aproximadamente cinco metros, separadas apenas pelo retorno giratório.
Para o engenheiro especialista em mobilidade urbana José Ricardo Daibert, tal situação demonstra a ausência de critérios utilizados para construir as travessias diferenciadas. "Nem precisa ser técnico para saber que está errado. O pedestre sabe onde ele pode atravessar com segurança." Daibert também citou a situação da Avenida Rio Branco, onde muitos dispositivos são utilizados de forma equivocada. "Ele transmite uma mensagem errada para o pedestre. Faltou explicar para a população o que ele representa: se é faixa de travessia ou redutor de velocidade. Não faz sentido a instalação deles embaixo de semáforos. Os motoristas não param os carros quando alguém coloca os pés no piso vermelho."
Procurado pela Tribuna, o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, explicou que cada caso está sendo avaliado de forma individual. De acordo com ele, o mapeamento teve início na primeira semana do mês e não há prazo definido para ser concluído. "Estamos fazendo um diagnóstico, levando em consideração o que está em volta deles. Se há escola, faixa de retenção, porta de garagem. Queremos melhorar a fluidez sem diminuir a segurança dos pedestres."
Uma das preocupações, segundo o secretário, é a de não desperdiçar dinheiro público. Por isso, na medida do possível, todo o material empregado nas construções será reutilizado. "Vamos tentar adequá-lo. Isso pode resultar tanto na retirada total como no rebaixamento dos traffic calmings, de forma que o piso continue diferenciado, mas no mesmo nível do asfalto.
Para o professor da UFJF e especialista em engenharia de transportes, José Alberto Castañon, a retirada das faixas elevatórias ou readequação de forma que fiquem no mesmo nível do asfalto é um "retrocesso". "Mesmo achando que há muitos (traffic calmings) na cidade, ainda creio na política de proteção, colocando o pedestre como prioridade. Espero que estejam se baseando em critérios técnicos para definir as mudanças."
Conceito é equivocado
Na opinião do engenheiro José Ricardo Daibert, o conceito de traffic calming é utilizado de forma errada na cidade. "Estas faixas elevatórias, com esse nome, deveriam ser usadas apenas em vias de baixo volume de tráfego e velocidade reduzida. Por exemplo, em bairros residenciais ou próximos a escolas, como ocorre na Rua Sampaio, Bairro Granbery." Segundo ele, do modo como é feito hoje, o resultado acaba sendo o oposto do esperado. Ou seja, "não gera fluidez e causa insegurança ao pedestre".
O especialista também recordou a situação dos traffic calmings na pista do meio da Avenida Rio Branco, utilizada por ônibus do transporte público e também por veículos de socorro. "É um absurdo. Imagine uma ambulância transportando uma grávida em trabalho de parto. Não é certo submeter uma pessoa a estas condições."
O titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, não quis adiantar se as mudanças ocorrerão também neste local. Ele disse que as avaliações ainda estão sendo feitas, e, por isso, seria precoce adiantar alguma informação a este respeito. No entanto, ele reforçou que haverá correções onde existir excessos ou erros. "Esta adequação pode resultar na retirada, rebaixamento no mesmo nível do asfalto, ou apenas numa manutenção, modificando sua altura, para cima ou para baixo. Muitos dos dispositivos só causam incômodos, sem resolver o problema."

