Os seis candidatos à Prefeitura se reuniram na tarde de ontem para discutir propostas para o planejamento urbano. Desafiados pelo núcleo local do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/JF), Marcos Aurélio Paschoalin (PRP), Laerte Braga (PCB), Custódio Mattos (PSDB), Bruno Siqueira (PMDB), Margarida Salomão (PT) e Victória Mello (PSTU) tiveram inicialmente 15 minutos cada um para, nesta ordem, abordarem assuntos relativos à cidade. O encontro, que ocorreu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi mediado pelo presidente do instituto, Marcos Olender, e marcado por cordialidade atípica numa reta final de disputa. Todos os concorrentes disseram que pretendem, se forem eleitos, desenvolver boa parte ou a totalidade das ações previstas no documento elaborado pelo IAB/JF, que destaca necessidades de melhoria em termos de mobilidade, ordenamento territorial, preservação do patrimônio, explosão imobiliária e defasagem da legislação.
O alto nível da discussão foi destacado pelos concorrentes, mas não faltaram recados com tom de provocação. Em nítida resposta às críticas recebidas no programa de rádio petista, Bruno agradeceu Margarida por ter conferido a seu pai, Marcello Siqueira, em 2003, a Medalha JK – condecoração ofertada pela UFJF. A divergência sobre a efetividade do serviço de limpeza no Bairro de Lourdes, que tem provocado verdadeira troca de acusações nos programas de TV de Bruno e Custódio, também foi colocada em pauta pelo candidato do PMDB. Bruno tocou no assunto ao defender que a limpeza urbana também deve ser vista como elemento importante para o convívio urbano.
Por ser o atual prefeito, Custódio acabou sendo vitrine para ponderações. Margarida, por exemplo, destacou que, além de efetivar o projeto de tratamento do esgoto lançado no Rio Paraibuna, é preciso solucionar o problema dos córregos em regiões densamente ocupadas. A petista também defendeu melhorias em relação aos "trâmites de projetos dentro da Prefeitura" e mais agilidade para efetivar a ligação entre o Aeroporto Regional e a BR-040, como forma de evitar o escoamento do tráfego para Juiz de Fora.
Já prevendo que as ações não realizadas nesta gestão poderiam ser questionadas, Custódio usou parte do tempo para apresentar o que foi feito na área de urbanismo. Ele ressaltou que o período de um mandato é curto para o planejamento da cidade, principalmente quando há escassez de recursos, mas destacou a construção da adutora de Chapéu D’Uvas, a elaboração dos planos de saneamento e tratamento de resíduos e a parceria com o Governo federal no programa Minha Casa, Minha Vida. Tomando como mote o programa habitacional, o tucano fez uma ressalva ao documento proposto pelo IAB/JF, que indica a construção de casas populares em locais que tenham infraestrutura. Segundo Custódio, isso já ocorre.
Paschoalin endossou tudo o que consta no texto, mas defendeu a redução dos gastos públicos. "Para fazer o que está aqui é preciso de grana, de verba, de economizar." O candidato do PRP continuou levantando a bandeira de um governo sem secretariado. Já o comunista Laerte Braga destacou a importância da participação popular na construção da cidade. Ele citou o trabalho dos arquitetos Oscar Niemeyer e Sérgio Bernardes para dizer que pode ser preciso pensar em soluções inusitadas para resolver questões sociais. Victória Mello foi responsável por garantir um pouco de calor ao debate. "A minha visão vai na contramão do que foi colocado aqui. Nossa candidatura tem claro recorte de classe. É interessante a gente ouvir aqui na mesa que está tudo bem e vai ficar muito melhor daqui para frente. Não é verdade. Não está tudo bem para os trabalhadores e as trabalhadoras. Eles vivem nas periferias onde falta quase tudo."
