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Clima morno às vésperas do pleito

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Margarida Salomão (PT)  e Bruno Siqueira (PMDB) na Rádio Solar
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Margarida Salomão (PT) e Bruno Siqueira (PMDB) na Rádio Solar

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Ainda falta um dia para que os cidadãos de Juiz de Fora escolham nas urnas quem assumirá o cargo máximo do município pelos próximos quatro anos. Mas a distância entre os candidatos Bruno Siqueira (PMDB) e Margarida Salomão (PT) nas pesquisas parece ter esmorecido nem tanto a esperança, já que a militância petista pretende marcar presença nas ruas na manhã de hoje no que chamou de "Marcha da Virada", mas ao menos a tensão entre os dois candidatos, evidenciada, nos últimos dias, nos ataques mútuos no rádio e na TV e nas farpas jurídicas trocadas na série de liminares e pedidos de resposta protocolados na Justiça Eleitoral. Tanto a ideia é evitar animosidades de última hora que nem duelo de bandeiras são esperados para hoje. Enquanto a militância do PT vai para o coração político da cidade, o grupo de Bruno, que já desceu o Calçadão na semana passada, optou por dar seu "Grito da Vitória do 15!", mas dentro do próprio comitê, quase a portas fechadas.

Uma das razões  cogitada por militantes dos dois lados para explicar a tepidez dos suspiros finais é a distância expressiva entre os dois candidatos nas pesquisas. Os números do Ibope divulgados ontem pela Tribuna e pela TV Integração mostraram um cenário estável em relação ao levantamento da semana passada, no qual as duas apostas de crescimento de Margarida – a tentativa de vinculação de Bruno à atual Administração, através do apoio do governador Antonio Anastasia (PSDB) e do senador Aécio Neves (PSDB), e as promessas de redução de IPTU e ISS – provocaram apenas impactos pontuais em grupos específicos (a candidata cresceu nove pontos percentuais entre os de escolaridade mais baixa, que estudaram até a quarta série, mas caiu onze pontos entre os eleitores com idade entre 30 e 39 anos, por exemplo).
  Por coincidência ou não, no mesmo dia em que a sondagem foi publicada, a petista, durante debate da Rádio Solar AM, pouco tocou nesses pontos, que havia definido antes como "argumentos políticos" para tentar mudar os cenários apontados pelas sondagens de intenções de voto, que acenam com uma dianteira folgada de seu adversário. No início do segundo turno, alguns petistas e simpatizantes até apostaram que os votos conquistados por Bruno no primeiro turno seriam mais flutuantes, mas a constância dos números – auxiliada pela migração quase automática da maior parte da votação do prefeito Custódio Mattos (PSDB) para o peemedebista – foi comemorada por aliados do deputado, principalmente entre itamaristas, como uma consolidação de seu nome na cena política juiz-forana.

Fim ameno

O debate da Solar, realizado na manhã de ontem, foi o ápice de uma reta final de campanha que pode ser considerada no mínimo tímida. Durante a semana, areportagem da Tribuna percorreu as ruas da Região Central e não teve dificuldades em perceber que o número de materiais como bandeiras, placas, cavaletes, adesivos, cardoors e panfletos não era condizente com o esperado nos dias que antecedem o pleito. Na mesma toada, Bruno e Margarida abriram mão de realizar comícios durante o segundo turno, possibilidade encerrada na última quinta-feira, pelo atual calendário eleitoral.

Ontem, no último dia para a realização de debates entre os postulantes, o clima ameno que marca esse epílogo da disputa nos estúdios da Solar AM. Mediado pelo apresentador do programa Rádio Vivo, Marcelo Juliani, o compromisso mais pareceu uma cordial conversas entre dama e cavalheiro. Bruno e Margarida evitaram ataques e deixaram quaisquer polêmicas em segundo plano, numa antecipação do que, se não chega a camaradagem, pode pelo menos ser tomado como a cortesia com a qual, como lembram apoiadores dos dois lados, eles terão que se tratar a partir do ano que vem, quando um estiver na PJF e o outro no Legislativo, seja estadual ou federal. Afinal de contas, a despeito das divergências, o que sempre dominou o discurso de ambos foi a importância das parcerias entre governos e poderes em prol do desenvolvimento social e econômico de Juiz de Fora.

