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Juiz de Fora testa resposta a novas emergências com chegada das chuvas

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Dezoito bombeiros atuaram na simulação, conforme CBMMG (Foto: Leonardo Costa)
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Com o período chuvoso já em curso e a proximidade do verão, Juiz de Fora se prepara para novos temporais enquanto ainda enfrenta as consequências do desastre socioambiental de fevereiro. Oito meses após as chuvas que deixaram 66 mortos e cerca de oito mil desabrigados em Juiz de Fora, instituições que atuam na linha de frente do atendimento a emergências, como o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Defesa Civil e a Guarda Municipal, buscam aprimorar a capacidade de resposta a novos desastres. Enquanto famílias atingidas ainda buscam acesso à moradia e à assistência, outra frente de atuação se concentra na prevenção de novos desastres. Além da atualização dos planos de contingência, as forças de segurança e os órgãos de proteção realizaram, nesta quinta-feira (29), um simulado diante da chegada das chuvas e dos possíveis impactos do El Niño.

O teste, que ocorreu no Bairro Jardim Natal, na Zona Norte, em edificações atingidas pelo desastre, reproduziu um cenário de deslizamento de terra com duas vítimas, uma dentro de uma edificação e outra dentro de um veículo atingido pelo material. O exercício incluiu operações de resgate e avaliação das condições de segurança no entorno da área afetada.

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O coronel do Corpo de Bombeiros, Joselito Oliveira de Paula, destacou que a preparação passa por preservar os procedimentos que deram resultado durante as operações de fevereiro e aperfeiçoar aqueles que apresentaram falhas. Embora tenha avaliado positivamente a atuação conjunta das instituições, o oficial reconheceu a necessidade de melhorar a comunicação e o acionamento das equipes. O trabalho, entretanto, não se restringe às operações de emergência. O oficial destacou as ações do Núcleo de Atendimento às Chuvas, que mantém contato com as comunidades ao longo do ano para orientar moradores sobre como agir em situações de risco, reconhecer sinais de instabilidade em encostas e adotar medidas de autoproteção.

Para enfrentar os desafios de uma cidade que ocupa a terceira posição entre os municípios mineiros com mais áreas de risco geológico, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a integração entre as instituições também voltou a aparecer na fala do coronel Lúcio Ferreira da Silva Neto, comandante da 4ª Região da Polícia Militar e coordenador regional de Defesa Civil. O oficial, que esteve presente nos locais onde tiveram ocorrências de deslizamentos à época das chuvas, ressaltou o caminho de prevenção antes da fase de resposta ao desastre. 

Defesa Civil amplia estrutura e atualiza plano de contingência após desastre

“Talvez o maior desafio climático da história de Juiz de Fora”, avaliou Joviano Assis, gerente do Departamento de Operações Técnicas da Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, ao se referir ao desastre de fevereiro. Na noite do dia 23, a cidade registrou, em apenas seis horas, um volume de chuva superior ao esperado para todo o mês. Nos dias seguintes, as chuvas continuaram. 

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Diante das centenas de áreas de risco identificadas em uma cidade marcada pelo relevo acidentado, pela expansão urbana desordenada e pela ocupação de encostas, a Defesa Civil municipal precisou contar com o trabalho voluntário de engenheiros durante o desastre de fevereiro, já que sua estrutura não era suficiente para atender à demanda por vistorias nos imóveis ameaçados. Ainda segundo Joviano, em entrevista à Tribuna de Minas, o cenário mudou desde então, com a ampliação das equipes de engenheiros e técnicos para agilizar as ações de prevenção e o atendimento à população em situações de risco. O engenheiro destacou que o “quadro técnico mais do que dobrou” desde o desastre.

Apesar da ampliação do quadro técnico, Joviano não descartou a necessidade de mobilizar mais profissionais em situações de emergência. Para ele, o decreto que regulamenta o plano de contingência, assinado pela prefeita Margarida Salomão (PT), permite à Defesa Civil convocar engenheiros e técnicos de edificações de outras secretarias municipais em caso de novas ocorrências. O órgão planeja, conforme explicou, capacitar esses profissionais para atuar em situações de emergência. 

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O documento também prevê três abrigos permanentes para acolher famílias que precisem deixar suas casas devido a riscos geológicos ou hidrológicos. O engenheiro defendeu ainda que o plano de contingência foi atualizado para incorporar os efeitos do desastre de fevereiro e os possíveis impactos do fenômeno El Niño na região Sudeste do país. 

O Governo de Minas Gerais, por sua vez, prepara medidas próprias para enfrentar os possíveis impactos de um El Niño de alta intensidade, cuja influência pode se intensificar entre a primavera e o verão de 2026/2027. Entre as regiões que preocupam está a Zona da Mata, devido à possibilidade de tempestades intensas e localizadas, com risco de deslizamentos de terra. Os possíveis efeitos do fenômeno, entretanto, podem atingir os 853 municípios mineiros, com alterações no regime de chuvas e elevação das temperaturas. 

Acompanhe atualizações e alertas da Defesa Civil

A Defesa Civil orienta moradores de áreas de risco, sobretudo em regiões de encosta, a ficarem atentos a sinais de instabilidade do terreno, como o surgimento de trincas, deformações nas estruturas dos imóveis, afundamento do solo e presença de água barrenta na base dos barrancos. Diante de qualquer um desses indícios, a recomendação é deixar o imóvel, buscar um local seguro e acionar o órgão para uma avaliação técnica.

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A população também pode se cadastrar gratuitamente no sistema de alertas da Defesa Civil, enviando o CEP por SMS para o número 40199. O serviço emite avisos sobre chuvas intensas, vendavais, tempestades de granizo e ondas de calor.

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