Uma semana é o tempo que resta aos candidatos à Prefeitura de Juiz de Fora para investir na conquista dos últimos eleitores que definirão aqueles que disputarão
| Margarida Salomão (PT) na Rádio Solar |
| Bruno Siqueira (PMDB) em programa de TV |
| Custódio Mattos (PSDB) na Rádio Solar |
| Victória Mello (PSTU) panfleta nas ruas |
| Laerte Braga (PCB) em manifestação no Centro |
| Marcos Aurélio Paschoalin (PRP) colhe assinaturas para Iniciativa Popular |
o cargo no segundo turno ou, em caso de vitória no dia 7, o novo prefeito da cidade.
De hoje até o próximo sábado, último dia de campanha nas ruas, os três primeiros colocados nas pesquisas – Margarida Salomão (PT), Bruno Siqueira (PMDB) e Custódio Mattos (PSDB) – vão apostar na dualidade de sentimentos que toma conta de votantes e cabos eleitorais. De um lado, a racionalidade que deveria preceder a escolha, mediante comparação de modelos e propostas. Nesse ponto, o principal desafio é converter as informações propositivas de cada um, disponibilizadas nos diversos meios de contato com o cidadão, em votos. De outro lado, porém, há a passionalidade que assola militâncias e que, se numa medida acirra rusgas e trocas de farpas, em outra arrasta centenas de pessoas para o Calçadão da Rua Halfeld ou para grandes eventos em prol das candidaturas.
Só hoje, no dia que inaugura o último suspiro da disputa, tanto o grupo de Bruno quanto o de Margarida farão caminhadas no principal corredor de pedestres do Centro, onde deverão se cruzar com bandeiras, entusiasmos e até mesmo possíveis hostilidades. Custódio, por sua vez, receberá na quadra da Escola de Samba Real Grandeza o governador Antonio Anastasia (PSDB) – um dos mais importantes fiadores de seu plano de governo, pelas parcerias com a gestão do Estado, mas que só chega à cidade nesse momento final.
Líder nas pesquisas e praticamente garantida no segundo turno, Margarida investirá ainda mais na mobilização da militância petista e de simpatizantes, a fim de solidificar a liderança. Nesse sentido, está previsto um comício de encerramento no Centro, na próxima quarta-feira, nos moldes do que foi feito há quatro anos. Segundo o coordenador da campanha, o jornalista Márcio Guerra, o objetivo foi cumprido até aqui. "Esperamos ter conseguido mostrar ao povo de Juiz de Fora que existe uma proposta de mudança real e não uma velha ideia fantasiada de novo", alfineta. "Nessa reta final, vamos intensificar a participação e o engajamento da nossa militância, na expectativa de que a eleição se defina por essa mudança. O povo de Juiz de Fora não aguenta mais continuar com está." Além disso, ele ressalta que os militantes estão mais vigilantes que em 2008 contra panfletos apócrifos e acusações anônimas de última hora.
No caso de Bruno e Custódio, a tarefa nesta semana talvez seja mais intensa, uma vez que se pauta num embate direto para ver quem vai para o segundo turno. "Tudo o que está sendo feito na nossa campanha foi planejado desde o início, sem desvio de rotas", afirma o jornalista Michael Guedes, coordenador da campanha peemedebista. "Só isso já representa o sucesso de nossa estratégia, porque partimos de um índice de desconhecimento muito maior do que os outros candidatos. Nosso primeiro desafio era apresentar o Bruno e o segundo, mostrar o diferencial das propostas. Agora entramos na fase da motivação do voto, que é mais emocional. É a fase mais curta, mas também a mais intensa. E todo cuidado é pouco para continuar realçando sua estratégia e se defendendo dos adversários."
A conversão de informação em votos também é o desafio da equipe do prefeito Custódio Mattos, de acordo com o jornalista Rodrigo Barbosa, coordenador de comunicação da campanha. "Como sempre acontece, esses últimos dias são os mais relevantes, porque é quando o impacto da escolha fica mais significativo na vida das pessoas", destaca. "Do ponto de vista mais específico, esta é uma eleição muito pautada sobre os problemas da cidade e as propostas de solução. Não por acaso os programas de governo foram bem detalhados. A decisão se dá muito pela comparação. Tivemos o desafio muito grande de resgatar a história da Administração, prestando contas ao eleitor. A missão foi cumprida. Nessa reta final, é converter isso em intenção de voto e desejo de continuidade."
Vitória independente das urnas
Se para os três candidatos dos maiores partidos o sucesso da campanha só será medido de fato nas urnas, para o trio das siglas menores o que importa é o fato de terem conseguido, ainda que com todas as dificuldades financeiras, de espaço e de tempo, mostrar a existência de vias alternativas. "O PCB não tem compromisso com a vitória nem receio da derrota. A eleição, para nós, é um meio, não um fim", enfatiza o comunista Laerte Braga. "Esta eleição recolocou o PCB na cena política de Juiz de Fora. Já somos vitoriosos. No pós-eleição, a gente continua com esse contato direto com o cidadão, a fim de mostrar a necessidade de modificar as estruturas de poder."
Para Marcos Aurélio Paschoalin (PRP), apesar de ainda depender de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que avalia o indeferimento de registro de sua candidatura, "as expectativas são as melhores possíveis". "Não confio no TSE. Mesmo se tiver intenção de voto, podem até fraudar a urna para me prejudicar. Mas o que conta é a história do indivíduo. O que importa é a gratidão: as pessoas que me gritam nas ruas, as crianças que me reconhecem. Estão vendo que existe pessoa diferente na política", reflete o candidato, que continuará investindo nos minicomícios.
A professora Victória Mello (PSTU) também faz uma avaliação positiva. "Conseguimos apresentar nossas propostas, falar dos problemas da cidade e fazer a sociedade pensar", ressalta ela, que seguirá com o corpo a corpo na próxima semana. O feito será celebrado hoje à noite, no Forró da Victória.