Estratégias deixadas em segundo plano

Durante o debate da manhã de ontem, Margarida fez breves menções à sua proposta de reduzir a alíquota do ISS e o valor do IPTU, assim como não dedicou maiores esforços na tentativa de vincular a imagem do adversário à atual gestão de Custódio Mattos e aos grupos políticos que governaram a cidade nas últimas décadas. Os dois pontos foram definidos como estratégias para a reta final de campanha durante a visita do presidente nacional do PT, Rui Falcão, na semana passada. O único momento em que Margarida citou sua proposta de redução linear do IPTU em 10% foi no segundo bloco, quando os candidatos explanaram suas posições sobre o tema ambiente urbano.

 "Para que possamos dar atenção aos bairros e não negligenciar o Centro da cidade, que é utilizado por toda a população, é fundamental criar subprefeituras, que você terá condição de descentralizar os serviços da Prefeitura" defendeu a petista. Em sua réplica, Bruno falou sobre a importância de se investir nos bairros. "Para que tenhamos um comércio melhor nestas regiões, de forma que as pessoas não tenham necessidade de sair de seus bairros para resolver seus problemas, melhorando o trânsito da cidade." Como resposta, a professora disse que "o comércio do bairro que funcionará melhor se desonerado do IPTU".

Críticas ao Governo estadual e a Custódio

Dois tópicos que figuram entre os cinco apontados pelo Ibope como principais anseios da população foram abordados durante o debate: mobilidade urbana e segurança. O primeiro item abriu as discussões, quando Margarida questionou Bruno sobre seu posicionamento a respeito das obras viárias prometidas pela atual gestão e que, praticamente, ainda estão no papel. "São obras importantes que vão melhorar o trânsito, mas não resolve de forma definitiva o problema da mobilidade urbana de nossa cidade. Daí a importância de se investir no transporte coletivo e na busca por recursos federais para a execução do contorno ferroviário, de forma a tirar o trens de carga de dentro da cidade."

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Em sua réplica. Margarida atacou o Governo estadual tucano, que já manifestou apoio à candidatura adversária por meio de Anastasia e Aécio. "Há quatro anos, essas obras foram prometidas com grande alarde pelo então governador Aécio, mas esses recursos não foram aplicados. Quero dizer que, embora juiz de Fora represente 2,5% do PIB mineiro, apenas 0,34% do total de investimento do orçamento de Minas foi aplicado na cidade nos últimos quatro anos. É muito complicado contar com o apoio do Estado."

Com bom trânsito no Palácio da Liberdade, Bruno isentou o Governo de estado de culpa pelo atraso das benfeitorias, voltando a criticar a atual gestão de Custódio, companheiro de partido de Aécio e Anastasia. "O governador mandou os recursos, mas, por uma decisão político-administrativa do prefeito Custódio Mattos, os recursos foram empenhados em outras obras. O compromisso do governador foi assumido e foi realizado. Quem pecou foi o atual prefeito que não executou as obras como foi prometido por ele."

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Foco na questão da segurança pública
Sobre a questão da segurança, Margarida reforçou seu intuito de criar uma Secretaria de Segurança Social. "A pasta vai agregar a Guarda Municipal e a Defesa Civil, que precisa ter seu efetivo redimensionado, além de equipar o pessoal e reorganizá-los. Assim, vamos promover uma vigilância ostensiva na cidade, complementando os serviços das polícias Militar e Civil." Por outro lado, Bruno defendeu a ampliação do programa Olho Vivo, do Governo estadual. "Temos em Minas a melhor Polícia Militar do país. Em parceria com as demais polícias vamos fazer instalações de monitoramento como o projeto Olho Vivo no centro e em bairros, além do desenvolvimentos de políticas de prevenção de violência e o fortalecimento da Guarda Municipal."

Um dos pontos de concordância nos discursos dos dois candidatos foi a necessidade de se buscar recursos e a ampliação de programas do Governo federal. Bruno e Margarida reforçaram que têm ferramentas e acesso para isso, sempre lembrando que seus partidos integram a cúpula do Palácio do Planalto, representados pela presidente Dilma Rousseff (PT) e o vice-presidente Michel Temer (PMDB).

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