
Casa corre risco de desmoronar
As mais de 60 horas ininterruptas de chuva registradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) entre a manhã de sábado e a noite de ontem, resultaram em 150 ocorrências na Defesa Civil. A Zona Sul de Juiz de Fora foi a mais afetada, com 31 ocorrências. Em seguida, aparecem as regiões Leste (30), Norte (29), Sudeste (27), Nordeste (16), Oeste (11) e Centro (6), totalizando mais de cem chamados entre 7h e 19h de ontem. Pelo menos quatro famílias estão desalojadas na cidade, sendo uma no Granbery, outra no São Pedro, e duas no Jardim de Alá.
Uma das ocorrências mais graves foi registrada por volta das 17h30, quando um deslizamento de talude na Rua Aleixo Magaldi, Bairro JK, região Sudeste, atingiu uma moradia. A terra soterrou móveis e utensílios. Devido à suspeita de que uma moradora pudesse estar na residência, os bombeiros fizeram a desobstrução do local. Posteriormente, parentes da mulher informaram que ela poderia estar trabalhando no horário da ocorrência. "Moro do lado dela, mas tem dois dias que não a vejo. Como nem sempre ela trabalha à tarde, ficamos com medo de estar lá dentro", disse a irmã da moradora, Natividade da Conceição, 62 anos. A moradia foi interditada pela Defesa Civil, mas não houve vítima.
Também na tarde de ontem, na altura do número 520 da Rua Diva Garcia, no Linhares, o muro de uma casa desabou, atingindo outra propriedade. Com o impacto, parte da terra da encosta se movimentou em direção ao imóvel afetado. Segundo o pedreiro Gleidison dos Santos, 28, morador da residência atingida, a esposa estava dentro da casa com os quatro filhos no momento do incidente, mas ninguém se feriu. A Defesa Civil forneceu lonas para evitar novos desmoronamentos no barranco e monitora a situação.
Já na Avenida Santa Luzia, bairro homônimo, um muro de contenção desabou sobre a laje da própria casa. Os escombros atingiram a cozinha, o banheiro e um quarto. Devido aos danos, ao aparecimento de rachaduras e à entrada de água no imóvel, a Defesa Civil interditou a residência, que tinha seis moradores.
Outras áreas afetadas no Bairro Santa Luzia foram as ruas Nicolau Esterman e Manoel Moreira de Moraes. Na primeira, um barranco ameaça imóveis, e pequenos deslizamentos chegaram a provocar entrada de terra em uma moradia, deixando moradores apreensivos. Na Manoel Moreira de Moraes, casas que já haviam sido interditadas anteriormente voltaram a ser local de perigo. Durante a tarde, pequenos escorregamentos de terra eram visíveis.
Rio e córregos
Ontem à tarde, a régua da Defesa Civil que mede a profundidade do Paraibuna marcava 2,5 m, quase um metro acima da média, que é 1,9m. Em alguns bairros, a cheia do rio já preocupa a população. No Parque das Torres, região Norte, moradores temem que os bueiros entupidos, e o rio cada vez mais cheio, resultem em enchentes. Na Rua L, que já está parcialmente tomada pela água, o auxiliar de serviços gerais Francisco Carlos Silva, 32, tentava desobstruir um bueiro ontem. "Se não fizermos nada, nossas casas serão invadidas." Outro ponto que preocupa é o córrego que passa pela Rua Lúcio Bittencourt, Bairro Industrial. Ontem a água já estava quase chegando ao asfalto. No São Pedro, Cidade Alta, a água também tomou conta de uma pequena vila na Avenida Senhor dos Passos, onde vivem três famílias.

