A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que não há previsão de operação especial na BR-040, no trecho de Minas Gerais, entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora, após a megaoperação das polícias Civil e Militar do Rio realizada na terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha. As ações tinham como objetivo a prisão de integrantes do Comando Vermelho (CV) e resultaram, até o momento, em 119 mortes entre suspeitos e agentes de segurança.
Segundo o inspetor Junie Penna, o policiamento segue de forma ordinária no trecho mineiro e não há indicação de reforço ou de alterações no efetivo. “Não há nenhum planejamento de operação especial na BR-040 entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora”, afirmou.
A Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora-Rio (Concer) informou que, na manhã desta quarta-feira (29), o tráfego fluía com menor volume de veículos, reflexo indireto das operações no Rio, mas sem retenções ou ocorrências relevantes na rodovia.
Embora não haja mudanças no policiamento em Minas, a PRF ampliou a presença de agentes nas rodovias do Rio de Janeiro após a operação. De acordo com a corporação, o reforço foi determinado para aumentar a segurança nas vias federais que cortam o estado. Segundo reportagem da CNN Brasil, o patrulhamento está concentrado em pontos estratégicos de acesso à capital fluminense.
A PRF em Minas Gerais informou ainda que agentes da corporação serão enviados para atuar no Rio. “Informações estratégicas como quantidade de efetivo, datas de envio e retorno, formas de atuação e detalhes da operação não serão divulgadas, por questão de segurança orgânica”, informou a instituição.
Em nota, a PRF do Rio afirmou que, desde terça-feira (28), quando deflagrada a Operação Contenção no Rio de Janeiro, intensificou o policiamento nas rodovias federais que cortam o estado. Policiais rodoviários federais de diversas partes do país estão sendo mobilizados para reforçar o policiamento e garantir a segurança viária não apenas no Rio de Janeiro, mas também nas rodovias federais que dão acesso aos municípios com os quais faz divisa. O reforço será mantido em pontos estratégicos e permanecerá por tempo indeterminado.
Operação mira tráfico na região
No mesmo dia da operação no Rio, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizaram a segunda fase da operação Saracura, em Juiz de Fora e Bicas, para combater o tráfico de drogas e a atuação de facções criminosas ligadas ao Comando Vermelho na Zona da Mata. De acordo com a corporação, os investigados davam ordens e coordenavam atividades ilícitas de dentro de unidades prisionais. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão.
As ações das forças de segurança em Minas e no Rio reacendem o alerta sobre possíveis desdobramentos na BR-040, principal ligação entre os dois estados, mas até o momento não há registro de impacto direto na região de Juiz de Fora.
Pode haver agravamento do tráfico em Minas, diz especialista
Wagner Batella, especialista em geografia do crime e da violência e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), avalia que a operação realizada no Rio de Janeiro foi fortemente marcada pela politização, em função de uma “batalha” do estado do Rio de Janeiro ao se posicionar como oposição ao Governo federal. Em ano pré-eleitoral, essa estratégia, considerada eficaz pelo governador fluminense, pode-se repetir, de acordo com o professor. “Os números de vidas perdidas são estarrecedores. Não há ainda comprovação de que todas essas mortes de civis são pessoas ligadas ao tráfico de drogas, mas ainda que fossem, ou supostamente fossem, não há lei no Brasil que sustente essa carnificina, esse extermínio”.
“Depois de impelir forças de atuarem no território, elas saem, mas se não há ocupação, voltam amanhã. No primeiro momento, pode haver agravamento e movimentação de agentes ligados ao tráfico de drogas para outras porções do território brasileiro, incluindo Minas Gerais”, analisa sobre possíveis desdobramentos das operações Contenção e Saracura, deflagradas na terça-feira, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, respectivamente. Como avalia, a operação em Minas foi deflagrada por um conjunto de forças de segurança de diversos níveis.
Batella destaca que essa migração, ou a interiorização das facções criminosas, não é um fato recente. A inserção de Juiz de Fora nesse mapa das facções deve-se ao porte da cidade e à importância regional. “Da Baixada Fluminense em direção ao interior do Brasil, passando por Minas Gerais, Juiz de Fora é a maior cidade nesse movimento. Mas chama a atenção como cidades pequenas, como Bicas, estão inseridas nessa dinâmica. Precisamos entender a fragilidade das forças de segurança que atuam nesse lugar”.

