
Limpeza na Rua Marciano Pinto, no Sagrado Coração
Cerca de 40 famílias do Bairro Retiro, na Zona Sudeste, ficaram ilhadas depois que uma ponte de madeira utilizada para travessia caiu com as chuvas da madrugada de ontem na cidade. Outras seis famílias ficaram desalojadas por causa do temporal, sendo cinco na Zona Sul e uma na Norte. Segundo a Defesa Civil, 90 chamados foram atendidos entre as 18h de terça-feira e as 17h de ontem. A região mais atingida foi a Sul, com metade dos casos. Os demais foram registrados nas regiões Leste (17), Sudeste (16), Cidade Alta (5), Norte (3), Nordeste e Centro (2 em cada). Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Obras atuava no Retiro para tentar recompor a ponte. Já as famílias desalojadas seguiram para casas de parentes.
Uma das ocorrências de destaque da região Sul foi atendida no Sagrado Coração de Jesus. Dois idosos e quatro crianças tiveram que ser retirados de casa após o nível do córrego subir. Na mesma região, a água tomou conta da Rua Margarida Alves, no Bairro Vale Verde. Os bombeiros estiveram no local, mas o grupo já tinha conseguido sair. Na residência ao lado, os quatro cômodos também foram tomados pela correnteza. "Minha filha é cadeirante, e tive que chamar vizinhos para me ajudarem a tirá-la de casa. Perdi colchões e mantimentos. Mas todos estão vivos", desabafou a dona de casa Rita de Cássia Abreu. Segundo os moradores, a água só começou a baixar por volta das 4h30, quando conseguiram retornar para o imóvel.
No São Geraldo, a situação mais crítica aconteceu na Rua Clóvis Serroa da Mota. Quatro casas, cujos quintais dão para um córrego, ficaram alagadas. Segundo os moradores, a água atingiu cerca de um metro. "Do lado de fora da casa, parecia um rio. Só deu tempo de correr e pegar meus filhos, de 2 e 8 anos, e ir para a casa da vizinha no andar de cima. A força da água arrastava o meu garoto que estava no chão e tive que ter força", contou a dona de casa Andrea de Souza. A moradora perdeu os mantimentos que estavam na dispensa. A geladeira ficou cheia d’água, e todos os alimentos tiveram que ir para o lixo.
No Ipiranga, um deslizamento de terra na Rua Bady Geara deixou o trânsito em meia pista. Pela manhã, um morador tentava retirar a terra da via. Ainda no Ipiranga, na Avenida Darcy Vargas, a pista sentido Centro/bairro, próximo ao número 1.500, ficou repleta de lama, e os motoristas tiveram que andar na contramão.
Uma das intervenções mais demoradas do dia feitas pela Secretaria de Obras foi registrada na Avenida Prefeito Mello Reis (antiga Guadalajara), Aeroporto, Cidade Alta. Uma árvore de grande porte caiu e impediu o tráfego de veículos até as 15h30. Outras intervenções para desobstruir ruas atingidas por escorregamentos de terra foram realizadas na tarde de ontem. É o caso da Rua Olga Burnier, Costa Carvalho, região Sudeste, Rua Boa Esperança, no Linhares, Zona Leste, e nas estradas do Morro do Sabão, no Milho Branco, Zona Norte, e da Graminha, na Sul.
Para atender as famílias que sofreram prejuízos, a Defesa Civil doou sete cestas básicas, 32 colchões e colchonetes, dez jogos de camas e 560 metros quadrados de lona.
Queda de barreira
Na Estrada União e Indústria, houve queda de barreira entre os kms 4 e 5. Pela manhã, funcionários da Prefeitura de Matias Barbosa faziam a limpeza da pista e sinalizavam o trecho. No km 5, após a Ponte do Zamba, além de deslizamento de terra, houve alagamento, e a pista estava com muito lama, dificultando a passagem de veículos.
Sem energia
No Bairu e no Manoel Honório, na região Leste, e também em alguns pontos do Centro, houve queda de energia por aproximadamente cinco horas. De acordo com a assessoria de imprensa da Cemig, em Belo Horizonte, a falta de luz foi ocasionada pelas precipitações, embora não estivesse chovendo no momento da interrupção.
18% da chuva esperada para todo o mês
Apenas entre terça-feira e a madrugada de ontem, choveu 18% do esperado para todo o mês de dezembro. O volume de precipitações contabilizado no pluviômetro, instalado na UFJF, registrou 59,2 milímetros, sendo que a média histórica do período são 327 milímetros. Até o início da noite de ontem, já havia chovido 337 milímetros em dezembro, ou seja, 3% a mais que o esperado. Segundo o instituto meteorológico da Cemig, o MG Tempo, a instabilidade deve continuar nos próximos dias. Hoje pode chover mais 18,2 milímetros. Conforme o 5º Distrito de Meteorologia, em Belo Horizonte, as temperaturas devem variar entre 15 e 24 graus.
A previsão também é de fortes chuvas para o último final de semana do ano. No sábado, o MG Tempo prevê 32,6 milímetros e, no domingo, mais 52,7 milímetros. Neste período, os termômetros devem variar entre 17 e 21 graus.
Situação de emergência
Trinta e cinco municípios do estado já decretaram situação de emergência. Segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, duas pessoas já morreram em consequência das chuvas. Os óbitos foram registrados nos municípios de Reduto, na Zona da Mata, e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Além disso, há 31 pessoas feridas, 374 desabrigadas e 7.848 desalojadas. Entre as cidades em situação de emergência, 11 estão na Zona da Mata. Leopoldina, Ponte Nova e Santa Rita do Jacutinga estão entre elas.

