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Eleitores desconfiam de promessas de candidatos

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Quem acompanha o horário eleitoral gratuito desde sua estreia na TV, na segunda quinzena de agosto, é capaz de perceber a mudança de foco dos primeiros programas para aqueles que estão sendo exibidos nesta reta final da campanha. Desde que  os três primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto – Margarida Salomão (PT), Bruno Siqueira (PMDB) e Custódio Mattos (PSDB) – lançaram seus planos de governo, os programas ficaram mais propositivos. A simples apresentação de "compromissos", contudo, não garante a atração dos indecisos, uma vez que, segundo o cientista político da UFJF, Paulo Roberto Figueira, pesquisas mostram uma profunda desconfiança dos cidadãos quanto à classe política em geral – e, por consequência, quanto às suas promessas. "Vejo o que estão sendo prometido, mas estou cansada, porque, na maioria das vezes, são só promessas", critica a secretária Fátima Vieira, de 58 anos, embora já tenha escolhido seu candidato. "Algumas promessas são incapazes de serem cumpridas. Em relação à tarifa do transporte público, por exemplo, não acredito que nada possa ser feito de imediato para reduzir o preço para os usuários", opina o gerente de estoque Sidcley Costa Lima, de 35.

Além disso, como os candidatos propõem algumas ações semelhantes, pode haver dificuldade para os eleitores diferenciá-los. Tanto Bruno quanto Margarida, por exemplo, defendem medidas como o bilhete único e a utilização da linha férrea para o transporte de passageiros, e ambos garantem continuidade para obras e ações iniciadas por Custódio. Independentemente de cor partidária, os três também asseguram a manutenção das parcerias com os governos estadual e federal. "Estou achando os temas muito parecidos, as propostas muito semelhantes. Não há grandes diferenças entre as promessas dos três principais candidatos. Por outro lado, muitas delas não contemplam o que a cidade precisa", censura o aposentado Luiz Carlos dos Santos, 56. "Ficam falando tanto no Lula, na Dilma e no Aécio que parece eleição presidencial. Na hora da campanha é: ‘Nós vamos fazer’. Depois é: ‘Eu fiz’."

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Segundo Paulo Roberto Figueira, o fato de a apresentação de propostas só ter se intensificado agora – embora as críticas de um candidato a outro, principalmente em relação à atual Administração, não tenham desaparecido e até ficado mais ácidas e mais personalistas – essa é a ordem natural, ainda mais quando se tem um cenário eleitoral que se confunde com a avaliação do atual Governo. "Há uma série de variáveis que determinam o comportamento do eleitorado. Há uma parcela que tende a tomar sua decisão com base numa análise mais prospectiva, avaliando aquilo que os candidatos se comprometem a realizar. Outra fatia se baseia numa avaliação mais retrospectiva, sobre o que os concorrentes já realizaram", explica. "Numa articulação eleitoral como a de Juiz de Fora neste ano, em que o prefeito é candidato, a primeira grande questão em jogo é se ele fez ou não um bom Governo. E isso perpassou todos os discursos, seja o do Custódio para defender sua gestão sejam os de Bruno e Margarida para apontar as mazelas. Só agora é que começam a se intensificar as proposições."

 

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